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Foz intensifica ações contra dengue e amplia Método Wolbachia 

Método Wolbachia avança em 28 bairros e cobrirá 100% do território enquanto vistorias e atividades escolares alertam moradores.

Foz do Iguaçu, PR – O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Foz do Iguaçu reforçou as operações de combate e prevenção à dengue em todas as regiões da cidade. Mesmo com o baixo índice de contágio atual e sem nenhum óbito registrado pela doença nos últimos dois anos, as equipes técnicas intensificaram as vistorias nos imóveis, o trabalho educativo nas escolas e os mutirões de limpeza para conter a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus.

Dados do Boletim Epidemiológico da Dengue, divulgado nesta terça-feira (22), apontam que o município contabiliza 44 casos confirmados da enfermidade em 2026. Ao todo, foram registradas 3.892 notificações e 3.710 diagnósticos descartados. O levantamento confirma que não há mortes por dengue em Foz do Iguaçu em 2026 e 2025. Quanto às demais arboviroses, a Vigilância Epidemiológica soma duas confirmações e 139 suspeitas de chikungunya, além de nenhuma ocorrência de zika vírus neste ano.

O perfil epidemiológico dos infectados por dengue revela que 63,6% dos diagnósticos atingem pessoas do sexo feminino e 36,4% do sexo masculino. A faixa etária entre 20 e 29 anos concentra a maior fatia dos registros. Na divisão territorial, o Distrito Sanitário Norte lidera o número de contágios na cidade, com 15 confirmações.

Como parte da rotina de fiscalização, agentes do CCZ devidamente identificados percorrem residências e comércios para eliminar recipientes com água parada e orientar moradores. Paralelamente, o trabalho preventivo abrange a rede municipal de ensino, onde atividades didáticas e lúdicas sobre o combate às arboviroses já alcançaram 9.683 alunos em salas de aula.

A coordenadora técnica da Vigilância Ambiental, Renata Defante Lopes, alertou que a atenção das equipes precisou ser redobrada por causa dos efeitos do fenômeno El Niño. As alterações climáticas impulsionadas pelo evento provocam aumento simultâneo de chuvas e temperaturas na região de fronteira, cenário propício para a rápida reprodução do vetor.

Outra frente de combate é a ampliação do Método Wolbachia, gerido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Wolbito do Brasil, em parceria com o Ministério da Saúde, a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná e a Itaipu Binacional. Iniciada em agosto, a segunda etapa de soltura de mosquitos com a bactéria Wolbachia — que impede o desenvolvimento do vírus dentro do inseto — abrange 28 bairros. Quando esta fase for concluída, a tecnologia biológica cobrirá 100% da área urbana do município.

As iniciativas de campo ganharam o reforço de mutirões de zeladoria coordenados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Na Região Nordeste de Foz do Iguaçu, onde os trabalhos de recolhimento de resíduos começaram em 16 de setembro e seguem até o final desta semana, equipes operacionais executam serviços de roçada, retirada de galhos e limpeza de terrenos públicos. Para evitar que descarte irregular vire foco do mosquito, foram instaladas cerca de 40 caçambas gratuitas nos bairros para a população descartar móveis velhos, entulhos e sobras de construção.

Melody Piñon

Jornalista formada pela Universidade de Holguín (Cuba), atualmente cursando Filosofia na UNILA. Experiência em redação, edição e produção de conteúdo para imprensa escrita, rádio e televisão. Apaixonada pelo jornalismo investigativo, com interesse nas áreas social e econômica.

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