Washington, EUA – Os Estados Unidos registraram 4.410 casos confirmados de sarampo em 2026, segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês). O número supera o total contabilizado em todo o ano anterior e representa o nível mais alto de infecções desde 1991. A queda na cobertura vacinal é apontada como um dos principais fatores por trás do avanço da doença.
De acordo com o balanço epidemiológico divulgado pelas autoridades sanitárias, os casos estão distribuídos por 47 jurisdições, com maior incidência entre crianças e adolescentes. Pessoas de 5 a 19 anos somam 1.856 casos, o equivalente a 42% do total. As autoridades também registraram 451 hospitalizações, cerca de 10% dos infectados. Segundo os dados apresentados, 96% dos casos correspondem a pessoas sem registro de vacinação disponível.
A Pensilvânia concentra o quadro mais grave entre os estados detalhados no levantamento. As autoridades sanitárias locais confirmaram 1.260 casos em 43 condados, além de 238 hospitalizações e cinco mortes associadas à doença.
Na Carolina do Sul, foram contabilizados 670 casos e 67 hospitalizações, sem mortes confirmadas. A distribuição por idade segue o padrão nacional: pessoas de 5 a 19 anos representam 42% dos diagnósticos, adultos com 20 anos ou mais correspondem a 40%, e crianças menores de 5 anos representam 17%.
Utah registra 535 casos confirmados e 53 hospitalizações, sem mortes relatadas. A distribuição etária é semelhante: 42% dos casos estão entre pessoas de 5 a 19 anos, 40% entre adultos com 20 anos ou mais e 17% entre crianças menores de 5 anos.
Em Wisconsin, o balanço aponta 256 infecções e 25 hospitalizações, sem óbitos registrados. O grupo de 5 a 19 anos também é o mais afetado, com 42% dos casos. Adultos com 20 anos ou mais representam 40%, enquanto crianças menores de 5 anos correspondem a 17%.
O Texas contabiliza 192 casos e 19 hospitalizações, sem mortes confirmadas. Já o estado de Nova York, incluindo os registros da cidade de Nova York, soma 103 casos confirmados e dez hospitalizações, também sem óbitos. Nos dois locais, os dados divulgados mantêm a mesma distribuição percentual por faixa etária descrita nos demais estados.
CDC mobiliza equipes para conter a transmissão
Diante do aumento das infecções, o CDC mobilizou especialistas do Serviço de Inteligência Epidemiológica para apoiar o rastreamento de contatos e as ações de contenção comunitária nas áreas atingidas. O objetivo é identificar possíveis cadeias de transmissão e limitar a expansão dos surtos.
Além da Pensilvânia, Nova York e Ohio aparecem entre os estados com incidência elevada. As autoridades sanitárias recomendam que a população complete as duas doses da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola, conhecida como tríplice viral.
A orientação está relacionada à alta capacidade de transmissão do sarampo. Para manter a imunidade coletiva e reduzir a circulação do vírus, a cobertura vacinal precisa superar 95% nas comunidades, segundo a recomendação citada no material epidemiológico.
Queda na vacinação preocupa autoridades das Américas
O avanço da doença ocorre depois de décadas de controle da transmissão endêmica nos Estados Unidos. O país declarou a eliminação dessa forma de transmissão em 2000. Desde então, a disseminação de informações falsas sobre vacinas, a desconfiança nas instituições e o aumento de isenções escolares por motivos não médicos contribuíram para a redução da imunização em determinadas comunidades.
Quando a cobertura vacinal cai abaixo do nível necessário para conter a circulação do vírus, casos importados podem desencadear surtos extensos, especialmente em grupos com baixa proteção. As consequências incluem mais internações, complicações graves e mortes que poderiam ser evitadas pela vacinação.
A situação também preocupa as autoridades sanitárias de outros países do continente. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) classificou como muito alto o risco de propagação regional, de acordo com as informações epidemiológicas fornecidas. A entidade alertou que a queda contínua da cobertura vacinal nas Américas ameaça a proteção construída ao longo de décadas e pode aumentar a pressão sobre os serviços de saúde.
Para conter o avanço da doença, especialistas defendem o reforço da vigilância epidemiológica nos pontos de entrada, a ampliação das campanhas de vacinação e a garantia de doses disponíveis nos serviços de saúde. A coordenação entre as agências federais e as autoridades locais também é considerada necessária para controlar os surtos, reduzir o risco de complicações entre crianças e recuperar os níveis de proteção coletiva.



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