Seis anos após o rompimento da barragem de Córrego do Feijão, da mineradora Vale, em Brumadinho (MG), que resultou na morte de 270 pessoas, Minas Gerais conta com 43 barragens em nível de alerta ou emergência, conforme dados da Agência Nacional de Mineração (ANM). Este número representa 42% do total de barragens nessa situação em todo o Brasil, que soma 102.
As barragens em risco estão distribuídas em 19 municípios, principalmente na Região Central do estado. O cenário inclui:
- 15 barragens em alerta: anomalias detectadas que não representam risco imediato, mas que precisam ser monitoradas.
- 22 barragens em emergência 1: com risco alto.
- 4 barragens em emergência 2: com anomalias não controladas.
- 2 barragens em emergência 3: ruptura inevitável ou em andamento.
As estruturas mais críticas são a Forquilha III, da Vale, em Ouro Preto, e a Serra Azul, da ArcelorMittal, em Itatiaiuçu. A primeira armazena 19,4 milhões de m³ de rejeitos e a segunda, 5,02 milhões, ambas construídas pelo método a montante, similar às que colapsaram em Brumadinho e Mariana.
“Barragens e pilhas de rejeito representam nossa maior preocupação, especialmente com as chuvas extremas que não têm o dimensionamento adequado para suportá-las,” afirmou um especialista em conflitos ambientais da mineração.
Após as tragédias, a construção de barragens a montante foi proibida no Brasil. A lei federal 14.066, de 2020, estabeleceu um prazo até 25 de fevereiro de 2022 para a descaracterização dessas estruturas, prazo que não foi cumprido. Até agora, 19 barragens foram descaracterizadas em Minas Gerais, e 35 ainda estão em processo, incluindo as duas em maior emergência.
Tragédia de Brumadinho
A barragem da Vale se rompeu em 25 de janeiro de 2019, despejando 12 milhões de m³ de rejeito em áreas da empresa, comunidades e no Rio Paraopeba. Desde então, 270 vidas foram perdidas, e três pessoas continuam desaparecidas.
O Corpo de Bombeiros mantém as buscas pelas vítimas não encontradas, utilizando tecnologia de inteligência artificial para auxiliar na inspeção de materiais recolhidos. “Estamos atentos a cada detalhe durante as buscas. O objetivo é encontrar as três pessoas desaparecidas,” afirmou o major João Paulo Ferroni.
Desde o rompimento, 1.045 segmentos humanos foram localizados, com 20 identificados em 2024. As investigações sobre a tragédia levaram à denúncia de 18 pessoas e duas empresas, incluindo a Vale e a Tüv Süd, por homicídio qualificado e crimes ambientais.
A Vale afirmou que respeita as famílias afetadas e está comprometida com a reparação dos danos. A mineradora também informou que o projeto de engenharia para a descaracterização da barragem Forquilha III foi protocolado e as obras devem iniciar em breve. Já a ArcelorMittal destacou que a barragem Serra Azul está desativada e sob monitoramento constante, sem receber rejeitos desde 2012.
















