Buenos Aires, Argentina – O presidente argentino Javier Milei e seu ministro da Economia, Luis Caputo, defenderam na terça-feira (25) a criação de uma lei para punir jornalistas que publicarem informações consideradas pelo governo como falsas ou inexatas. As declarações foram feitas no X (antigo Twitter) após a divulgação de duas reportagens por veículos de linha conservadora que apontam suspeitas de conflito de interesse na cúpula da administração federal argentina.
O primeiro ataque partiu diretamente de Milei contra o jornal Clarín. O veículo publicou que o presidente teria feito reuniões econômicas fora da agenda com dois operadores do mercado financeiro: Julián Yosovitch, apresentador do podcast Neura, e Federico Domínguez, integrante do grupo libertário Fundación Faro. Depois que Domínguez negou a reunião nas redes sociais ironizando que a conversa teria sido por “telepatia”, Milei compartilhou a publicação e atacou os repórteres: “Merdas humanas, mentirosas, merdas humanas, depois choram por maus modos… Merdas poderiam começar por não mentir, cagões…”.
Logo em seguida, o ministro Luis Caputo cobrou publicamente uma legislação punitiva para a imprensa. “Parece que, para certos jornalistas, mentir é um direito adquirido. A justiça deve ser feita. Precisamos de uma lei que castigue esse tipo de comportamento”, escreveu Caputo, sem detalhar se a penalidade incluiria prisão ou sanções financeiras. Poucos minutos depois, Milei endossou a postagem com a legenda “desmascarando mentirosos”.
A reação de Caputo teve origem em uma apuração divulgada pelo jornalista Beto Valdez, da Rádio Rivadavia. Valdez revelou que o empresário Julio Made, amigo pessoal de Caputo, conseguiu o controle sobre postos de gasolina no país por meio do Grupo Lenor. Isso ocorreu após o governo retirar essa fiscalização do Instituto Nacional de Tecnologia Industrial (INTI).
Caputo alegou que a acusação era mentirosa porque a medida foi formalizada pelo ministro da Desregulamentação, Federico Sturzenegger. No entanto, Valdez já havia registrado a assinatura de Sturzenegger na medida, mas apontou que relatórios técnicos condenavam a decisão e que causava estranheza o governo insistir em uma manobra que beneficiou diretamente um aliado de Caputo.



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