quinta-feira, 7 de maio de 2026
NEWSLETTER
Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios
Fronteira Livre
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Home Geral

Evidências linguísticas apontam a Amazônia como berço de civilizações

Por Amilton Farias
28/09/2023 - 21:36
em Geral
Pai e filho Tapirapé, do tronco linguístico Tupi-Guarani /
Foto: Povos Indígenas do Brasil

Pai e filho Tapirapé, do tronco linguístico Tupi-Guarani / Foto: Povos Indígenas do Brasil

WhatsAppFacebookTelegram

Uma pista crucial sobre a importância da Amazônia como berço de onde se espalharam culturas vem da linguística. Entre os povos nativos da América do Sul, a diversidade de idiomas é a regra.

Nosso pedaço do continente tem cerca de uma centena de famílias linguísticas, o que dá pouco menos de um quarto do total mundial. Desse conjunto, nada menos que 50% correspondem a famílias de um único membro, as chamadas línguas isoladas, que não possuem parentes conhecidos.

  • Receba notícias pelo WhatsApp
  • Receba notícias pelo Telegram

E daí? Bem, a comparação com o Velho Mundo pode ser instrutiva nesse aspecto. Na Europa inteira há uma única língua isolada (o basco, na Espanha) e quase todas as faladas por lá descendem do tronco linguístico indo-europeu, o qual, como o nome indica, também ocorre na Índia, no Irã e em outros lugares da Ásia.

Acredita-se que as línguas indo-europeias tenham alcançado tamanho sucesso graças a alguma vantagem competitiva de que gozavam seus falantes originais — hoje, a hipótese mais aceita é a de que esse algo a mais em favor deles tenha sido a domesticação do cavalo, conferindo aos primeiros indo-europeus o equivalente pré-histórico de tanques de guerra.

Expansões linguísticas similares podem ser vistas no Extremo Oriente — caso dos vários idiomas chineses, falados numa área gigantesca por mais de 1 bilhão de seres humanos – e na África, onde os idiomas bantus se espalham de Camarões à África do Sul.

Nesses dois exemplos, a vantagem de tais grupos parece ter vindo do desenvolvimento de pacotes agrícolas pré-históricos muito eficientes, que permitiram que os ancestrais dos Han (grupo étnico dominante da China) e dos Bantu se multiplicassem mais do que seus concorrentes, derrotando e/ou assimilando as populações que estavam no seu caminho.

A diversidade linguística sul-americana indicaria que nada parecido jamais aconteceu por aqui? Mais ou menos. Por um lado, de fato, nenhum grupo talvez tenha tido vantagens competitivas tão avassaladoras quanto os indo-europeus, Han ou Bantu. Mas algumas famílias linguísticas, por outro lado, têm distribuições que abarcam milhares de quilômetros e dezenas de idiomas.

“Quando a gente olha com mais calma, percebe que ocorreram expansões sul-americanas que não ficam atrás desses processos do Velho Mundo”, diz Jonas de Souza Neres, da Universidade Federal do Pará. E é nesse ponto que a coisa fica interessante: quase todos os grupos sul americanos diversos linguisticamente têm origem na floresta amazônica.

Pai e filho Tapirapé, do tronco linguístico Tupi-Guarani – Foto: Povos Indígenas do Brasil

A mais famosa família linguística da floresta é velha conhecida de qualquer brasileiro: aTupi-Guarani, que se espalhava por quase toda a costa brasileira (e um bom pedaço da uruguaia), bem como por pedaços substanciais do Paraguai e trechos da Amazônia, no começo do século 16. É praticamente certo, com base nos dados de diversidade linguística, que esse grupo tenha surgido na atual Rondônia há milênios, nos tempos dos faraós egípcios.

Já as etnias da família linguística Aruak (que pode ter surgido no noroeste da Amazônia ou em outros locais da bacia) têm distribuição geográfica ainda mais ampla, da Bolívia ao Caribe. Os Taino, primeiros indígenas com quem Colombo topou em 1492, pertenciam a esse grande grupo.

