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PANORÂMICA DA FRONTEIRA

Foto: Steve Rodríguez.

Foz do Iguaçu, PR – Hoje trazemos esta fotografia do entardecer na Tríplice Fronteira (Paraguai-Brasil-Argentina). Esta narrativa visual foi registrada a partir do Marco das Três Fronteiras, do lado argentino, ao final desta tarde chuvosa de sexta-feira, e traz como reflexão um questionamento sobre a integração vivenciada neste território tão diverso social e culturalmente.

No romance Os rios profundos (1958), de José María Arguedas, o protagonista, Ernesto, expressa: “Toquei as pedras com minhas mãos; segui a linha ondulante, imprevisível, como a dos rios”. Assim como Ernesto enfrenta o muro entre o mundo ocidental e o mundo incaico, nós, que percorremos esta fronteira, descobrimos que aquilo que aparentemente nos separa contém, no fundo, na natureza exuberante e no rio Paraná, uma possibilidade de encontro.


Essas linhas políticas que os Estados propõem, as linhas das migrações, do comércio, das línguas e das memórias abraçam um território de uma geografia humana mais profunda. A fronteira, então, não seria simplesmente uma linha; seria um rio.

Steve Rodríguez

*Steve Rodríguez é repórter do Fronteira Livre, pesquisador e doutorando pela UNILA com formação interdisciplinar em narrativa audiovisual, estudos culturais latino-americanos e práticas pedagógicas anticoloniais. Sua trajetória combina criação artística (teatro, cinema e cultura visual) com reflexão teórica, orientada pela perspectiva dos estudos visuais de Nicholas Mirzoeff.

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