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Home Geral

Sepultadores sob pressão

Por Amilton Farias
25/06/2020 - 10:33
em Geral
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

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Tem gente que só valoriza a gente nessa hora de pandemia’, diz sepultador na zona leste de São Paulo

Com aumento no volume de trabalho por causa da Covid-19, trabalhadores de cemitérios de São Paulo relatam como têm sido os últimos meses na capital. Em parte, há quem veja valorização no trabalho, no entanto, muitos relatam aumento no preconceito contra quem atua no serviço funerário

Cova aberta, caixão e lágrimas de familiares fazem parte da rotina de trabalho de James Alan Gomes, morador de Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo. Ele é um dos mais de 400 sepultadores que atuam nos cemitérios municipais da capital.

James trabalha com o enterro de moradores de São Paulo há mais de cinco anos, em uma profissão que o preconceito também é uma das marcas.

“Tem gente que valoriza hoje, ao ver que nosso trabalho aumentou, mas tem outros que evitam chegar perto da gente por achar que estamos contaminados”, diz sobre o aumento dos enterros por causa da Covid-19.

A doença já vitimou 4.241 pessoas até 1º de junho – outros 4.000 óbitos ainda estão em investigação se foram causados pela enfermidade, o que aumentaria para 8.000.

Em quarentena

A gravidade da situação tem modificado a vida de trabalhadores que atuam nos cemitérios, caso dos sepultadores.

Na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo, Geraldo dos Santos* diz que sempre sofreu preconceito por trabalhar em cemitérios, mas com a pandemia, a situação piorou. “Sempre teve comentário e tal, agora então, está mais ainda”, resume.

Além do preconceito fora dos cemitérios, a quantidade de trabalho tem sido um desafio extra para esses trabalhadores. “A rotina está difícil devido ao aumento de sepultamentos, isso se torna um pouco mais cansativo para nós”, comenta James. “A gente sempre teve uma rotina agitada, mas com a Covid-19, aumentou”.

O agente sepultador trabalha no maior cemitério da América Latina, o Vila Formosa, na zona leste da capital. Por conta do aumento na demanda, 8.000 novas valas foram abertas no local.

Segundo a prefeitura, no cemitério da Vila Nova Cachoeirinha foram abertas cerca de 2.000 valas e no São Luís, na zona sul, são cerca de 3.000 novos espaços. Outra modificação foi a capacidade de enterros, ampliada para 400 por dia – uma alta de 66% na média diária. De acordo com a média histórica são 240 sepultamentos no verão e 300 no inverno.

Um caixão é das partes mais cuidadosas do processo, segundo os sepultadores – Foto: Léu Britto/Agência MuralCarregar

Rotina

Na rotina, James também sente a percepção das famílias que perderam entes queridos nesse momento. Além da tristeza, ouve muitos comentários de quem lamenta a falta de cuidado dos familiares com a doença. “Ouço aqui de muitas [famílias] que eles faleceram porque não levaram a sério essa pandemia”, completa.

Para o sepultador, o dia mais triste para ele foi quando reviu um pai, que há duas semanas atrás havia enterrado a filha de nove meses. Depois, voltou para enterrar a esposa.

O trabalho dele gera receio pelo medo da doença. “Por mais que utilizamos os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), por um descuido podemos nos contaminar”, comenta. Por outro lado, ele diz perceber o medo das famílias, já que muitas não se aproximam das valas e deixam que os agentes terminem o processo de enterro.

Familiares deixam as últimas homenagens aos parentes – Foto: Léu Britto/Agência Mural

Perda 

Entre as vítimas, está a tia do autônomo Ronaldo Cavalcante, 43, morador do Jardim Real, no Grajaú, na zona sul de São Paulo. Vítima da doença aos 81 anos, ela morreu depois de 11 dias com o vírus.

O sobrinho relata que o diagnóstico demorou a aparecer. “Ela já era de idade e tinha problemas de saúde. Passou mal e foi ao hospital. Lá, não viram nada diferente e ela voltou para casa. Depois ela piorou e foi para outro hospital, onde viram que ela estava infectada”, lembrou.

Para ele, a situação fica ainda mais dolorosa com as novas medidas de proteção para os enterros. “A pessoa ficou sem poder receber visitas. Depois, isso tudo é difícil à família”, relata.

Sepultador do Vila Formosa. Cemitério é o maior da cidade – Foto: Léu Britto/Agência Mural

Na cidade de São Paulo, o serviço funerário adotou medidas restritivas como acesso às salas de velório, limitado ao número máximo de 10 pessoas. A duração de uma hora, com objetivo de evitar aglomerações e a disseminação do novo coronavírus também foi outra medida.

Desde 30 de março, as vítimas de Covid-19 ou suspeitas são envolvidas em um saco plástico impermeável, colocado ainda no hospital, com objetivo de dar maior segurança para sepultadores, motoristas e demais servidores que possam ter acesso aos corpos.

Ainda triste com a morte da tia, Ronaldo diz que ainda vê descrença das pessoas na gravidade da doença. “As pessoas não estão acreditando muito, mas eu falo para acreditar, se precaver, ouvir as orientações e seguir”, indica. “Isso é bem sério. Agora, por exemplo, vai ter que fazer exame no resto da família para ver se não contaminou alguém”.

Categoria sepultador

A epidemia obrigou a prefeitura a aumentar o número de profissionais de forma emergencial. Na primeira semana de abril, 220 funcionários terceirizados passaram a atuar nos cemitérios.

De acordo com o Sindesp (Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo) a cidade tinha menos sepultadores do que o necessário. Eram cerca de 200, quando na realidade, o ideal seria, no mínimo, 350. Com a pandemia, o número foi ultrapassado com a contratação de terceirizados.

O último concurso municipal para a categoria foi há nove anos, sendo que, desde então, muitos se aposentaram. O último aumento salarial foi em 2013.

Em São Paulo, para trabalhar como sepultador é necessário prestar concurso público, sendo necessário ter, ao mínimo, ensino fundamental. A prova tem 50 questões, com perguntas de matemática, português e conhecimentos gerais, como história e geografia. O salário inicial varia de R$ 775 a R$ 1.100, e pode chegar a R$ 1.500.

Morador de São Miguel Paulista, extremo leste da cidade, Manoel Noberto Pereira trabalha como agente sepultador e também dirige o Sindsep (Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo).

Com a pandemia, ele diz que a principal demanda da categoria é a sobrevivência ‘diante de um vírus truculento e que está nos levando a ser o país com o segundo maior número de contaminações e mortes’.

Depois disso, ele diz que os equipamentos de segurança, como avental, luvas e máscaras são essenciais. “A nossa maior preocupação são com os equipamentos de segurança para poder dar essa assistência à população. De certo que com o plano de contingenciamento do prefeito, houve mudanças na perspectiva do trabalho e foram colocadas mais 13 mil novas sepulturas nos cemitérios do município para ficarem abertas”, comenta.

Para ele, a situação na cidade foi vista com urgência devido ao tratamento em outros países da América do Sul. Um dos exemplos é o Equador, onde, em abril, alguns corpos de mortos pela Covid-19 ficaram espalhados nas ruas até que fossem recolhidos. “As pessoas estavam morrendo nas ruas, nas casas”, acrescenta Manoel.

Guayaquil, a cidade mais atingida pelo novo coronavírus, recebeu caixões de papelão para tentar responder ao aumento da demanda provocada pela pandemia, confirmou a Associação de Papeleiros do país.

Manoel diz que a mobilização dos sindicatos foi importantes para que os equipamentos fossem entregues pelo poder público e diz que o preconceito sobre a profissão aumentou nas últimas semanas. “O preconceito conosco é antigo, mas voltou a ser mais força com o obscurantismo e a falta de informação da população sobre o nosso trabalho”, define.

* O nome foi alterado à pedido do entrevistado

Cena dos cemitérios na pandemia – Relato: Três cemitérios.

Ao longo das últimas semanas, o fotógrafo e correspondente do Jardim São Luis, Léu Britto, esteve em três cemitérios da capital e fala um pouco do clima do trabalho dos sepultadores e, também, das famílias que perderam entes queridos por conta da Covid-19:

“Queríamos apurar como está sendo a carga de trabalho para os sepultadores e como as famílias das periferias estão lidando com a perda dos seus entes queridos, por conta da Covid-19.

Decidimos mapear três dos principais cemitérios nas periferias (da Vila Formosa, na zona leste, São Luis, na zona sul, e da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte).

Em cada um, pude presenciar situações distintas. No cemitério da Vila Formosa, o maior da América Latina, o número de sepultamentos é muito grande. Cheguei às 9h e sai às 15h e foram enterradas 55 pessoas que morreram por causa da Covid-19. O sentimento dos familiares era bem difícil, porque é uma morte repentina.

Me chocou bastante ver mães que enterraram seus filhos. Desses 55, oito a dez eram de jovens com idades por volta dos 16 anos. Uma das mães disse que falou para o filho para ele não ir para a rua, que a situação de contaminação era séria e que poderia afetar qualquer um. Lamentou por não ele ter ouvido os conselhos dela. 

Na Vila Nova Cachoeirinha, havia quatro quadras para pessoas vítimas de Covid-19 e elas já estavam todas preenchidas. Ele é um dos principais cemitérios da zona norte.

No cemitério do São Luís, a paisagem mudou muito. Tinha muita área verde que não estava sendo usada para covas e agora mudou totalmente.

Vi de 15 a 20 sepultamento por conta da Covid-19. Uma família que vinha do jardim Miriam, na zona sul, havia perdido uma familiar idosa. Ela testou positivo para Covid-19 apenas no segundo hospital em que fez teste depois de sentir falta de ar. Os familiares, contudo, apontam a doença de chagas como principal causa.

Apesar de estarem abrindo muitas covas, os sepultadores me contaram que há uma parte que eles estão exumando muito mais corpos para dar mais espaços de Covid-19. Esse é um pouco dessa situação difícil e tenebrosa que é a relação com a morte precoce, por conta desse vírus da Covid-19″.

Por Lucas Veloso / Léu Britto / Paulo Talarico / Agencia Mural

Tags: Geral
Amilton Farias

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre

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