Español Português
AGORA

CCZ orienta sobre prevenção da esporotricose

A cidade registrou 461 casos da doença em animais e 111 em humanos até o fim de agosto; principal recomendação é evitar o acesso dos gatos à rua

Quanto mais tempo o animal fica sem diagnóstico e tratamento, maior é a exposição dos tutores e outros animais que convivem no mesmo ambiente. Foto: Divulgação.

Foz do Iguaçu, PR – O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) orienta tutores sobre os cuidados necessários para prevenir casos de esporotricose em gatos e reduzir o risco de transmissão para pessoas. A doença é uma zoonose causada por fungo e pode provocar lesões na pele dos animais e também afetar seres humanos.

A principal recomendação do CCZ é manter os gatos dentro de casa e impedir o acesso às ruas, onde eles podem entrar em contato com animais infectados. Também é importante procurar atendimento veterinário ao identificar sinais da doença.

A esporotricose pode provocar feridas que não cicatrizam, lesões pelo corpo, ruídos respiratórios, espirros e deformidades na região do nariz. O médico-veterinário do CCZ, Carlos Santi, orienta que os tutores procurem atendimento assim que identificarem os sintomas.

“O morador deve entrar em contato com o CCZ. Nós vamos agendar uma data para atender o animal, seja em domicílio ou no CCZ, sempre mediante prévio agendamento.”

O primeiro caso de esporotricose diagnosticado em Foz do Iguaçu ocorreu em 2019. Desde então, o número de registros aumentou de forma significativa. Neste ano, até o final de agosto, foram notificados 461 casos em animais e 111 em humanos.

Como ocorre a transmissão

A principal forma de transmissão da esporotricose entre gatos ocorre pelo contato com animais infectados, especialmente durante brigas. Arranhões e mordidas podem provocar a entrada do fungo no organismo.

Por isso, o CCZ reforça a importância de impedir que os gatos tenham acesso às ruas, quintais, telhados e outros imóveis onde possam entrar em contato com animais infectados.

“O gato infectado pode transmitir a doença para outros gatos da casa e também para as pessoas com as quais convive. Além das brigas, a transmissão pode ocorrer também por meio do compartilhamento de utensílios, como deitar na mesma caminha ou comer no mesmo pote de comida”, comenta Santi.

O contato com secreções do animal e com superfícies contaminadas também pode representar risco, principalmente quando a pessoa possui pequenos ferimentos na pele.

“A principal forma de transmissão para os humanos é por meio de arranhaduras e mordeduras, às vezes até nas interações e brincadeiras, mas existe também a possibilidade de contaminação quando a pessoa apresenta previamente um machucado na mão, um corte, uma picada de inseto ou mesmo uma cutícula que tirou, pois essas são portas de entrada para o fungo. Ou se a pessoa tem contato com o animal ou com seus utensílios, sem proteção (luvas), e coloca a mão no olho ou na boca, por exemplo, acaba tendo o risco de se infectar”, explica o médico-veterinário.

Prevenção e tratamento

Segundo o CCZ, existem medicamentos capazes de tratar a esporotricose, mas a prevenção está principalmente relacionada ao controle do acesso dos gatos ao ambiente externo.

“É preciso que sejam feitas adequações físicas nos imóveis para que os gatos não saiam. O gato deve ficar em uma parte do imóvel onde ele não tenha acesso à rua e outros animais não adentrem. À noite, se a pessoa não quer deixar o animal dentro de casa, pode mantê-lo em um gatil ou nesse espaço que tenha em casa onde ele possa ficar isolado. O importante é que o animal não saia para a rua, não fique solto no quintal desassistido ou suba no telhado, porque é dessa forma que ele vai encontrar outros animais doentes e vai acabar pegando a doença”, afirma Santi.

A corretora de imóveis Ariana Guerin conhece de perto os riscos da doença. Ela resgatou um gato com uma lesão na região do olho e levou o animal ao veterinário. O diagnóstico apontou esporotricose.

Ariana iniciou o tratamento do animal e, durante os cuidados, também contraiu a doença. Ela precisou realizar tratamento durante seis meses pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Depois de um período sem obter resultado com o tratamento do animal, Ariana procurou ajuda do CCZ.

“Eles vieram aqui em casa e a gente começou a fazer o tratamento com o Adelino. Estou bem feliz com o atendimento deles, com a prontidão, com a rapidez que eles vieram aqui”, afirma.

O CCZ alerta que quanto mais cedo o animal for diagnosticado, menores são os riscos de transmissão para outros gatos e para as pessoas. O tratamento deve ser iniciado somente após consulta com médico-veterinário, particular ou do CCZ.

A orientação é evitar a falta de acompanhamento especializado e o uso indiscriminado de medicamentos, que podem gerar resistência e impedir que o tratamento produza o efeito esperado.

O CCZ oferece atendimento, diagnóstico e orienta sobre os cuidados necessários com animais infectados. O contato pode ser feito pelos telefones (45) 2105-8730 e (45) 9 9997-4448 (WhatsApp).

Steve Rodríguez

*Steve Rodríguez é repórter do Fronteira Livre, pesquisador e doutorando pela UNILA com formação interdisciplinar em narrativa audiovisual, estudos culturais latino-americanos e práticas pedagógicas anticoloniais. Sua trajetória combina criação artística (teatro, cinema e cultura visual) com reflexão teórica, orientada pela perspectiva dos estudos visuais de Nicholas Mirzoeff.

Receba notícias no WhatsApp do Fronteira LivreReceba notícias no WhatsApp do Fronteira Livre

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *