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Foz recebe festival pelo 400 anos das Missões Jesuíticas

Evento será realizado nos dias 7 e 8 de novembro, no Mercado Público Barrageiro, e reunirá representantes do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai

Foto: Divulgação.

Foz do Iguaçu, PR – será palco, nos dias 7 e 8 de novembro de 2026, de uma programação especial em celebração aos 400 anos da Missão Jesuítica Santa María del Iguazú, marco histórico relacionado à formação cultural da região das Três Fronteiras. O evento será realizado no Mercado Público Barrageiro e reunirá pesquisadores, artistas, músicos, representantes religiosos, lideranças indígenas, universidades, gestores públicos e comunidades ligadas ao patrimônio missioneiro.

A programação, organizada pela ABRAJET-PR (Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo do Paraná), propõe transformar a celebração dos quatro séculos em uma iniciativa de valorização da memória e da identidade dos povos, aproximando Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai por meio da história, cultura, música, gastronomia e turismo.

O Festival Missioneiro integra Foz do Iguaçu ao movimento relacionado aos 30 Povos Missioneiros, destacando o legado artístico, espiritual e cultural do chamado Barroco Jesuítico-Guarani e aproximando territórios que compartilham uma história que atravessa fronteiras.

Uma história que atravessa quatro séculos

Fundada em 1626, na região trinacional, a Missão Jesuítica Santa María del Iguazú integra um capítulo da história da América do Sul relacionado às reduções jesuíticas. Sua trajetória dialoga com outras missões, entre elas San Nicolau do Piratini e São Francisco Xavier, no Rio Grande do Sul.

Para o pesquisador, escritor e jornalista Jackson Lima, mentor da proposta de transformar os 400 anos da missão em uma celebração em Foz do Iguaçu, a data representa uma oportunidade de tratar a história também como patrimônio cultural vivo.

“Celebrar os 400 anos de Santa María del Iguazú é muito mais do que lembrar uma data. É reconhecer uma história que pertence a toda a região e que ainda está presente na nossa cultura, na música, na espiritualidade, na gastronomia e na identidade dos povos das Três Fronteiras.”

Segundo Lima, a proposta também busca ampliar o conhecimento sobre esse patrimônio entre as novas gerações e fortalecer sua presença nas áreas de cultura, educação e turismo.

“Queremos transformar a memória missioneira em uma ponte entre passado, presente e futuro. Foz do Iguaçu tem uma oportunidade extraordinária de assumir esse protagonismo e mostrar ao mundo que o patrimônio missioneiro continua vivo e pode aproximar povos, gerar conhecimento e fortalecer o turismo cultural.”

Cultura, gastronomia e experiências missioneiras

Durante os dois dias do Festival Missioneiro, o público poderá acompanhar uma programação multicultural inspirada no universo das Missões. A Feira Cultural e Gastronômica Missioneira reunirá artesanato tradicional indígena, produtos dos territórios dos 30 Povos Missioneiros, gastronomia típica dos quatro países e manifestações artísticas relacionadas às Missões Jesuíticas.

Também estão previstas exposições de instrumentos barrocos, peças artísticas inspiradas na cultura missioneira e espaços interativos dedicados à história e ao patrimônio.

A programação artística contará com apresentações de grupos de dança tradicional do Brasil, Argentina e Paraguai, corais comunitários e religiosos, intervenções musicais barroco-guaranis, espetáculos temáticos e performances inspiradas na cultura jesuítico-guarani.

A proposta é aproximar o público da história e da cultura missioneira por meio de diferentes experiências culturais.

Seminário internacional debate o patrimônio missioneiro

Outro eixo da programação será um Seminário Internacional sobre as Missões Jesuíticas, com a participação prevista de pesquisadores, historiadores, arqueólogos, gestores públicos, lideranças indígenas, representantes religiosos, universidades e instituições culturais.

Entre os temas previstos estão a história das Missões Jesuíticas, turismo cultural e religioso, patrimônio histórico, espiritualidade e identidade missioneira, preservação da memória e desenvolvimento regional por meio do turismo cultural. A iniciativa também pretende promover o debate sobre formas de utilizar o patrimônio histórico em ações de educação, integração regional e desenvolvimento sustentável.

