São João das Missões, MG – A distribuição gratuita de comida e bebida na véspera da votação desencadeou uma apuração da Polícia Federal sobre compra de votos no Norte de Minas Gerais. O caso resultou em mandados judiciais cumpridos na manhã de terça-feira (6/10) em endereços de São João das Missões e na cidade vizinha de Januária.
Batizada de Operação Voto Limpo, a ofensiva mira a tentativa de cooptar eleitores por meio de benefícios materiais em uma região marcada por forte vulnerabilidade social. Durante as buscas, os agentes federais apreenderam telefones celulares e cerca de R$ 80 mil em dinheiro vivo, quantia que agora passa por perícia técnica.
A equipe policial e o Ministério Público Eleitoral trabalham para rastrear a origem do dinheiro e identificar os responsáveis por financiar os eventos. Conforme a apuração, os encontros com refeições livres funcionaram como mecanismo para pressionar a comunidade local e captar votos de maneira ilegal às vésperas do pleito.
A prática atinge diretamente o equilíbrio da disputa nas urnas, ao usar a carência da população como moeda de barganha eleitoral. A ação coordenada contou com apoio da Procuradoria Regional Eleitoral e da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), após autorização formal do Tribunal Regional Eleitoral mineiro (TRE-MG).
O inquérito foi instaurado para apurar a ocorrência de corrupção eleitoral, crime que pune quem oferece, promete ou entrega qualquer vantagem para obter votos ou forçar a abstenção. Se as acusações forem confirmadas pela Justiça Eleitoral, os autores podem pegar até quatro anos de prisão, além de arcar com multa e responder por inelegibilidade.



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