Curitiba, PR – Alimentação inadequada, sedentarismo e consumo excessivo de ultraprocessados estão entre os principais fatores que impulsionam o avanço da hipertensão arterial no Brasil. No Paraná, mais de 2,1 milhões de pessoas convivem com a doença, segundo dados recentes da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
O alerta ganha força neste 26 de abril, data que marca o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão. A doença, muitas vezes silenciosa, afeta cerca de 28% da população brasileira e é um dos principais fatores de risco para infarto, AVC e outras complicações graves.
A aferição regular da pressão é o principal caminho para o diagnóstico precoce. A recomendação é que pessoas a partir dos 20 anos realizem o monitoramento ao menos uma vez por ano — ou com maior frequência em casos de histórico familiar.
Embora não tenha cura, a hipertensão pode ser controlada com acompanhamento médico e mudanças no estilo de vida, incluindo alimentação equilibrada, prática de atividades físicas, controle do estresse e redução do consumo de álcool e tabaco.
“A redução do consumo de alimentos ultraprocessados traz grandes benefícios à saúde. O alimento é o pilar da nossa estrutura”, afirma César Neves, secretário estadual da Saúde.
A rede pública de saúde atua no diagnóstico e acompanhamento da doença por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que oferecem aferição, orientação e tratamento. Apenas nos dois primeiros meses de 2026, foram registrados mais de 820 mil atendimentos na Atenção Primária relacionados ao tema.
Além do tratamento, o foco está na prevenção. A estratégia estadual inclui a avaliação do risco cardiovascular, especialmente entre pessoas de 40 a 74 anos, permitindo identificar precocemente casos e reduzir complicações.
“O consumo excessivo de sódio muitas vezes passa despercebido. A recomendação é não ultrapassar 2 gramas por dia”, alerta Viviane Bogasz de Melo, nutricionista da Sesa.
A hipertensão é considerada uma doença multifatorial, influenciada por hábitos alimentares, genética e condições sociais. O consumo elevado de sal, gorduras e produtos ultraprocessados, aliado à falta de atividade física, contribui diretamente para o aumento dos casos.
Outro fator de atenção é a mudança nos parâmetros de classificação da pressão arterial. Valores antes considerados ideais, como 12 por 8, agora já se enquadram como pré-hipertensão, exigindo maior vigilância.
A hipertensão não é apenas uma questão individual — é reflexo de um modelo de vida marcado por alimentação industrializada, rotina acelerada e desigualdade no acesso à saúde.
Falar em prevenção passa, necessariamente, por políticas públicas que garantam acesso à alimentação saudável, espaços para atividade física e informação de qualidade.
Sem isso, a responsabilização recai apenas sobre o indivíduo, enquanto as causas estruturais seguem intocadas.
