Música barroca jesuítico-guarani terá apresentações em Foz

Um dos momentos da celebração será a apresentação da Orquestra Barroco-Jesuíta, projeto que deverá reunir músicos eruditos convidados, artistas locais, músicos indígenas e coral missioneiro.

A proposta prevê levar a música para além do palco principal, com apresentações em espaços e atrativos turísticos que tenham conexão histórica, cultural ou simbólica com a região.

A iniciativa busca integrar patrimônio, natureza, música e história, ampliando as possibilidades de experiências culturais em Foz do Iguaçu.

“Apesar de o turismo cultural aparecer mais como motivação combinada do que como um segmento, os viajantes costumam montar roteiros que unem cultura, gastronomia, natureza e lazer. Na região trinacional, os resquícios das Missões Jesuíticas são bastante fortes e podem ser vistos em hotéis, atrativos e destinos”, afirma a presidente da ABRAJET-PR, Silvana Canal.

Patrimônio que atravessa fronteiras

A presença jesuítica deixou marcas na formação cultural da região. Arquitetura, música, espiritualidade, costumes, artesanato e formas de organização social integram um patrimônio presente nos territórios relacionados ao universo missioneiro.

A celebração dos 400 anos também pretende fortalecer a integração entre os países e estimular novas conexões entre destinos, roteiros e comunidades. A expectativa dos organizadores é ampliar a visibilidade de Foz do Iguaçu nos segmentos de turismo histórico, cultural e religioso, criando possibilidades para roteiros e experiências que complementem os tradicionais atrativos de natureza do destino.

Turismo, cultura e economia criativa

Além do aspecto histórico, a iniciativa pretende explorar o potencial econômico do patrimônio cultural. A circulação de visitantes durante o evento poderá movimentar setores como hotelaria, gastronomia, comércio, transporte, artesanato, cultura e serviços. A proposta é que a programação ultrapasse os dias do evento e contribua para novas ações de educação patrimonial, pesquisa, produção cultural e desenvolvimento de produtos turísticos relacionados à história missioneira.

Entre os objetivos estão a valorização do patrimônio histórico, artístico e espiritual das Missões Jesuíticas, o fortalecimento do turismo cultural e religioso, a integração entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o estímulo a ações educativas, o incentivo à economia criativa e a ampliação de Foz do Iguaçu como destino internacional de turismo histórico-cultural.

Ao completar quatro séculos, a Missão Jesuítica Santa María del Iguazú será tema de uma programação que busca aproximar novas gerações da história e do patrimônio cultural compartilhado pelos territórios das Três Fronteiras.

Cultura, turismo e parcerias

A celebração dos 400 anos da Missão Jesuítica Santa María del Iguazú é realizada pela ABRAJET-PR (Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo do Paraná). A iniciativa conta com patrocínio do Fundo Iguassu e busca fortalecer o segmento histórico-cultural como parte das possibilidades de desenvolvimento turístico regional.

O encontro também tem apoio do Itaipu Parquetec, Circuito Cultural, Mercado Público Barrageiro e Itaipu Binacional. Segundo a organização, a articulação entre instituições públicas, privadas e entidades de comunicação contribui para ampliar a visibilidade da programação e fortalecer ações relacionadas à identidade cultural da região trinacional.

Foto: Divulgação.

Serviço

Celebração dos 400 anos da Missão Jesuítica Santa María del Iguazú.
Data: 7 e 8 de novembro de 2026.
Local: Mercado Público Barrageiro – Foz do Iguaçu (PR).

Steve Rodríguez

*Steve Rodríguez é repórter do Fronteira Livre, pesquisador e doutorando pela UNILA com formação interdisciplinar em narrativa audiovisual, estudos culturais latino-americanos e práticas pedagógicas anticoloniais. Sua trajetória combina criação artística (teatro, cinema e cultura visual) com reflexão teórica, orientada pela perspectiva dos estudos visuais de Nicholas Mirzoeff.

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