Foz do Iguaçu (PR) — A memória dos trabalhadores que ajudaram a construir Itaipu Binacional e transformaram a história de Foz do Iguaçu ganhará destaque neste domingo (24) durante a realização do 1º Festival “Homens de Aço”, na Vila C Nova. Além das homenagens aos barrageiros, o evento também marcará os 30 anos da Escola Municipal Padre Luigi Salvucci, uma das instituições educacionais mais simbólicas da região formada a partir do crescimento popular provocado pela construção da usina.
A programação acontece na Rua Fortaleza, em frente à chamada “Praça da Mentira”, espaço historicamente ligado à vida comunitária da Vila C. No local, será instalada uma exposição fotográfica com mais de 50 imagens que resgatam diferentes momentos da trajetória da escola e da comunidade, conectando educação, memória popular e identidade territorial.
A mostra será aberta ao público das 16h às 19h, ao lado do palco principal do festival, que contará com apresentações culturais, roda de conversa e show da Banda Terceira Dimensão. Durante a exposição também serão realizados registros fotográficos de ex-alunos, antigos funcionários, professores e pessoas que ajudaram a construir a história da instituição ao longo de três décadas.
A iniciativa dialoga diretamente com a memória social dos bairros formados durante a construção de Itaipu, território marcado pela presença de milhares de trabalhadores migrantes que chegaram à fronteira durante as décadas de 1970 e 1980 e moldaram profundamente a identidade popular de Foz do Iguaçu.
Memória coletiva e patrimônio popular
A ação integra um projeto mais amplo de preservação histórica coordenado pela própria escola em parceria com a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). A equipe responsável pelos registros é formada pelo projeto de extensão universitária “LUMINOSA”, ligado ao curso de Cinema e Audiovisual da universidade, que também atua na reorganização e digitalização do acervo histórico da instituição através do Laboratório de Preservação da UNILA.
Segundo a diretora da escola, professora Sônia Reis, a exposição representa um reencontro coletivo com a trajetória construída pela comunidade escolar ao longo dos anos.
“A exposição é a oportunidade de conhecer ou reviver a história e evolução dos 30 anos vividos pela nossa escola. Algo que nos motiva ainda mais a continuar nessa trajetória”, afirmou.
O trabalho de memória também prevê a produção de um documentário sobre os 30 anos da escola, utilizando os registros realizados durante o festival. A produção contará ainda com apoio do projeto extensionista “Cinema na Curva do Rio”, coordenado pela professora Francieli Rebellato.
A proposta evidencia o papel da educação pública como espaço de construção de memória coletiva, sobretudo em regiões populares historicamente formadas pelo deslocamento de trabalhadores, pela migração interna e pela construção de grandes obras de infraestrutura, como Itaipu Binacional.

Exposição deve circular por outros espaços culturais
Após a estreia na Vila C Nova, a exposição fotográfica deverá se tornar itinerante, ampliando o acesso da população à história da escola e da comunidade. A circulação contará com apoio da Estação Cultural Professor João Sampaio, conhecido como Professor Mosquito, além da Pró-Reitoria de Extensão da UNILA.
Mais do que uma celebração institucional, a iniciativa reforça a importância da preservação da memória popular de Foz do Iguaçu, especialmente das comunidades formadas em torno da construção de Itaipu — um dos maiores projetos de engenharia do mundo, mas também um dos principais marcos sociais da fronteira trinacional.
Serviço
Exposição Fotográfica “30 anos da Padre”
📍 Rua Fortaleza — Vila C Nova — Foz do Iguaçu (PR)
📅 Domingo (24)
⏰ Das 16h às 19h
Realização: Escola Municipal Padre Luigi Salvucci e Projeto LUMINOSA

















