Por Marco Roberto de Souza Albuquerque – Opinião
Considerações a propósito do vídeo “Paulo Guedes parece estar determinado em levar o Brasil de volta aos anos de 1990”, do UOL.
É muito difícil não reclamar da gestão Bolsonaro — inclusive no âmbito da Economia, na qual o imaginário gênio de Paulo Guedes não vem garantindo uma condução supostamente técnica, supraideológica da pasta.
Veja-se como o Governo tem guiado o trâmite da privatização da medida provisória que versa sobre a privatização da Eletrobras.
Patinhando na condução da crise sanitária — uma vez que o presidente em pessoa adotou a absurda estratégia da imunidade coletiva por contágio (e pior: sem a inteligência necessária para voltar atrás, como fizeram Donald Trump e Boris Johnson) –, o Planalto não pôde dedicar-se a construir, no Congresso, a teia de negociatas e conchavos para fazer passar o texto da MP segundo o mínimo de coerência com os pressupostos neoliberais que, em tese, guiariam as diretrizes de Paulo Guedes.
Desgastado, tendo já torrado dezoito bilhões de reais para comprar, no Parlamento, o apoio necessário para não sofrer um impeachment — o Planalto, uma vez que a MP estava prestes a expirar, teve de enviá-la, de afogadilho e atabalhoadamente, ao Legislativo — sem haver fechado, com as lideranças, os acordos necessários para manter a integralidade do texto e a coerência da proposta.
Daí a medida provisória, no Congresso, submetida a toda sorte de lobby e outras motivações nada republicanas — saiu toda enviesada e conseguiu desagradar a gregos e troianos. Tanto os representantes de potenciais investidores quanto as associações de grandes consumidores não tardaram a apontar as lacunas e incongruências no texto final. E tanto os primeiros julgam que as regras não dão a esperada segurança a quem pretenda comprar as ações quanto os últimos estão certos de que pagarão uma conta mais alta no fim de cada mês.
Resultado: espera-se, para já, uma batalha judicial movida por litigantes de toda ordem — de centrais sindicais a partidos políticos, de federações industriais a “pools” de investidores.
Por fim, essa é a cara da “Nova Política”: incompetente até mesmo para tocar os velhos esquemas, maracutaias e mamatas que Bolsonaro — com quase trinta anos de legislatura federal e participando dos meios mais fisiológicos da Câmara — teria a obrigação de conhecer e dominar.
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