Falta de vacina contra clostridioses preocupa pecuaristas no Paraná

Falta de vacina contra clostridioses preocupa pecuaristas no Paraná

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Curitiba (PR) — A falta de vacina contra clostridioses no Paraná passou a preocupar pecuaristas de diferentes regiões do Estado após relatos de escassez do imunizante e mortes de animais em propriedades rurais. O problema já mobiliza o Sistema FAEP, que iniciou um levantamento estadual para mapear a dimensão da falta de doses e cobrar soluções junto aos órgãos responsáveis.

As clostridioses são doenças infecciosas de alta letalidade causadas pela bactéria Clostridium e estão entre as principais causas de morte de bovinos no país. Em algumas regiões do Paraná, produtores relatam que não conseguem encontrar vacinas há pelo menos um mês.

Nesse sentido, o Sistema FAEP afirma que acompanha o avanço da situação e cobra medidas urgentes para normalizar a distribuição do imunizante.

“Estamos fazendo um levantamento completo em todas as regiões do Estado para identificar onde falta vacina e solicitar que os órgãos responsáveis acelerem a distribuição”, afirmou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Pecuaristas relatam mortes de animais pela falta de vacina

A preocupação aumenta principalmente entre produtores que estão no período de imunização de bezerros. A recomendação técnica prevê aplicação da primeira dose em animais com mais de 90 dias, seguida de reforço após 30 dias.

Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, Fábio Mezadri, muitos pecuaristas não conseguem concluir o protocolo vacinal por ausência do produto.

Em Cidade Gaúcha, no Noroeste do Paraná, a pecuarista Ane Becker relata dificuldades para imunizar cerca de 300 bezerros.

“Nem aqui nem nas cidades vizinhas encontramos vacina. Tem produtores que não conseguiram fazer nem a primeira dose. Já existem casos confirmados de mortes por Carbúnculo na região”, afirmou.

A produtora mantém um rebanho de aproximadamente mil cabeças e diz que o cenário preocupa toda a cadeia pecuária regional.

“As pessoas estão perdendo animais por falta de vacina. Precisamos que as autoridades acompanhem isso de perto”, reforçou.

Norte Pioneiro também enfrenta escassez de imunizante

Além do Noroeste, produtores do Norte Pioneiro também relatam dificuldade para adquirir vacinas contra clostridioses.

O vice-presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP e presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Claro, Marcos Minguini, alerta para os riscos sanitários provocados pela falta do imunizante.

“Se continuarmos sem vacina, parte do rebanho paranaense ficará comprometida, principalmente os animais mais jovens. Estamos recebendo relatos constantes de produtores e sindicatos rurais”, afirmou.

Entre as doenças mais comuns causadas pela bactéria Clostridium estão Carbúnculo, Botulismo, Tétano, Gangrena Gasosa, Enterotoxemias, Hemoglobinúria Bacilar e a chamada Doença do Rim Polposo.

Redução da produção agravou falta de vacina no Paraná

Segundo o levantamento do Sistema FAEP, a redução da produção nacional de vacinas aparece como uma das principais causas da escassez.

De acordo com Fábio Mezadri, muitas indústrias reduziram investimentos após a queda da demanda por vacinas contra febre aftosa, produto que sustentava parte da cadeia produtiva veterinária nacional.

Além disso, o fechamento de fábricas e a dependência crescente de importações agravaram o problema.

“A produção nacional caiu aproximadamente 20%, aumentando a dependência de mercados internacionais, principalmente Uruguai, Argentina e Estados Unidos”, explicou.

O técnico também cita investigações sanitárias ocorridas em 2025 após registros de mortes de animais relacionadas a determinados lotes de vacina, além da demora na liberação de produtos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Adapar reforça importância da vacinação preventiva

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) confirmou a importância da vacinação preventiva contra clostridioses bovinas.

Segundo o gerente de Sanidade Animal da Adapar, Rafael Gonçalves, essas doenças apresentam evolução rápida e alta taxa de mortalidade, tornando a prevenção fundamental para proteção do rebanho.

“A vacinação preventiva continua sendo a principal ferramenta de controle dessas enfermidades”, afirmou.

Ainda segundo a Adapar, embora as clostridioses não façam parte de programas oficiais obrigatórios, os prejuízos econômicos provocados pelas doenças são significativos para a pecuária.

Nesse contexto, produtores e entidades do setor cobram medidas emergenciais para garantir o abastecimento de vacinas no Paraná e evitar novos prejuízos ao rebanho estadual.


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