Aliás, um estudo genético recente mostrou que eles eram parentes próximos dos Palikur, grupo que ainda vive no Amapá. E, a propósito, os mares caribenhos ganharam esse nome graças aos Carib, membros de outra família linguística de ampla distribuição e raízes amazônicas que também acabou navegando para a América Central e colonizou certas ilhas por lá.

As alianças multiétnicas que hoje caracterizam o Alto Xingu envolvem principalmente grupos Aruak e Carib e acredita-se que um sistema parecido com o que existe hoje, mas numa escala muito maior, teria sido o responsável pela criação de monumentos e aldeias circulares gigantescas, talvez sob coordenação original dos Aruak, grupo com tradição em comércio de longa distância e diplomacia em outros pontos da Bacia Amazônica.

Criança Kayapó, do tronco linguístico Macro-Jê / Foto: Reprodução

A única grande família linguística nativa do atual Brasil que não tem essa associação próxima com a Amazônia é a Macro-Jê, mais típica da região central do país e de áreas do interior das regiões Sul e Sudeste (exemplos são, respectivamente, os Xavante e os Kaingang).

“Mesmo assim, tenho colegas que trabalham com linguística que enxergam uma maior diversidade Macro-Jê na fronteira sul da Amazônia”, aponta Souza – e essa é uma pista crucial a respeito do local de origem de uma família de idiomas: em geral, a área com a maior diversidade costuma ser o berço de um grupo, basicamente porque ele existiu ali por mais séculos e, com isso, teve mais tempo para se diversificar.

Considerando o que sabemos sobre outras expansões linguísticas mundo afora, faz sentido imaginar que as etnias amazônicas saíram na frente graças às suas práticas agrícolas, ao menos em parte.

E, de fato, várias plantas importantes parecem ter sido domesticadas inicialmente na Amazônia ou em regiões próximas, espalhando-se de lá para o resto do continente. A lista inclui a mandioca, o abacaxi, o cacau, o amendoim e uma série de palmeiras frutíferas, como a pupunha – no total, calcula-se que mais de 80 espécies amazônicas acabaram sendo adaptadas para o uso humano.

Além disso, o milho, vindo do México, obrigatoriamente teve de passar pelo território amazônico antes de chegar às demais regiões sul-americanas. Com tanta diversidade nas mãos, os grupos que deixaram o berço amazônico carregavam consigo um pacote tecnológico adaptado a diversos ambientes de floresta tropical — o que teria ajudado os Tupi e Guarani a colonizar regiões de Mata Atlântica, análogos à costa da Amazônia, argumenta Souza.
Tags: Geral
Amilton Farias

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre

Notícias relacionadas

Polícia Rodoviária Federal deu apoio à operação.
Ministério do Trabalho / Divulgação
Colunistas

MTE resgata trabalhadores indígenas em condições análogas à escravidão na Serra Gaúcha

09/02/2025 - 15:43

Uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resultou no resgate de 18 trabalhadores indígenas em condições análogas à...

Foto: Reprodução
Colunistas

13 meninas dão à luz por dia no Paraguai; no Brasil, são 26

08/02/2025 - 14:21

Um boletim da Coordenadoria pelos Direitos da Infância e Adolescência (CDIA) revela a grave situação enfrentada por milhares de meninas...

A māe Williana de Odé, posa para foto em seu terreiro Ilê Axé Ojú Igbô Odé.
— Joédson Alves/Agência Brasil
Colunistas

Estudo revela violações contra povos de terreiro no Brasil

22/01/2025 - 17:32

Um novo relatório, intitulado "Violações contra os povos de terreiro e suas formas de luta", foi lançado pelo grupo de...

Foto: Arquivo/Agência Brasil
Colunistas

Brasil avança na redução da pobreza entre crianças e adolescentes

19/01/2025 - 13:32

Um estudo divulgado nesta quinta-feira (16) pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) revela que o Brasil conseguiu...

Foto: Arquivo e Memória MS
Colunistas

Pistoleiros atacam assentamento Olga Benário, do MST, deixando dois mortos e seis feridos

11/01/2025 - 17:17

Na noite de 10 de janeiro, o Assentamento Olga Benário, localizado em Tremembé, São Paulo, foi alvo de um ataque...

Foto: Divulgação/Médicos Sem Fronteiras
Colunistas

Médicos Sem Fronteiras suspende atividades no Hospital Universitário Bashair em Cartum

11/01/2025 - 17:02

Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou a suspensão de suas atividades no Hospital Universitário Bashair, em Cartum, devido a ataques violentos...

Carregar mais

Rolê na Fronteira

  • Rolê na Fronteira
Além da questão climática, a programação considera perspectivas para os setores público e privado. Foto: William Brisida/Itaipu Binacional.
Rolê na Fronteira

Biodiversidade e negócios entram em debate na Itaipu

Por Steve Rodríguez
07/05/2026 - 11:33

Foz do Iguaçu, PR - A conservação da biodiversidade como fator estratégico para a sustentabilidade e a sobrevivência das empresas...

Ler mais
Foto: Divulgação.

Crazy Week 2026 terá esquema especial e ruas fechadas em Ciudad del Este

06/05/2026 - 11:53
Participação é aberta e o tema dos personagens é livre. Foto: Divulgação/Sesc.

Sesc Foz promove concurso de cosplay com premiação e entrada gratuita

05/05/2026 - 10:29
Carregar mais

Últimas Notícias

Eles concorreram com estudantes de outras universidades, mas como foram bem colocados na classificação geral, "tomaram" quase todas as vagas. Foto: Divulgação.
Educação

Unioeste tem 7 estudantes selecionados para intercâmbio em Nova York

Por Steve Rodríguez
07/05/2026 - 11:50

Foz do Iguaçu, PR - Sete estudantes da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) estão entre os dez selecionados...

Foto: Polícia Federal.

PF intercepta carga com 2,3 toneladas de maconha na BR-277

07/05/2026 - 11:41
Iniciativa une conhecimento científico e saberes tradicionais indígenas. Foto: Arquivo pessoal

Professora indígena usa grafismos Avá Guarani para ensinar Matemática no Paraná

07/05/2026 - 11:28
Declarações foram feitas em entrevista a veículos independentes de comunicação. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula defende investimentos em educação e afirma que área impulsiona desenvolvimento do país

07/05/2026 - 11:10
Proposta prevê uso de ferrovias desativadas para cicloturismo no Paraná. Foto: Assessoria Parlamentar

Projeto quer transformar ferrovias desativadas do Paraná em rotas de cicloturismo

07/05/2026 - 10:59
Espécie invasora causa prejuízos em lavouras e ameaça rebanhos. Foto: Sistema Faep.

Produtores rurais têm até 31 de maio para responder pesquisa sobre javalis

07/05/2026 - 10:38

EDITORIAS

  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios

RECENTES

Unioeste tem 7 estudantes selecionados para intercâmbio em Nova York

PF intercepta carga com 2,3 toneladas de maconha na BR-277

Biodiversidade e negócios entram em debate na Itaipu

Professora indígena usa grafismos Avá Guarani para ensinar Matemática no Paraná

MAIS LIDAS DA SEMANA

A loba e o molho latino

Quando o mercado transforma trabalhadores em “colaboradores” sem dividir o lucro

Clássico do cinema brasileiro expõe as contradições dos trabalhadores em tempos de crise

Ato do 1º de Maio em Foz do Iguaçu leva trabalhadores às ruas contra a jornada 6×1

Portal Fronteira Livre - Criação Web Tchê Digital

  • Política de privacidade
  • Contato
  • Midia Kit
  • Sobre o Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios

Portal Fronteira Livre - Criação Web Tchê Digital

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist