quinta-feira, 7 de maio de 2026
NEWSLETTER
Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios
Fronteira Livre
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Home Geral

Dez anos após morte de Kadafi, Líbia segue à beira do abismo

Por Amilton Farias
21/10/2021 - 02:42
em Geral
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

WhatsAppFacebookTelegram

Após uma revolta popular, o ditador líbio foi morto em 2011. Longe da prometida democracia, país foi então palco de anos de guerra civil, agravada por interesses conflitantes de potências estrangeiras.

“Anunciamos ao mundo que Kadafi morreu nas mãos da Revolução. É o fim da tirania e ditadura na Líbia.” Com essas palavras otimistas, em 20 de outubro de 2011 o porta-voz do Conselho Nacional de Transição (NTC), Abdel Hafez Ghoga, anunciou a morte do despótico líder Muammar Kadafi.

Em fevereiro, animados pelo levante na vizinha Tunísia, os líbios se ergueram contra aquele que fora seu chefe de Estado desde 1969, tendo chegado ao poder através de um golpe. Os rebeldes tinham aliados poderosos: em março as Nações Unidas autorizaram uma mobilização militar, visando sobretudo proteger a população civil. Os subsequentes ataques da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) enfraqueceram consideravelmente o ditador.

  • Receba notícias pelo WhatsApp
  • Receba notícias pelo Telegram.

Após meses refugiado, Kadafi se escondia agora em Sirte, no norte do país, cerca de 450 quilômetros ao leste de Trípoli. Cercado por adversários, o “líder revolucionário”, notório por suas aparições excêntricas, tentou escapar por uma canalização de esgoto, mas foi capturado. Os rebeldes o mataram imediatamente e de forma brutal. Uma foto do cadáver ensanguentado correu mundo.

Depois da ditadura, a guerra civil

A insatisfação de amplos segmentos da população com o regime violento e arbitrário tivera, por um lado, motivos econômicos e sociais, como a alta dos preços dos alimentos e o elevado desemprego entre os jovens, explica Hager Ali, pesquisadora associada e especialista em Líbia do Instituto GIGA de Estudos sobre o Oriente Médio, em Hamburgo.

Desde o início, contudo, havia também reivindicações de democracia e do fim das graves violações dos direitos humanos atuais, assim como do esclarecimento das passadas – entre as quais o massacre do presídio Abu Salim, 1996, em Trípoli, que custara entre 1.200 e 1.700 vidas. “Esse crime foi característico da era Kadafi”, afirma Ali.

Tão mais eufóricas, portanto, eram as esperanças de um recomeço. Porém já na época havia vozes de advertência, como a do então secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon: “O caminho diante da Líbia e sua população será árduo e cheio de desafios”, alertou.

Cabia a todos os cidadãos cooperarem, pois “os líbios só poderão concretizar a promessa do futuro através de unidade nacional e reconciliação”, instava o diplomata sul-coreano. Contudo, este não passou de um desejo otimista: em 2014 os tumultos da rebelião desembocaram em anos de guerra civil.

Poder dividido após morte de Kadaffi: comandante Khalifa Haftar (esq.) e chefe de governo Fayez Mustafa al-Sarraj

Aparato estatal viciado

As causas do conflito “couberam essencialmente ao aparato de poder que Kadafi criara”, diz Hager Ali. De fato: uma das maiores preocupações do governante era um golpe de Estado militar, e sua linha de defesa foi manter fiéis militares de alta patente e colocá-los – assim como a seus próprios familiares – em postos estrategicamente relevantes.

“Ele também comprou a proteção de mercenários estrangeiros, ao mesmo tempo que manteve longe do poder os ranques mais baixos das Forças Armadas líbias”, aponta a pesquisadora. Isso resultou em rivalidades que se mantiveram mesmo anos após a morte do ditador, ao lado dos conflitos de interesses entre regiões e etnias.

Durante a revolta, por um breve período os diversos grupos de fato estiveram unidos pelo desejo de derrubar Kadafi, mas as alianças se romperam após a queda dele. “Isso também se deveu ao fato de não haver arenas políticas civis em funcionamento, em que as diferenças pudessem ser debatidas e negociadas”, relata Ali, do Instituto GIGA. Sucessivas eleições tampouco resultaram em unidade nacional.

Palco para interesses estrangeiros conflitantes

Em consequência, a Líbia viveu o destino típico dos Estados fracassados: o poder estatal se dissolveu, em breve havia dois governos, um na capital, Trípoli, o outro na cidade litorânea de Tobruk, no extremo leste do país.

Visando preservar e impor os próprios interesses, cada vez mais atores estrangeiros passaram a intervir na guerra civil, entre os quais a Rússia, Turquia, Egito e os Emirados Árabes Unidos. Grupos mercenários financiados por Estados estrangeiros se mantêm, em parte, até hoje no país.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, por exemplo, tentou fazer valer as pretensões de seu país sobre as jazidas de gás no Mar Mediterrâneo, através de uma aliança com Fayez Mustafa al-Sarraj, então chefe de governo internacionalmente reconhecido.

A Rússia, Egito e os Emirados, por sua vez, apoiavam o assim chamado “governo no exílio” de Tobruk, associado ao poderoso comandante Khalifa Haftar. Através dessa cooperação, Cairo esperava conseguir controlar as forças fundamentalistas islâmicas, em especial a Irmandade Muçulmana.

