Moscou (Rússia) – Num dia como hoje, em maio de 1945, o mundo assistia ao colapso definitivo da Alemanha nazista e ao nascimento de uma nova ordem global. O chamado Dia da Vitória marcou a derrota militar do 3º Reich e transformou a União Soviética em protagonista da reconstrução política do pós-guerra.
Além disso, a imagem do soldado soviético Meliton Kantaria hasteando a bandeira vermelha sobre o Reichstag destruído tornou-se um dos registros mais simbólicos do século 20. A fotografia feita por Yevgeny Khaldei eternizou o momento em que Berlim caía diante do Exército Vermelho.
Naquele instante, não terminava apenas uma guerra. O mundo entrava definitivamente em uma nova era.
O Dia da Vitória é celebrado em datas diferentes conforme o país. Enquanto grande parte da Europa Ocidental lembra a vitória em 8 de maio, Rússia e antigas repúblicas soviéticas realizam as homenagens em 9 de maio.
A diferença ocorre devido ao horário da assinatura da rendição alemã em Berlim. Quando o documento foi oficializado, ainda era noite do dia 8 na Alemanha. Entretanto, em Moscou já passava da meia-noite.
Além disso, para os russos, o 9 de maio tornou-se a principal data cívica nacional. Todos os anos, desfiles militares ocupam a Praça Vermelha, reunindo soldados, veteranos e familiares dos mortos da chamada “Grande Guerra Patriótica”.
O fim do nazismo mudou o planeta
A vitória soviética sobre o nazismo teve um custo devastador. Estima-se que a União Soviética perdeu cerca de 27 milhões de pessoas durante a Segunda Guerra Mundial, entre civis e militares.
Além disso, cidades inteiras foram destruídas pela invasão alemã iniciada em junho de 1941 durante a Operação Barbarossa.
Adolf Hitler pretendia destruir a União Soviética, eliminar o comunismo e transformar territórios eslavos em colônias do regime nazista. No entanto, a resistência soviética alterou completamente o rumo do conflito.
Nesse sentido, a derrota alemã diante de Moscou em 1942 representou o primeiro grande fracasso militar da Wehrmacht.
Após perder importantes regiões industriais, a União Soviética realizou uma das maiores operações logísticas da história. Mais de 1.500 fábricas foram desmontadas e transferidas para áreas além dos Montes Urais.
Dessa forma, Moscou conseguiu reorganizar rapidamente sua capacidade militar.
Além disso, a produção soviética de tanques T-34 passou a superar a alemã.
As batalhas de Stalingrado e Kursk mudaram definitivamente o destino da guerra. Em Stalingrado, o poderoso 6º Exército alemão foi cercado e destruído. Já em Kursk ocorreu a maior batalha de blindados da história.
Enquanto isso, o Exército Vermelho avançava progressivamente rumo a Berlim.
Quando os aliados desembarcaram na Normandia, em 1944, cerca de 80% das forças militares alemãs já haviam sido destruídas no front oriental.
A União Soviética virou superpotência
A derrota do nazismo consolidou a União Soviética como potência global e impulsionou movimentos socialistas em diferentes continentes.
Além disso, partidos comunistas ganharam força política na França, Itália, China, Grécia e em países da América Latina.
Intelectuais e artistas passaram a enxergar o socialismo como alternativa política ao fascismo e às antigas potências coloniais europeias.
Pablo Picasso filiou-se ao Partido Comunista Francês. Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir também demonstraram proximidade com o marxismo.
Nesse sentido, o Dia da Vitória ajudou a consolidar o chamado mundo bipolar, marcado pela disputa entre capitalismo e socialismo durante a Guerra Fria.
Após a rendição alemã, Josef Stalin fez um pronunciamento histórico transmitido ao povo soviético.
“Chegou o grande dia da Vitória sobre a Alemanha”, declarou o líder soviético.
Além disso, Stalin afirmou que os sacrifícios do povo soviético haviam garantido a liberdade da pátria e derrotado o imperialismo alemão.
O discurso tornou-se um dos documentos políticos mais emblemáticos do século 20.
O Dia da Vitória permanece como um dos acontecimentos mais importantes da história contemporânea. Mais de oito décadas depois, a memória da derrota do nazifascismo continua mobilizando cerimônias, debates históricos e homenagens em diferentes partes do planeta.
Além disso, o episódio simboliza o esforço coletivo de milhões de soldados, trabalhadores e civis que resistiram ao avanço da máquina de guerra nazista.
Num dia como hoje, em 1945, o mundo encerrava um dos períodos mais violentos da humanidade e iniciava uma nova disputa global que moldaria o restante do século 20.
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