Por Marco Roberto de Souza Albuquerque – Opinião
Considerações a propósito do vídeo “500 mil mortes no encontro da crueldade com a estupidez”, do canal Fala, M.R.
Há muito sobre o que pensar, falar, discutir — e escrever.
No mês em que o Brasil completava um ano desde o primeiro óbito por Covid-19 — ocorreu, no Alasca (dias 18 e 19), o primeiro encontro das Conversações entre a China e os Estados.
Rodada tensa: de ambos os lados, representantes diplomáticos experientes; na pauta, interesses comerciais da ordem de centenas de bilhões de dólares; e, como geoestratégia — alfinetadas, de parte a parte, nos pontos sensíveis da política interna de cada uma das potências à mesa.
À guisa de um desdobramento das tratativas com os chineses — aliás, ásperas e árduas — Joe Biden engata dois compromissos de alto escalão: na Bélgica, uma reunião da OTAN (dia catorze passado); e, na Inglaterra, um encontro do G7 (no último fim de semana).
Como se vê, o mundo não parou com a pandemia: pelo contrário — não obstante as mortes e outros pesares — nossa espécie, agora globalizada, continua na mesma faina dos tempos de Dario e Alexandre, de Sargon e Nabucodonosor — isto é, bater-se entre a ambição e a sobrevivência.
Mas, e o Brasil?
Nosso país está num atoleiro: temos um presidente da República que investe na desgovernança e no caos com vistas a permanecer no Poder.
Como não governa — aliás, essa nunca foi sua pretensão — ele gasta seu tempo, e nossos impostos, em tocar seu “Movimento permanente”. Seu foco são seus seguidores: calcula-se que, correspondendo a vinte, trinta por cento do eleitorado — eles somem uns dez, quinze milhões de habitantes.
É com essa gente, constituída, grosso modo, de uma sorte de borra social — uma escumalha de ressentimento, ignorância e violência –, que Bolsonaro conta para dar seu golpe.
É por isso que ele não perde a oportunidade de incitar seus adeptos à quebra da ordem institucional.
Sua meta é a sublevação dos seus apoiadores: para tanto é preciso alimentar, entre os seus sequazes, a insatisfação, a mania persecutória e outras pulsões que possam fazer dar o primeiro soco, soar o primeiro tiro — para que então estoure a balbúrdia, o quebra-quebra.
Claro está que, ainda que consiga dar um golpe, ele não sustentará o novo regime: no tabuleiro geopolítico, uma das armas do G7 contra a China e a Rússia é justamente a agenda pela democratização na política interna dessas duas potências emergentes. É óbvio que não se daria apoio à disrupção do Estado democrático de direito no país mais estratégico da América Latina.
Contudo, como Bolsonaro está à frente de um projeto fascista de poder, a tendência é que ele siga a trajetória de seus célebres antecessores: não importam cenários nem tendências — mesmo que o fim de seu “Movimento permanente” se assemelhe ao que se viu na Alemanha de Hitler e na Itália de Mussolini.
É ingênuo supor que, ante as evidências em contrário a seus desígnios, Bolsonaro vá reconsiderar; o presidente, como todo fascista, trilha uma vereda suicidária: no encalço do Poder, ele caminha para o Abismo — e da forma mais vulgar, burlesca e violenta que lhe esteja ao alcance
Não haja dúvida: se Queiroga não fizer o que Bolsonaro quer — uma portaria que desobrigue o uso de máscara — ele o exonerará.
Não importa quão servil tenha sido o ministro da Saúde até agora: ou faz, ou sai.
Pode-se objetar: qual o motivo de semelhante capricho? Haverá razão para tanto?
O ponto é que não é um capricho: é uma cartada. Bolsonaro está encurralado: seu desgoverno tem-se mostrado um fiasco — inclusive na Economia, pois Guedes (que, para começar, não tem uma política econômica para o país) simplesmente não tem competência para assumir a gestão de uma economia do tamanho da nossa. A saída do Mito é acelerar a sublevação de seus asseclas.
Prevejo que, de ora avante, o Capitão se dedicará, como nunca, a propagar todo tipo de sandice — a começar pela desobrigação do uso da máscara.
Sua meta é o caos — repita-se: sua aposta é que, em algum momento, desfira-se o primeiro soco, dispare-se o primeiro tiro, e aí…
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