Curitiba (PR) — A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia marca uma mudança imediata no cenário das exportações do agronegócio paranaense. O tratado reduz e elimina tarifas para milhares de produtos e amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores.
Já no início da vigência, quase 5 mil produtos brasileiros passam a entrar no mercado europeu com tarifa zerada, incluindo café solúvel, óleos vegetais e frutas. Outros itens estratégicos, como carne bovina, frango e açúcar, passam a operar com redução tarifária dentro de cotas anuais de exportação, que serão ampliadas progressivamente ao longo de seis anos.
As cotas estabelecem limites para o volume exportado com benefício tarifário. Para a carne de frango, o teto chega a 180 mil toneladas por ano. Já para a carne bovina, o limite previsto é de 99 mil toneladas dentro do bloco.
Maior produtor e exportador de frango do Brasil, o Paraná entra nesse novo cenário com vantagem competitiva. A estrutura produtiva, a logística consolidada e o reconhecimento sanitário internacional colocam o Estado em posição estratégica dentro do Mercosul.
Desde 2021, o Paraná é reconhecido como área livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), condição que amplia a confiança internacional sobre a qualidade da produção.
“Esse status representa uma garantia da qualidade das carnes paranaenses. A capacidade de produção e o padrão sanitário colocam o Paraná em posição estratégica para ampliar sua presença no mercado europeu”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
Os dados mais recentes reforçam esse movimento. Em 2025, o Paraná exportou 4,2 milhões de toneladas de produtos agropecuários para a União Europeia, gerando receita superior a US$ 2 bilhões, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. A pauta inclui carnes, soja, milho, café, frutas e hortaliças.
Exigências ambientais e sanitárias passam a ser determinantes
A abertura de mercado vem acompanhada de regras mais rigorosas. O acordo estabelece exigências ambientais, sanitárias e de rastreabilidade que passam a ser condição para acesso ao mercado europeu.
A adequação a esses critérios exige mudanças em parte da produção, especialmente no que envolve certificações, controle de origem e práticas sustentáveis. Esse processo tende a impactar os custos no curto prazo.
“É preciso garantir políticas públicas que permitam ao produtor cumprir essas exigências sem comprometer sua atividade. Linhas de crédito e programas de apoio serão fundamentais nesse processo”, afirma Meneguette.
O tratado entre Mercosul e União Europeia é resultado de 26 anos de negociações e estabelece uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Apesar da entrada em vigor em caráter provisório, o acordo ainda depende da ratificação pelos parlamentos dos países europeus.
O texto também passa por análise jurídica na União Europeia, enquanto enfrenta resistência política em países como França, Áustria, Hungria e Irlanda.
















