Por Marco Roberto de Souza Albuquerque
Considerações inspiradas no vídeo “Guerra às Drogas”, episódio do programa Greg News, do canal HBO.
A Guerra às Drogas é uma estratégia falida, e há décadas: meu Deus, décadas!
Far-se-lo-á explicar, infra, com método: acompanhe-se o arrazoado; não se estenderá demasiado.
Qual é o princípio da Guerra contra as Drogas? É o mesmo da tributação de fumígenos à base de tabaco: desestímulo ao consumo por meio do aumento de preços.
No caso da Guerra às Drogas, o aumento adviria da repressão: diminuição da oferta por meio da apreensão das substâncias ilegalizadas e da prisão dos agentes envolvidos no circuito econômico dos psicoativos.
Contudo, ao contrário das expectativas teóricas — as apreensões e as prisões nunca redundaram senão no aumento exponencial do contingente de custodiados (mormente dos integrantes de comunidades com limitado acesso ao sistema social de oportunidades) e na capilarização da corrupção no aparato repressivo (cuja imiscuição chega aos altos escalões da República).
Feita uma “apreensão recorde” desta ou daquela substância, o preço no varejo não sofre nenhuma inflação; ainda quando se logra subtrair ao mercado ilegal o maior montante de drogas na história até então — não há nenhuma crise de desabastecimento no varejo ilícito de psicoativos.
A superação dos graves problemas sociais articulados à toxicodependência — criem-se, desenvolvam-se políticas públicas para torná-la exequível: investimento em pesquisas científicas acerca da relação entre a fisiologia cerebral e o consumo de psicoativos; incentivo ao desenvolvimento de terapias mais eficientes quanto à especificidade da toxicodependência; e fomento à criação de novos medicamentos psicotrópicos, cujos princípios ativos possam alcançar efeitos mais alvissareiros ante a sintomatologia de casos graves de drogadição.
Se se quer oferecer uma diretriz governamental que atenda aos que sofrem por conta do abuso no consumo de psicoativos — quer legais, quer ilegais –, que se invista em ciência, tecnologia e saúde pública. Deixemos a beligerância e o emprego da força para a defesa da soberania do país sobre seu território e sobre suas riquezas naturais.
E isso quando a diplomacia e a política internacional não forem bastantes.
_______________________________________
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor (a) e não refletem necessariamente a política editorial do Fronteira Livre
















