Curitiba, PR – A queda nas temperaturas no Paraná marca o início de um período aguardado por aventureiros: a temporada de montanhas. Com o clima mais seco e frio típico do outono e inverno, cresce o número de visitantes em trilhas e picos do Estado — e, com ele, a necessidade de cuidados para que o passeio não termine em acidente.
Dados recentes mostram o avanço do montanhismo nas Unidades de Conservação: a prática cresceu quase 94% nos últimos cinco anos. Só no Pico Paraná, por exemplo, o número de visitantes saltou de 346 em janeiro para mais de 2,3 mil em maio do ano passado. Movimento semelhante foi registrado no Pico do Marumbi e na Serra da Baitaca, três dos destinos mais procurados.
O aumento da presença de turistas exige mais atenção às regras básicas de segurança. Antes de iniciar qualquer trilha, é obrigatório preencher o cadastro na entrada dos parques estaduais. É nesse momento que o visitante informa dados pessoais, contatos de emergência, condições de saúde e nível de experiência — informações que podem ser decisivas em caso de resgate.
Além do registro, há orientações que fazem diferença direta no percurso: evitar trilhas sozinho, levar água e alimentação suficientes, usar roupas adequadas para frio e terreno irregular e portar equipamentos básicos como lanterna e apito. A recomendação é que o passeio seja feito em grupo, com no mínimo três pessoas.
Para quem ainda não tem experiência, a orientação é começar por trilhas mais curtas e, sempre que possível, contar com guias ou pessoas que conheçam o trajeto. Sair das trilhas sinalizadas, prática comum entre visitantes mais inexperientes, aumenta o risco de acidentes e dificulta operações de busca.
Outro ponto crítico é a condição do tempo. A combinação de chuva, vento e baixa visibilidade pode transformar uma trilha simples em situação de risco. Por isso, a recomendação é evitar a subida em dias com previsão de instabilidade.
O desrespeito às normas também tem consequências legais. Somente no primeiro trimestre deste ano, foram aplicadas 29 autuações ambientais nos parques, somando R$ 77 mil em multas, além de notificações de advertência.
O crescimento do montanhismo no Paraná revela uma mudança no comportamento do turismo: mais pessoas buscam experiências na natureza, mas nem sempre com preparo suficiente para lidar com os riscos.
A expansão da visitação exige mais do que orientação — demanda estrutura, fiscalização e consciência coletiva. A montanha não é um parque urbano. Ignorar regras básicas transforma lazer em emergência.
















