Foz do Iguaçu (PR) — O Dia Internacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, neste 1º de maio, volta a ocupar as ruas de Foz do Iguaçu como espaço de disputa política. Organizações sociais, sindicatos e partidos convocam a classe trabalhadora para um ato que não se limita à celebração: é um chamado à mobilização diante do avanço da precarização, da perda de direitos e da concentração de riqueza.
No centro da mobilização está o enfrentamento à jornada 6×1 e a defesa da redução da jornada sem redução salarial. A pauta dialoga com uma realidade cada vez mais evidente: trabalhadores exaustos, com menos tempo de vida, submetidos a jornadas intensas enquanto a produtividade e os lucros seguem em alta.
O 1º de maio não nasceu como feriado. Nasceu da revolta. Em 1886, em Chicago, trabalhadores enfrentaram jornadas de até 17 horas diárias e foram às ruas exigir a redução para oito horas. A resposta foi repressão, prisão e morte. O episódio, conhecido como Revolta de Haymarket, transformou aqueles operários em símbolo internacional da luta por direitos.
Mais de um século depois, o cenário muda de forma, mas não de essência. A exploração se reorganiza, os mecanismos se sofisticam, mas a disputa entre capital e trabalho permanece. Em Foz do Iguaçu, o ato resgata esse sentido histórico: o de que nenhum direito foi concedido — todos foram conquistados.
Precarização avança e coloca jornada no centro da disputa
As entidades organizadoras apontam que o mundo do trabalho atravessa uma nova fase de reorganização, marcada pela flexibilização de direitos e pela transferência de riscos para quem trabalha. A pejotização, o avanço do trabalho por aplicativos e os efeitos das contrarreformas trabalhista e previdenciária aprofundaram a insegurança e fragilizaram a proteção social de trabalhadores e trabalhadoras.
Nesse cenário, a jornada de trabalho volta ao centro da disputa. O fim da escala 6×1 se consolida como uma das principais bandeiras do movimento sindical em todo o país, diante de uma realidade marcada pelo adoecimento físico e mental e pela ausência de equilíbrio entre trabalho e vida.
A pauta ganha força com a tramitação do Projeto de Lei 1.838/2026 no Congresso Nacional, que propõe mudanças na organização da jornada. Outras propostas em debate incluem a redução gradual da carga horária e até a adoção da semana de quatro dias.
Ao mesmo tempo, cresce a pressão pela regulamentação do trabalho por aplicativos, hoje marcado pela ausência de direitos e pela instabilidade, e pelo combate à pejotização, apontada como mecanismo de precarização e retirada de garantias históricas.
Para as organizações, esse conjunto de mudanças não pode ser analisado isoladamente. A política econômica também entra no centro do debate. O chamado arcabouço fiscal é criticado por limitar investimentos públicos e reforçar um modelo que prioriza o mercado em detrimento das necessidades sociais.
Nesse contexto, o trabalho deixa de ser apenas uma questão econômica e se afirma como uma disputa política sobre o modelo de sociedade. A avaliação das entidades é direta: sem organização coletiva e pressão popular, o avanço dessas transformações tende a ampliar a desigualdade e aprofundar a precarização.
Trabalhadores, uní-vos!
O ato é aberto e convoca toda a comunidade iguaçuense a participar. A mobilização será realizada na entrada lateral do Cataratas JL Shopping, na Avenida Paraná.
A concentração começa às 14h, com início das atividades às 15h.
Mais do que um evento, o 1º de maio em Foz se apresenta como um momento de reencontro da classe trabalhadora com sua própria força coletiva.
Porque, diante de um cenário em que direitos são questionados e o trabalho é precarizado, a resposta segue sendo a mesma que atravessa gerações: organização, mobilização e luta.
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