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Fogo destrói estátua da Feiticeira na orla de São Vicente

Símbolo cultural da orla vicentina foi destruído nesta quarta; administração municipal promete apurar o fato e repor a escultura.

Escultura da Feiticeira, criada pelo artista Francisco Telles, antes de ser consumida pelo fogo. Foto: Antonio Ferreira/Seicom/PMSV

São Vicente, SP – Um incêndio destruiu, no início da noite desta quarta-feira (30), a estátua da Feiticeira, instalada sobre a chamada Pedra da Feiticeira, na orla da Praia do Itararé, em São Vicente, no litoral de São Paulo. A escultura, que media cerca de 3,5 metros de altura e era feita em fibra de vidro, ficava na região da Avenida Ayrton Senna e foi rapidamente consumida pelo fogo. Não houve registro de vítimas.

O chamado para o Corpo de Bombeiros foi registrado às 17h53. Para atender à ocorrência na Avenida Ayrton Senna, a corporação mobilizou oito bombeiros e três viaturas do 6º Grupamento de Bombeiros (GB). Antes da intervenção dos militares, pessoas e banhistas que estavam nas proximidades tentaram ajudar a conter as chamas. O fogo, no entanto, tomou rapidamente a estrutura e gerou uma densa coluna de fumaça escura pela orla, cena registrada em vídeos gravados por populares e divulgada em redes sociais.

As equipes dos bombeiros conseguiram controlar as chamas utilizando a água de um caminhão de combate a incêndio. De acordo com a corporação, o motivo pelo qual o incêndio começou ainda é desconhecido e não há confirmação sobre a origem do fogo. Após a extinção das chamas e a garantia de que o local foi deixado em total segurança, o policiamento de área regional foi acionado para a adoção das medidas e procedimentos administrativos cabíveis. A Guarda Civil Municipal (GCM) também participou do atendimento da ocorrência e se deslocou até a delegacia de polícia da cidade.

A escultura destruída era uma obra criada pelo artista plástico Francisco Telles, que morreu em 2016. A Pedra da Feiticeira compõe a paisagem da orla do Itararé e o monumento funcionava como ponto turístico de referência para moradores e frequentadores. A obra representava a personagem de uma lenda tradicional que batizou a formação rochosa: a história de uma mulher misteriosa que costumava passar as noites sobre as pedras, em um trecho conhecido como “Cama da Velha”. Segundo a tradição local, ela havia se apaixonado por um marinheiro português que viajou prometendo voltar, mas nunca regressou. Ao avistar uma embarcação no horizonte marítimo, a mulher acreditou reconhecer o companheiro, entrou na água para tentar alcançá-lo e morreu afogada. Anos mais tarde, a lenda passou a ser materializada pela estátua sobre as pedras.

O prefeito de São Vicente, Kayo Amado, visitou o ponto atingido durante a noite. Em pronunciamento veiculado na legenda de um vídeo gravado no local e publicado nas redes sociais, o chefe do Executivo manifestou indignação: “Queimaram a estátua da Feiticeira. Inacreditável”. Amado ressaltou o empenho em apurar responsabilidades e declarou: “Tudo o que a gente tiver de imagem, a gente vai pegar”. Sobre o sentimento diante da perda para o patrimônio da cidade, completou: “Estou bravo também, estou irritado. Todo o mundo está. Não tem como ser diferente”.

Kayo Amado confirmou que a administração municipal vai reunir todo o material gravado pelas câmeras do sistema de monitoramento da orla para investigar o caso e subsidiar a apuração policial. Conforme declaração dada ao G1, o prefeito detalhou: “A GCM já atendeu a ocorrência, foi para o DP e fez boletim de ocorrência”. O chefe do Executivo municipal informou ainda que a prefeitura pretende substituir a obra danificada: “A gente vai correr atrás, vai ver quanto custa e vai buscar fazer a estátua nova para colocar aqui, porque a cidade merece manter viva as suas tradições”.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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