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Home Opinião

E se o avô de Trump tentasse migrar hoje? O ICE o deportaria em minutos

Por Amilton Farias
17/06/2025 - 19:04
em Opinião
Imagem Cortesia / Capa da Stalin Magazine.

Imagem Cortesia / Capa da Stalin Magazine.

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Por Stalin Vladimir Centeno – Opinião

Antes que o sobrenome Trump se tornasse um emblema de arranha-céus dourados, discursos de ódio e muros fronteiriços, houve um jovem chamado Friedrich. Nasceu em 1869 em Kallstadt, uma pequena cidade vinícola na região do Palatinado, que naquela época fazia parte do Reino da Baviera, na Alemanha. Não era filho da riqueza nem da nobreza. Era, como tantos outros, um rapaz alemão que aspirava a escapar da estreiteza rural do século XIX para buscar sorte no continente do futuro: a América.

Aos 16 anos, Friedrich fez o que milhões de europeus faziam naquela época: emigrou para os Estados Unidos. Não tinha capital, nem conexões, nem privilégios. Tinha juventude, tinha fome de prosperar, e tinha uma decisão: abandonar sua terra natal e cruzar o Atlântico, como tantos outros que seriam estigmatizados um século depois por seu próprio neto.

Friedrich Trump foi um migrante. Foi com todas as letras. Chegou a Nova York em 1885 e começou de baixo, como barbeiro no Bronx. Não tardou a compreender que o caminho para a riqueza não era um ofício, mas o faro para os negócios à margem do sistema. Em plena febre do ouro, mudou-se para Seattle e depois para o norte do Canadá, onde estabeleceu tavernas, saloons e hotéis nas zonas de mineração de Yukón. Alguns registros sugerem que seus estabelecimentos ofereciam mais que comida e cama: também mulheres, álcool, jogo e prazer.

O jovem migrante se tornou um empresário oportunista, capaz de capitalizar o caos e o desejo. Não foi um empreendedor modelo, mas sim um sobrevivente de uma economia selvagem. Enriqueceu rápido, e com esse dinheiro regressou à Alemanha para buscar esposa. No entanto, quando quis se estabelecer novamente em sua cidade natal, as autoridades bávaras lhe negaram o direito de viver ali: ele havia evitado o serviço militar, e havia abandonado o país sem permissão. Rejeitado por sua pátria, Friedrich teve que voltar para os Estados Unidos.

A história de Friedrich é mais comum que extraordinária. É a história de um emigrante rejeitado por um país e tolerado por outro, de um homem que nunca imaginou que seu sobrenome um dia seria sinônimo de poder. Em 1905 nasceu seu filho Fred, que por sua vez seria o pai de Donald Trump. Friedrich morreu em 1918, vítima da gripe espanhola.

E, mais de um século depois, seu neto seria Presidente dos Estados Unidos, símbolo de um discurso anti migrante, arquiteto de muros, perseguidor de sonhos alheios. Ironias do destino: o homem que mais desumanizou os migrantes na história recente de seu país é neto direto de um migrante que foi humilhado, foi expulso, também sonhou com um novo começo.

Há apenas alguns dias, o recém-eleito primeiro-ministro da Alemanha visitou Washington e, em um gesto diplomático carregado de simbolismo, entregou ao Presidente Donald Trump uma cópia da certidão de nascimento de seu avô Friedrich. Fez isso com luva branca, mas com clareza histórica: para recordar ao Presidente que seu sobrenome também nasceu do exílio.

Contar a história de Friedrich Trump é um dever moral. Porque desmonta a narrativa racista que quis pintar o migrante como ameaça. Porque evidência que até mesmo os impérios pessoais mais arrogantes se erguem sobre a travessia de um exilado. E, porque, em tempos de muros, é preciso recordar sempre quem foram os que cruzaram o mar primeiro.

Hoje, enquanto a cidade de Los Angeles arde em batidas, enquanto a Guarda Nacional empurra crianças migrantes contra o pavimento e as ruas se enchem de gritos, enquanto se ameaça lançar os fuzileiros navais para varrer aqueles que só buscam viver, de alguma parte do silêncio eterno, Friedrich Trump se revira em sua tumba. O velho migrante que uma vez foi rejeitado, humilhado e obrigado a sair de sua terra, não pode descansar vendo seu neto transformado em carrasco dos seus. Não há muro que tape a vergonha, nem discurso que justifique o horror. De sua sepultura, Friedrich parece murmurar o que já não pode dizer: “Nunca esqueça de onde viemos, Donald. Não traia seu sangue.“

___

*Stalin Vladimir Centeno é jornalista em Nicarágua

____________________________________________

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor (a) e não reflete necessariamente a nossa política editorial. O Fronteira Livre adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência

 

Texto traduzido do https://www.canal4.com.ni/

Tags: opinião
Amilton Farias

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre

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