quinta-feira, 7 de maio de 2026
NEWSLETTER
Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios
Fronteira Livre
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Home Opinião

Controles e equilíbrios para garantir direitos

A consulta e o Senado

Por Semanário Voz
02/04/2025 - 08:31
em Opinião
Foto Juan Cano, presidencia de la república

Foto Juan Cano, presidencia de la república

WhatsAppFacebookTelegram

Por Pietro Lora Alarcón – Opinião

Há uma estreita relação entre o contexto político e a estrutura jurídica, pois a última tem sua origem na primeira. É por isso que se costuma dizer que as questões jurídico-constitucionais são questões políticas por excelência.

De fato, as constituições, assim como as leis e, em geral, os atos do Estado, trazem em si um julgamento de conveniência e oportunidade política, que retrata o estado atual da luta de classes e as relações de poder entre partidos, correntes ideológicas e forças econômicas e sociais.

A era dos direitos

Após a vitória sobre o fascismo em 1945, o chamado poder constituinte, que incorpora a soberania para redigir e promulgar uma constituição, elaborou projetos que retomaram um acúmulo histórico de conquistas populares.

O jurista liberal Norberto Bobbio chama esse período de “era dos direitos”, porque as constituições incluíam liberdades, direitos sociais originados nas lutas contra o capitalismo selvagem do século XIX e, depois, os direitos da natureza e do consumo.

É justamente dessa enorme carga de direitos que deriva a supremacia das constituições. Bobbio conclui, com razão, que o que realmente importa nessa evolução não é declarar direitos, mas torná-los efetivos.

No entanto, desde 1991, na Colômbia, apesar de a Constituição ter incluído esse acúmulo, existe uma dicotomia entre seu texto e a Constituição real, ou seja, entre seus propósitos e a vida das pessoas. Não basta ter uma Constituição generosa, formalmente considerada suprema, mas é necessário ter a vontade política de colocá-la em prática. Algo que os donos do poder econômico e os setores reacionários do país nunca tiveram.

Poder constituinte

A Constituição determina, a partir de seu preâmbulo, um marco democrático participativo, que ratifica em seu artigo 1º, propondo-se a construir um Estado social de direito, que funcione como uma República unitária e pluralista, fundada no respeito à dignidade humana, ao trabalho, à solidariedade e à prevalência do interesse geral.

Ao consagrar um Estado social, o poder constituinte impôs que os governos têm a obrigação legal de desenvolver ações para reduzir os impactos do modelo econômico que afetam a matriz ética dos direitos: a dignidade humana. Por essa razão, a ação coordenada dos poderes públicos – executivo, legislativo e judiciário – deve ser direcionada para o cumprimento do dever inalienável de solucionar as carências humanas, convertidas em direitos sociais, como a saúde ou o trabalho, consagrados nos artigos 44 e 53 da Constituição.

Isso significa que questões de técnica funcional, como os freios e contrapesos que ocorrem entre esses poderes, inclusive os controles recíprocos entre eles, são instrumentos que devem ser interpretados no sentido de dar máxima efetividade aos direitos dentro do projeto do Estado social.

Consultando o povo

A anomalia histórica de governos que se omitem do dever de garantir os direitos gera um debate sobre a solidez da democracia. A democracia não termina com as eleições. Em 1991, a Assembleia Constituinte enfatizou a necessidade de ir além da mera representação política por meio de consultas populares para combater a corrupção e o clientelismo.

Assim, o artigo 104 da Constituição determina que o presidente, com a assinatura dos ministros e um parecer favorável do Senado da República, pode consultar o povo sobre decisões de importância nacional, que serão obrigatórias.

A Lei 134/94 descreve a estrutura das consultas e afirma que a pergunta deve ser “redigida de forma clara, de modo que possa ser respondida pelo povo com um Sim ou um Não”. Ela também estipula que o Senado deve receber o texto que pergunta ao povo, a justificativa e a data, a fim de emitir um parecer favorável. Trata-se claramente de um controle prévio do Senado sobre a consulta, que deve ser examinado em termos de suas possibilidades e limites.

Por sua vez, o Tribunal Constitucional, no Acórdão T445/2016, afirmou que a decisão, por ser vinculante, “gera uma norma jurídica” e, portanto, está sujeita ao seu controle posterior, a fim de resguardar a supremacia da Constituição.

Com essa configuração, a questão que se coloca é: o Senado tem poderes para dar parecer desfavorável à convocação, frustrando a possibilidade de uma decisão popular sobre projetos de interesse nacional, mesmo quando estão em jogo direitos sociais, e especialmente quando foi o mesmo órgão que condenou o projeto original?

Controle prévio

Controlar a constitucionalidade é defender a supremacia constitucional, o que pode ser feito preventivamente ou após a edição de uma norma. A questão mistura freios e contrapesos, parte instrumental da questão, com a efetividade dos direitos, que é o objetivo e a esperança de uma sociedade que precisa de uma constituição real e não apenas formal.

O Tribunal assume que realiza o controle ex-post. O Senado tem um controle prévio, verificando se os requisitos constitucionais e legais para a consulta foram observados. Não cabe ao Senado fazer um julgamento sobre os méritos da consulta. Entrar ali significa desequilibrar os freios e contrapesos, interferir no poder presidencial, submeter o executivo a seu julgamento unilateral. Seu conceito, no sistema e à luz dos fatos, é constitucionalmente limitado à forma.

As questões constitucionais não são apenas jurídicas, mas políticas e, portanto, a mobilização popular é necessária para tornar real uma constituição, que é um instrumento para avançar em direção a transformações mais profundas.

 

_____

*Pietro Lora Alarcón é professor, consultor jurídico, parecerista e advogado no campo do Direito Público e dos Direitos Humanos, formado pela Universidad Libre de Colombia em 1991. É Mestre e Doutor em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

____________________________________________

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor (a) e não necessariamente reflete a nossa política editorial. O Fronteira Livre adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

 

Voz La Verdad del Pueblo
https://semanariovoz.com/

 

 

Tags: opiniãosemanario voz
Semanário Voz

Semanário Voz

Órgão Central do Partido Comunista Colombiano

Notícias relacionadas

Pertencimento simbólico substitui direitos concretos. A/Fronteira Livre.
Opinião

Quando o mercado transforma trabalhadores em “colaboradores” sem dividir o lucro

01/05/2026 - 18:08

Por Amilton Farias - Opinião Não foi só o jeito de falar dentro das empresas que mudou — foi a...

Muitos que se consideram anti-guerra parecem incapazes de assumir uma posição moral clara sobre as ações dos EUA e de "israel" no Sul Global sem inserir qualificações. (Fotos: Wikimedia. Design: Palestine Chronicle)
Opinião

Quando vozes anti-guerra falam a linguagem do império

28/04/2026 - 16:41

Ao "equilibrar" sua condenação, essas vozes neutralizam sua própria posição. Sugerem, intencionalmente ou não, uma forma de equivalência moral: a...

Cravos nos fuzis simbolizaram a união entre povo e militares na queda da ditadura. Foto: Reprodução/Internet.
Opinião

O gesto de uma trabalhadora sindicalista que transformou armas em símbolo de liberdade

27/04/2026 - 18:07

*Por Amilton Farias – Opinião A Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974, marcou o fim de quase...

Suprema Corte de Justiça do Paraguai - Foto: Reprodução.
Opinião

A máfia judicial no Paraguai

20/04/2026 - 08:51

*Por Rafael Portillo – Opinião A sociedade paraguaia estruturou, no período pós-ditadura militar (1989), um sistema judicial que deveria servir como...

Sindicato aponta vitória e defende nova condução da pasta. Foto: Christian Rizzi/CMFI
Opinião

Educadores de Foz consideram exoneração de secretária da Educação como vitória

18/04/2026 - 14:14

*Por Amilton Farias – Opinião A exoneração da secretária municipal de Educação, Silvana Garcia André, oficializada em 16 de abril,...

João Bustavo Bersch é advogado eleitoralista e pós-graduado em Direito Administrativo. Foto: Divulgação.
Opinião

Código do eleitor: a nova resolução do TSE para as eleições de 2026

17/04/2026 - 16:44

*Por João Gustavo Bersch – Opinião As normas eleitorais brasileiras sempre foram organizadas, em grande parte, para disciplinar a atuação...

Carregar mais

Rolê na Fronteira

  • Rolê na Fronteira
Foto: Divulgação.
Rolê na Fronteira

Crazy Week 2026 terá esquema especial e ruas fechadas em Ciudad del Este

Por Steve Rodríguez
06/05/2026 - 11:53

Ciudad del Este, PY - Ciudad del Este se prepara para quatro dias de intenso movimento comercial com a realização...

Ler mais
Participação é aberta e o tema dos personagens é livre. Foto: Divulgação/Sesc.

Sesc Foz promove concurso de cosplay com premiação e entrada gratuita

05/05/2026 - 10:29
Espetáculo Magic reúne acrobacias e interação com o público. Foto: Complexo Dreams Park Show.

Shows de rock movimentam feriado do Dia do Trabalhador no Dreams Park Show, em Foz do Iguaçu

30/04/2026 - 16:37
Carregar mais

Últimas Notícias

Reajuste médio de 19,2% da energia elétrica gerou debate no Paraná. Créditos: Divulgação/Assessoria Parlamentar.
Notícias

Deputada Ana Júlia questiona ANEEL sobre aumento da tarifa da Copel no Paraná

Por Amilton Farias
06/05/2026 - 20:45

Curitiba (PR) — A deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT) protocolou questionamentos formais à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)...

Passeio de trem pela Serra do Mar integra roteiro da experiência turística. Foto: Viaje Paraná

Turismo do Paraná aposta em experiência imersiva com agentes de viagem

06/05/2026 - 20:29
Declaração deve incluir receitas e despesas da atividade rural. Foto: Sistema Faep.

Prazo para produtor rural declarar termina em 29 de maio

06/05/2026 - 12:56
Foto: Receita Federal.

Receita Federal apreende R$ 500 mil em cigarros eletrônicos na fronteira

06/05/2026 - 12:03
Foto: Divulgação.

Lojas francas fortalecem economia de Foz e indústria brasileira

06/05/2026 - 11:43
Foto: Polícia Federal.

PF, Receita e PM apreendem cerca de 2 mil celulares em Foz do Iguaçu

06/05/2026 - 11:31

EDITORIAS

  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios

RECENTES

Deputada Ana Júlia questiona ANEEL sobre aumento da tarifa da Copel no Paraná

Turismo do Paraná aposta em experiência imersiva com agentes de viagem

Cadillac Records revela como músicos negros criaram o rock’n’roll nos EUA

Prazo para produtor rural declarar termina em 29 de maio

MAIS LIDAS DA SEMANA

A loba e o molho latino

Quando o mercado transforma trabalhadores em “colaboradores” sem dividir o lucro

Clássico do cinema brasileiro expõe as contradições dos trabalhadores em tempos de crise

Ato do 1º de Maio em Foz do Iguaçu leva trabalhadores às ruas contra a jornada 6×1

Portal Fronteira Livre - Criação Web Tchê Digital

  • Política de privacidade
  • Contato
  • Midia Kit
  • Sobre o Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios

Portal Fronteira Livre - Criação Web Tchê Digital

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist