São Paulo, SP – O senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato de oposição à Presidência da República, defendeu reduzir a maioridade penal para 14 anos no país em situações de crimes hediondos. A declaração ocorreu na quinta-feira durante uma transmissão ao vivo após atividades de campanha na capital paulista.
“Quero a idade penal em 14 anos para crimes hediondos”, afirmou o parlamentar em seu canal no YouTube, onde tratou de economia e segurança pública. Durante a fala, Flávio mencionou a apreensão de cinco adolescentes suspeitos de estuprar duas estudantes de 14 anos dentro de uma escola no Recife, caso noticiado pela CNN Brasil.
“Vocês acham que um marginal desses, de 14 anos, não sabe o que está fazendo? Claro que sabe e raramente fica mais de três anos preso”, disse o senador. Ele estava acompanhado pelo ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e candidato ao Senado, Guilherme Derrite.
A posição manifestada na transmissão é mais rígida do que o plano de governo protocolado por sua equipe na Justiça Eleitoral. O documento oficial prevê reduzir a idade penal geral de 18 para 16 anos, além de aplicar sanções penais a maiores de 14 anos envolvidos em delitos graves, como estupro, tráfico de entorpecentes, tortura e homicídio.
Pela legislação brasileira em vigor, a responsabilidade penal plena começa aos 18 anos. Infratores com idade entre 12 e 17 anos respondem a procedimentos específicos sob as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). As normas preveem medidas socioeducativas, com tempo máximo de internação fixado em unidades especializadas até os 21 anos.
A pauta da segurança pública estrutura o discurso de campanha do parlamentar, que também defende endurecimento de penas para roubo de celulares, abertura de novos presídios e castração química para condenados por pedofilia. No cenário eleitoral, pesquisa recente do instituto Quaest indica empate técnico entre o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em simulações de segundo turno.
Clima de tensão e polarização na Zona Leste
A passagem por São Paulo marcou o primeiro ato de campanha de Flávio no maior colégio eleitoral do país, após a abertura oficial na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. No mercado popular do bairro de São Miguel, na Zona Leste paulistana, a movimentação foi acompanhada de perto pelo prefeito Ricardo Nunes.
Apoiadores vestidos com a camisa da seleção brasileira se concentraram cedo no local, enquanto moradores da periferia organizaram manifestações contrárias. Em uma região onde Lula venceu a disputa eleitoral em 2022, faixas de protesto exibiam a mensagem: “Bolsonaro, Nunes: não queremos vocês em nossas comunidades”.
Separados dos manifestantes por um cordão policial, simpatizantes distribuíram panfletos e empunharam bandeiras. Sob forte calor, o candidato circulou com uma camisa branca sobreposta a um colete à prova de balas, equipamento de proteção adotado desde que seu nome foi confirmado na corrida eleitoral em dezembro.
A primeira parada foi no Armazém Solidário, programa da prefeitura paulistana voltado à venda de alimentos a preços acessíveis para famílias de baixa renda. Flávio indicou a intenção de levar o modelo para o âmbito federal e criticou o governo atual: “Primeiro temos que consertar o desastre que Lula causou. Gasta demais, aumenta os impostos e mexe com a população para arrecadar mais”.
Durante o trajeto, o senador conversou com feirantes, conferiu preços de mercadorias e realizou compras via Pix. No local, uma apoiadora o abordou, dizendo: “Quero te dar um abraço; é como se estivesse abraçando seu pai”. O jovem Miguel, de 14 anos, celebrou após conseguir tirar uma fotografia ao lado do político. Já a enfermeira Katiane Araújo Santos, de 44 anos, que estava acompanhada da filha de 11 anos, declarou seu apoio: “Se quiserem me considerar bolsonarista, não nego, porque é uma pessoa na qual vejo valores familiares, algo que quero transmitir a ela”.



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