Seleção e tradução de Dauli Baja
Não é possível separar o renovado interesse dos Estados Unidos na Faixa de Gaza de uma verdade fundamental, frequentemente ocultada pelo discurso político: Gaza não é apenas um território devastado, mas abriga vastas riquezas naturais e estratégicas que, há décadas, os palestinos são impedidos de explorar.
No centro dessas riquezas está o gás natural. O campo Gaza Marine situa-se a cerca de 30 quilômetros da costa, com reservas estimadas entre 1 e 1,4 trilhão de pés cúbicos (30–35 bilhões de metros cúbicos), além de indícios da existência de outros campos, como Noa. Esses volumes seriam suficientes para transformar Gaza de um território sitiado em uma fonte regional de energia, o que explica a busca permanente por seu controle ou neutralização política.
Além do gás, estimativas indicam a presença de reservas de petróleo na Faixa de Gaza avaliadas em aproximadamente 1,5 bilhão de barris, com um valor de mercado próximo de 114 bilhões de dólares aos preços atuais, tornando o território um alvo econômico altamente atraente em qualquer equação energética regional.
Também não é menor a importância da riqueza pesqueira: Gaza possui uma faixa costeira de 41 quilômetros, com uma produção anual estimada em cerca de 5.000 toneladas, além de recursos agrícolas, áreas férteis e 325 sítios arqueológicos que refletem a profundidade histórica de Gaza e seu potencial turístico futuro.
Entretanto, o bloqueio israelense e o controle total das fronteiras terrestres e marítimas impedem a exploração dessas riquezas, mantendo o povo palestino privado de seus próprios recursos. Assim, Gaza é transformada, no discurso norte-americano — especialmente durante a era Trump — de uma causa de libertação e direitos em uma oportunidade de investimento administrada à margem do direito internacional, a serviço dos interesses de hegemonia e energia, e não da justiça e da legalidade.
Texto original publicado no https://palestinalivre.com.br/
















