quinta-feira, 7 de maio de 2026
NEWSLETTER
Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios
Fronteira Livre
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Home Geral

Os waiãpi afiam suas flechas contra invasores na Amazônia

Por Amilton Farias
03/09/2017 - 19:18
em Geral
Homem waiãpi exibe arco e flecha - Foto: Divulgação

Homem waiãpi exibe arco e flecha - Foto: Divulgação

WhatsAppFacebookTelegram

No Amapá, indígenas temem avanço da exploração mineral. Vereador pede resposta pela política

Eles aparecem silenciosamente, aparentemente do nada: uma dúzia de figuras, nuas, exceto pelas tangas vermelho vivo, bloqueando a estrada de terra. São os waiãpi, antiga tribo que vive na Amazônia brasileira, que agora teme a invasão de empresas mineradoras internacionais.

  • Receba notícias pelo WhatsApp
  • Receba notícias pelo Telegram

Conduzindo os repórteres da AFP para um pequeno assentamento de cabanas de palha escondidas entre folhagens, os membros da tribo pintados com tinta vermelha e preta se comprometem a defender seu território. E brandem arcos de dois metros e flechas para reforçar suas palavras.

“Nós continuaremos lutando”, diz Tapayona Waiãpi, de 36 anos, no assentamento chamado Pinoty. “Quando as empresas vierem, continuaremos resistindo. Se o governo brasileiro enviar soldados para matar pessoas, continuaremos resistindo até o último de nós estar morto.”

A reserva indígena Waiãpi fica em uma floresta preservada perto do extremo leste do Rio Amazonas. Ela faz parte de uma zona de conservação muito maior, a Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), que cobre uma área do tamanho da Suíça.

Cercada de rios e árvores altas, a tribo funciona quase inteiramente de acordo com suas próprias leis, com um modo de vida às vezes mais próximo da Idade da Pedra do que do século XXI. No entanto, o Brasil moderno fica a poucas horas de carro.

E agora, o governo federal está pressionando para abrir a Renca a mineradoras internacionais que cobiçam os ricos depósitos de ouro e outros metais escondidos sob a vegetação.

Em agosto, o presidente Michel Temer decretou o fim das restrições à mineração na Renca, provocando uma onda de protestos de ambientalistas e celebridades, como Leonardo DiCaprio e Gisele Bündchen.

Temer voltou atrás em setembro. No entanto, os waiãpi, que foram quase aniquilados por doenças após serem descobertos por forasteiros na década de 1970, continuam aterrorizados. A floresta tropical “é a base da nossa sobrevivência”, diz Moi Waiãpi, de 35 anos, outro habitante de Pinoty.

A estrada

A estrada de terra é a única rota para o território Waiãpi. Pinoty, onde algumas dúzias de pessoas dormem em redes sob tetos de palha e sem paredes em volta, é a primeira aldeia – a fronteira.

Para chegar aqui é preciso obter uma série de autorizações e, em seguida, fazer uma viagem de duas horas em terreno irregular, a partir da pequena cidade de Pedra Branca do Amapari. A capital do estado do Amapá, Macapá, uma das mais remotas do País, fica a horas de distância.

Quando se chega a Pinoty e se avista a placa do governo que diz “Terra Protegida”, já se está longe do sinal de celular, da rede elétrica, do último posto de gasolina e de muitas leis nacionais.

Nessa zona remota, os waiãpi contam com escassa proteção contra as poderosas forças que empurram, há décadas, a indústria e o agronegócio cada vez mais para dentro da Amazônia, com o objetivo de tornar o Brasil uma superpotência exportadora de commodities.

A própria estrada é um monumento a essas ambições. A construção da BR-210, conhecida como Perimetral Norte, começou durante a ditadura civil-militar (1964-1985) com o objetivo de ligar o Brasil à Venezuela. O financiamento fracassou e a construção foi interrompida na década de 1970, deixando a estrada abandonada na selva profunda, a mais de 1,1 mil quilômetros do objetivo pretendido.

Porém, mesmo inacabado, o projeto faraônico mantém uma presença ameaçadora. Embora a circulação de carros por ali seja baixíssima, a estrada que leva a lugar nenhum é notavelmente bem conservada.

Calibi Waiãpi, outro membro da tribo, acredita que o governo espera um dia ressuscitar aquele sonho de uma via através do território selvagem. “Haveria carros, caminhões, violência, drogas, assaltos. A cultura mudaria. Os jovens iriam querer celulares, roupas, computadores”, diz o homem de 57 anos. “Se um monte de homens brancos viessem, seria o fim.”

Flechas para Temer

Os mais ousados ameaçam reagir com violência a qualquer tentativa de invasão. “Se Temer chegar aqui, em qualquer lugar perto de mim, é isso que ele vai ganhar”, diz Tapayona Waiãpi, brandindo uma longa flecha com ponta de madeira afiada.

Embora os waiãpi tenham espingardas para caçar desde o primeiro contato com o governo, na década de 1970, eles ainda usam flechas, que são envenenadas. “Estas são as nossas armas para que não sejamos dependentes de armas não indígenas”, disse Aka’upotye Waiãpi, de 43 anos, na aldeia Manilha, enquanto esculpe um novo arco.

Mas a demonstração de força dos membros das tribos, um dos quais balançava um porrete em forma de machado de madeira, era, sobretudo, bravata. Há apenas cerca de 1,2 mil indígenas waiãpi, espalhados pelas aldeias acessíveis a pé ou por rio. Eles mal podem monitorar, e muito menos proteger, seu território. Em maio deste ano, uma mina ilegal foi descoberta e fechada a menos de 2 quilômetros ao sul de Pinoty.

