A torcida Palmeiras Antifascista repudia fortemente a divulgação das imagens em que o deputado federal Jair Messias Bolsonaro aparece com a camisa do Palmeiras, de forma a enaltecê-lo ou dar valor positivo ao fato dele se dizer “palmeirense”.
É preciso deixar claro nossa repulsa a qualquer torcedor, palmeirense ou não, que se identifique com as idéias defendidas por Bolsonaro. Os inúmeros compartilhamentos e apoio ao político fascista nos mostra que há uma longa luta para a erradicação da opressão dos estádios.
Bolsonaro representa hoje o que há de mais atrasado e reacionário na política brasileira. Abertamente defensor da volta da Ditadura Militar, esse filho do conservadorismo já foi à público incentivar a violência contra as mulheres e homossexuais, além do preconceito racial.
Todos nós, como palmeirenses antifascistas, devemos nos manifestar publicamente contra qualquer associação de Bolsonaro ao nosso clube de coração.
Como uma torcida organizada politicamente, nossa luta é para livrar as arquibancadas e as ruas de todo sentimento fascista, racista, machista, xenófobo, homofóbico e transfóbico.
Apesar de aparecer em fotografias usando uma camisa do Palmeiras, Bolsonaro jamais poderá ser considerado um torcedor palmeirense, visto que nunca teve qualquer peso em nossas arquibancadas.
Oportunismo e elitização do futebol
Como outros políticos fascistas antes dele, Bolsonaro tenta se utilizar do futebol para se aproximar das camadas populares. Ele já está em campanha eleitoral para 2018 e utiliza-se do bom momento da equipe palestrina para dar mais uma força a sua popularidade
No entanto, em hipótese alguma, ele faz parte de nosso universo, o dos torcedores que realmente importam para o Palmeiras: aqueles que sempre acompanham e dedicam suas vidas ao clube.
O oportunismo de Bolsonaro se liga diretamente ao processo de elitização do futebol brasileiro e do Palmeiras. Os pobres estão sendo expulsos dos estádios, através dos preços exorbitantes, e com isso seus lugares têm sido invadidos por esse tipo de gente…
Torcedores favorecidos economicamente, que nunca se dedicaram ao clube de verdade. Filhos da elite reacionária, eles são consumidores que infestam nossas arquibancadas. É preciso lutar contra isso e retomar nossos lugares de protagonistas no futebol.
Bolsonaro: um problema de todas as torcidas
Infelizmente, nas últimas eleições Bolsonaro foi o deputado federal do estado do Rio de Janeiro mais votado, com quase 500 mil votos. Sem dúvida nenhuma, seu eleitorado é composto por diversas torcidas de diversos clubes desse país.
É por isso, que convocamos todas as torcidas antifascistas a boicotarem e se pronunciarem publicamente contra a associação de Bolsonaro ao futebol, um esporte que desde seu início está ligado à classe trabalhadora e que somente a nós pertence.
Uma arquibancada livre do fascismo e de qualquer forma de opressão passa necessariamente pela nossa organização e nossa capacidade de luta. É preciso que expulsemos todos os fascistas do campo e das ruas.
Vamos fazer com que eles sintam medo e que voltem para seus buracos, como vermes que são.
Com o fascismo não se discute, combate-se!
Bolsonaro não nos representa e jamais representará a história do Palmeiras. O nosso clube foi fundado por funcionários das fábricas Matarazzo, agregando grande parte da classe trabalhadora de São Paulo, dentro e fora das colônias italianas.
Entre estes trabalhadores está João Amazonas, um palmeirense de verdade. Figura histórica da esquerda brasileira, João Amazonas foi secretário geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e um dos líderes da guerrilha do Araguaia – importante levante armado contra a Ditadura Militar.
João dizia que era palmeirense, porque o Palmeiras é o time do operariado. Ele também ajudou a organizar o Clássico Vermelho, em que Palmeiras e Corinthians entraram em campo em um jogo beneficente com o objetivo de arrecadar fundos para o PCB em 1945.
Também é preciso que reafirmemos o caráter de João Amazonas na torcida palmeirense. Ele tem um papel muito importante na nossa história e devemos reviver os tempos de engajamento político, por um Palmeiras democrático e livre de preconceitos.
É por isso que reafirmamos:
Vamos chutar o fascismo pra fora das arquibancadas…
Fora Bolsonaro! Seu lugar não é no meu Palmeiras!
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