Brasília, DF – A Polícia Federal (PF) identificou registros bancários em nome do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro associados à estrutura de gestão de contas de empresas do advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As informações foram divulgadas em 10 de outubro, com base em e-mails encontrados na conta de armazenamento em nuvem do advogado.
Segundo os dados revelados, os e-mails apreendidos mostram uma conta vinculada ao nome de Flávio Bolsonaro no perfil bancário de uma das empresas de Tomaz. O registro colocaria o senador na estrutura de administração de contas controlada pelo advogado. A existência desse cadastro, por si só, não comprova que o parlamentar tenha participado das fraudes investigadas.
Um dos pontos que chamaram a atenção dos investigadores é a data de uma solicitação feita ao banco Santander. Em 22 de maio de 2025, um funcionário da empresa pediu à instituição financeira que apagasse um registro identificado como “Flávio Bolsonaro”. O cadastro estava vinculado ao usuário principal do advogado.
O pedido ocorreu cerca de um mês depois do início formal da Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025. A proximidade entre o começo da investigação e a solicitação para excluir o registro está entre os elementos examinados pela Polícia Federal.
Fraude no INSS pode superar R$ 6 bilhões
A investigação apura um esquema de descontos associativos realizados sem autorização nos benefícios previdenciários de trabalhadores brasileiros. As cobranças eram destinadas a entidades associativas e atingiram aposentados e pensionistas que tiveram valores retirados de seus pagamentos sem terem solicitado os serviços.
O prejuízo estimado supera R$ 6 bilhões e pode chegar a R$ 6,3 bilhões, segundo os cálculos mencionados no material divulgado. O caso envolve recursos que deveriam compor a renda de beneficiários da Previdência Social, muitos dos quais dependem desses pagamentos para cobrir despesas básicas.
As informações também apontam que Letícia Caetano dos Reis está à frente do escritório jurídico de Flávio Bolsonaro em Brasília. Ela é irmã de um contador que permanece preso e que, segundo os investigadores, teria papel central no esquema de fraude contra aposentados e pensionistas. O material disponível, porém, não detalha qual seria a relação entre o escritório, o contador e os registros bancários identificados.
Flávio Bolsonaro nega acusações
A defesa de Willer Tomaz e a equipe de campanha de Flávio Bolsonaro negaram as acusações. O senador classificou as revelações como falsas e afirmou que elas fazem parte de uma perseguição política com objetivos eleitorais.
Flávio também anunciou que pretende recorrer à Justiça em razão da divulgação das informações. Pessoas de seu entorno sustentam que a publicação dos dados busca interferir no resultado da disputa presidencial.
A controvérsia ocorre durante a campanha eleitoral e amplia a atenção sobre as relações entre empresas, operadores financeiros e figuras políticas no Brasil. O caso também coloca em evidência o impacto dos descontos não autorizados sobre aposentados e pensionistas, que tiveram parte de seus benefícios comprometida por cobranças que afirmam não ter solicitado.
Ainda não está esclarecido, com base nas informações divulgadas, se os registros identificados serão incorporados formalmente ao processo principal da Operação Sem Desconto. Também não há comprovação, no material disponível, de que Flávio Bolsonaro tenha participado diretamente do esquema.
O avanço da investigação e os eventuais desdobramentos judiciais deverão esclarecer a origem e a finalidade dos registros bancários. Até lá, as suspeitas precisam ser avaliadas à luz das provas reunidas pelas autoridades, com respeito ao direito de defesa dos envolvidos.



Deixe um comentário