Jawaruwa Waiãpi, 31 anos, diz que métodos como lutar ou mesmo fugir para a floresta não funcionam mais. No ano passado ele foi eleito para a Câmara de vereadores de Pedra Branca do Amapari (Rede-AP), tornando-se o primeiro membro de sua tribo a ocupar um cargo político. Ele diz que a persuasão pacífica é o único caminho viável agora.

“Temos outro caminho, outra estratégia, que é participar na vida política”, afirma. “Hoje, não temos de lutar com flechas ou bordunas. Temos de lutar através do conhecimento, através da política, da nossa união… Esta é a nossa nova arma.”

Tags: Geral
Amilton Farias

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre

Notícias relacionadas

Polícia Rodoviária Federal deu apoio à operação.
Ministério do Trabalho / Divulgação
Colunistas

MTE resgata trabalhadores indígenas em condições análogas à escravidão na Serra Gaúcha

09/02/2025 - 15:43

Uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resultou no resgate de 18 trabalhadores indígenas em condições análogas à...

Foto: Reprodução
Colunistas

13 meninas dão à luz por dia no Paraguai; no Brasil, são 26

08/02/2025 - 14:21

Um boletim da Coordenadoria pelos Direitos da Infância e Adolescência (CDIA) revela a grave situação enfrentada por milhares de meninas...

A māe Williana de Odé, posa para foto em seu terreiro Ilê Axé Ojú Igbô Odé.
— Joédson Alves/Agência Brasil
Colunistas

Estudo revela violações contra povos de terreiro no Brasil

22/01/2025 - 17:32

Um novo relatório, intitulado "Violações contra os povos de terreiro e suas formas de luta", foi lançado pelo grupo de...

Foto: Arquivo/Agência Brasil
Colunistas

Brasil avança na redução da pobreza entre crianças e adolescentes

19/01/2025 - 13:32

Um estudo divulgado nesta quinta-feira (16) pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) revela que o Brasil conseguiu...

Foto: Arquivo e Memória MS
Colunistas

Pistoleiros atacam assentamento Olga Benário, do MST, deixando dois mortos e seis feridos

11/01/2025 - 17:17

Na noite de 10 de janeiro, o Assentamento Olga Benário, localizado em Tremembé, São Paulo, foi alvo de um ataque...

Foto: Divulgação/Médicos Sem Fronteiras
Colunistas

Médicos Sem Fronteiras suspende atividades no Hospital Universitário Bashair em Cartum

11/01/2025 - 17:02

Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou a suspensão de suas atividades no Hospital Universitário Bashair, em Cartum, devido a ataques violentos...

Carregar mais

Rolê na Fronteira

  • Rolê na Fronteira
Foto: Divulgação.
Rolê na Fronteira

Crazy Week 2026 terá esquema especial e ruas fechadas em Ciudad del Este

Por Steve Rodríguez
06/05/2026 - 11:53

Ciudad del Este, PY - Ciudad del Este se prepara para quatro dias de intenso movimento comercial com a realização...

Ler mais
Participação é aberta e o tema dos personagens é livre. Foto: Divulgação/Sesc.

Sesc Foz promove concurso de cosplay com premiação e entrada gratuita

05/05/2026 - 10:29
Espetáculo Magic reúne acrobacias e interação com o público. Foto: Complexo Dreams Park Show.

Shows de rock movimentam feriado do Dia do Trabalhador no Dreams Park Show, em Foz do Iguaçu

30/04/2026 - 16:37
Carregar mais

Últimas Notícias

Reajuste médio de 19,2% da energia elétrica gerou debate no Paraná. Créditos: Divulgação/Assessoria Parlamentar.
Notícias

Deputada Ana Júlia questiona ANEEL sobre aumento da tarifa da Copel no Paraná

Por Amilton Farias
06/05/2026 - 20:45

Curitiba (PR) — A deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT) protocolou questionamentos formais à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)...

Passeio de trem pela Serra do Mar integra roteiro da experiência turística. Foto: Viaje Paraná

Turismo do Paraná aposta em experiência imersiva com agentes de viagem

06/05/2026 - 20:29
Declaração deve incluir receitas e despesas da atividade rural. Foto: Sistema Faep.

Prazo para produtor rural declarar termina em 29 de maio

06/05/2026 - 12:56
Foto: Receita Federal.

Receita Federal apreende R$ 500 mil em cigarros eletrônicos na fronteira

06/05/2026 - 12:03
Foto: Divulgação.

Lojas francas fortalecem economia de Foz e indústria brasileira

06/05/2026 - 11:43
Foto: Polícia Federal.

PF, Receita e PM apreendem cerca de 2 mil celulares em Foz do Iguaçu

06/05/2026 - 11:31

EDITORIAS

  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios

RECENTES

Deputada Ana Júlia questiona ANEEL sobre aumento da tarifa da Copel no Paraná

Turismo do Paraná aposta em experiência imersiva com agentes de viagem

Cadillac Records revela como músicos negros criaram o rock’n’roll nos EUA

Prazo para produtor rural declarar termina em 29 de maio

MAIS LIDAS DA SEMANA

A loba e o molho latino

Quando o mercado transforma trabalhadores em “colaboradores” sem dividir o lucro

Clássico do cinema brasileiro expõe as contradições dos trabalhadores em tempos de crise

Ato do 1º de Maio em Foz do Iguaçu leva trabalhadores às ruas contra a jornada 6×1

Portal Fronteira Livre - Criação Web Tchê Digital

  • Política de privacidade
  • Contato
  • Midia Kit
  • Sobre o Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios

Portal Fronteira Livre - Criação Web Tchê Digital

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist