China entrega navio de GNL com tecnologia própria e avança na disputa global da indústria naval

Embarcação de grande porte foi construída sem tecnologia estrangeira e reposiciona país no setor

- Ning Yuan Dian Kun, navio da China (Foto: Xinhua)

Pequim (China) — A China deu mais um passo na disputa tecnológica global ao entregar o primeiro navio de grande porte para transporte de gás natural liquefeito (GNL) totalmente projetado e construído com tecnologia nacional. A embarcação, batizada de Georgetown, marca a entrada do país em um segmento historicamente dominado por empresas da Coreia do Sul e do Japão.

Com 298,8 metros de comprimento e 48 metros de largura, o navio integra uma nova geração de projetos navais desenvolvidos internamente, sem dependência de tecnologia estrangeira. O feito reposiciona a indústria chinesa em um dos setores mais complexos da engenharia naval.

O transporte de GNL exige soluções técnicas avançadas. O combustível precisa ser mantido a temperaturas próximas de -162°C, o que demanda sistemas de armazenamento criogênico e alto nível de isolamento térmico — tecnologias que, até recentemente, dependiam de licenças e desenvolvimento europeu.

O Georgetown incorpora um sistema de propulsão dual fuel, capaz de operar tanto com gás natural liquefeito quanto com combustíveis tradicionais. A tecnologia reduz emissões de dióxido de carbono e outros poluentes, acompanhando a pressão internacional por maior eficiência energética no transporte marítimo.

A entrada da China nesse nicho ocorre em um momento de expansão do mercado global de GNL. A Agência Internacional de Energia projeta crescimento contínuo do comércio do insumo ao longo da década, impulsionado pela busca por alternativas energéticas e pela diversificação das matrizes de consumo.

Dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento indicam que o país já responde por mais de 50% da construção naval mundial em volume. Ainda assim, segmentos mais complexos, como o transporte de gás liquefeito, permaneciam concentrados em grandes estaleiros sul-coreanos, como a Hyundai Heavy Industries.

Com cinco estaleiros já aptos a produzir embarcações desse tipo, a China amplia sua presença no setor e avança sobre áreas de maior valor tecnológico. A China State Shipbuilding Corporation lidera esse processo de expansão industrial.

O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla do governo chinês. O programa Made in China 2025, lançado em 2015, estabelece metas para transformar o país em líder global em manufatura avançada, com foco em setores estratégicos como energia, transporte e indústria naval.

A entrega do Georgetown sinaliza uma mudança de posição: de participante dominante em volume para competidor direto em tecnologia e inovação dentro da indústria marítima global.

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