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Justiça bloqueia 80 imóveis e 103 veículos em nova ação contra sonegação

Investigação descobriu uso de conta de cobrança para erguer mansão em Cambé

Documentação recolhida na sede de gestora de fundos na capital paulista. Foto: Receita Federal.

Londrina, PR – O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Receita Federal deflagram nesta quarta-feira (4) a Operação Catéter.

A polícia cumpriu 27 mandados de busca e apreensão autorizados pela 3ª Vara Criminal de Londrina, alcançando a sede de uma gestora de fundos em São Paulo e um parque industrial.

A Justiça determinou a indisponibilidade de bens até R$ 128 milhões para recompor os valores de ICMS não recolhidos.

O bloqueio atingiu ativos de dez fundos de investimento (FIDCs), quatro securitizadoras, 103 veículos, uma embarcação e mais de 80 imóveis.

Entre as propriedades retidas estão fazendas, casas em condomínios fechados e um apartamento avaliado em R$ 13,2 milhões na capital paulista.

A apuração começou em 2024, após uma fábrica de subprodutos animais emitir R$ 1,1 milhão em notas simuladas em quatro dias.

“Essa segunda empresa, com sede formal em Londrina, acumula débitos de ICMS inscritos em 23 Certidões de Dívida Ativa que somam R$ 128.090.762,56. Parte do débito se refere a imposto declarado pela própria empresa e simplesmente não recolhido entre novembro de 2020 e novembro de 2022.”

O administrador real ocultava sua presença no contrato social. Em 2019, a empresa foi registrada em nome de laranjas de Goiás, sem que estes exercessem qualquer gestão.

A sede declarada era uma sala em um centro comercial de Londrina. O grupo abriu filiais em Marabá (PA) e Várzea Grande (MT) — esta última movimentou R$ 276,6 milhões em um endereço inexistente.

O Laboratório contra Lavagem de Dinheiro do MPPR identificou a movimentação de R$ 1,33 bilhão em 63,5 mil transações, volume incompatível com a capacidade física da empresa.

“A análise do LAB-LD/MPPR revelou que a empresa movimentou R$ 1.330.242.476,56 em 63.580 transações bancárias, embora não dispusesse de estrutura para produzir, armazenar ou expedir mercadorias nessa escala.”

Para circular os recursos sem atrair o Fisco, o grupo utilizava a conta bancária de uma empresa de cobrança mediante comissão de 0,5%.

Entre 2021 e 2023, essa conta movimentou R$ 26,4 milhões, usados para comprar terrenos, erguer uma mansão em Cambé e transferir bens para familiares.

A investigação mostrou ainda que R$ 129,6 milhões transitaram entre a empresa e um operador financeiro, enquanto nove FIDCs aportaram R$ 63,7 milhões em operações simuladas.

“Para circular os recursos fora do sistema fiscal, o grupo utilizava a conta bancária de uma empresa de cobrança cedida por investigada já denunciada por lavagem de dinheiro na Operação Engenho, em troca de comissão de 0,5% sobre os valores movimentados.”

A Justiça ordenou o envio de relatórios à CVM, ao Banco Central e à Receita Federal.

Seis investigados, incluindo o apontado líder do esquema, estão proibidos de deixar a comarca e de conversar com os demais citados.

A operação teve apoio dos Gaecos de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, da Receita Estadual e da Procuradoria-Geral do Estado.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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