Os europeus, por sua vez, estavam desde o início acima de tudo interessados em manter longe de si os migrantes e refugiados que chegavam através da Líbia. Nesse sentido, em fevereiro de 2020 o ministro alemão do Exterior, Heiko Maas, enfatizava a necessidade de integrar no diálogo os países vizinhos da Líbia.

 

 

Veja também

https://www.fronteiralivre.com.br/?p=24518&preview=true

Tags: Geral
Amilton Farias

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre

Notícias relacionadas

Polícia Rodoviária Federal deu apoio à operação.
Ministério do Trabalho / Divulgação
Colunistas

MTE resgata trabalhadores indígenas em condições análogas à escravidão na Serra Gaúcha

09/02/2025 - 15:43

Uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resultou no resgate de 18 trabalhadores indígenas em condições análogas à...

Foto: Reprodução
Colunistas

13 meninas dão à luz por dia no Paraguai; no Brasil, são 26

08/02/2025 - 14:21

Um boletim da Coordenadoria pelos Direitos da Infância e Adolescência (CDIA) revela a grave situação enfrentada por milhares de meninas...

A māe Williana de Odé, posa para foto em seu terreiro Ilê Axé Ojú Igbô Odé.
— Joédson Alves/Agência Brasil
Colunistas

Estudo revela violações contra povos de terreiro no Brasil

22/01/2025 - 17:32

Um novo relatório, intitulado "Violações contra os povos de terreiro e suas formas de luta", foi lançado pelo grupo de...

Foto: Arquivo/Agência Brasil
Colunistas

Brasil avança na redução da pobreza entre crianças e adolescentes

19/01/2025 - 13:32

Um estudo divulgado nesta quinta-feira (16) pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) revela que o Brasil conseguiu...

Foto: Arquivo e Memória MS
Colunistas

Pistoleiros atacam assentamento Olga Benário, do MST, deixando dois mortos e seis feridos

11/01/2025 - 17:17

Na noite de 10 de janeiro, o Assentamento Olga Benário, localizado em Tremembé, São Paulo, foi alvo de um ataque...

Foto: Divulgação/Médicos Sem Fronteiras
Colunistas

Médicos Sem Fronteiras suspende atividades no Hospital Universitário Bashair em Cartum

11/01/2025 - 17:02

Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou a suspensão de suas atividades no Hospital Universitário Bashair, em Cartum, devido a ataques violentos...

Carregar mais

Rolê na Fronteira

  • Rolê na Fronteira
Foto: Divulgação.
Rolê na Fronteira

Crazy Week 2026 terá esquema especial e ruas fechadas em Ciudad del Este

Por Steve Rodríguez
06/05/2026 - 11:53

Ciudad del Este, PY - Ciudad del Este se prepara para quatro dias de intenso movimento comercial com a realização...

Ler mais
Participação é aberta e o tema dos personagens é livre. Foto: Divulgação/Sesc.

Sesc Foz promove concurso de cosplay com premiação e entrada gratuita

05/05/2026 - 10:29
Espetáculo Magic reúne acrobacias e interação com o público. Foto: Complexo Dreams Park Show.

Shows de rock movimentam feriado do Dia do Trabalhador no Dreams Park Show, em Foz do Iguaçu

30/04/2026 - 16:37
Carregar mais

Últimas Notícias

Reajuste médio de 19,2% da energia elétrica gerou debate no Paraná. Créditos: Divulgação/Assessoria Parlamentar.
Notícias

Deputada Ana Júlia questiona ANEEL sobre aumento da tarifa da Copel no Paraná

Por Amilton Farias
06/05/2026 - 20:45

Curitiba (PR) — A deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT) protocolou questionamentos formais à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)...

Passeio de trem pela Serra do Mar integra roteiro da experiência turística. Foto: Viaje Paraná

Turismo do Paraná aposta em experiência imersiva com agentes de viagem

06/05/2026 - 20:29
Declaração deve incluir receitas e despesas da atividade rural. Foto: Sistema Faep.

Prazo para produtor rural declarar termina em 29 de maio

06/05/2026 - 12:56
Foto: Receita Federal.

Receita Federal apreende R$ 500 mil em cigarros eletrônicos na fronteira

06/05/2026 - 12:03
Foto: Divulgação.

Lojas francas fortalecem economia de Foz e indústria brasileira

06/05/2026 - 11:43
Foto: Polícia Federal.

PF, Receita e PM apreendem cerca de 2 mil celulares em Foz do Iguaçu

06/05/2026 - 11:31

EDITORIAS

  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios

RECENTES

Deputada Ana Júlia questiona ANEEL sobre aumento da tarifa da Copel no Paraná

Turismo do Paraná aposta em experiência imersiva com agentes de viagem

Cadillac Records revela como músicos negros criaram o rock’n’roll nos EUA

Prazo para produtor rural declarar termina em 29 de maio

MAIS LIDAS DA SEMANA

A loba e o molho latino

Quando o mercado transforma trabalhadores em “colaboradores” sem dividir o lucro

Clássico do cinema brasileiro expõe as contradições dos trabalhadores em tempos de crise

Ato do 1º de Maio em Foz do Iguaçu leva trabalhadores às ruas contra a jornada 6×1

Portal Fronteira Livre - Criação Web Tchê Digital

  • Política de privacidade
  • Contato
  • Midia Kit
  • Sobre o Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios

Portal Fronteira Livre - Criação Web Tchê Digital

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist