Na primeira metade do século passado houve uma redução populacional provocada por doenças como gripe e varíola.
Os Taripapé não tinham anticorpos e a situação piorou por um ataque dos índios Kayapó que eram seus inimigos.
As freiras assumem papel fundamental para a recuperação desse povo e recebem o nome de “parteiras dos Tapirapé”, criada pelo Leonardo Boff. No primeiro momento, elas atuaram no tratamento das doenças e depois no fortalecimento cultural e na recuperação do território tradicional do grupo.
O sucesso se deve ao fato de que ao invés de catequizar esses indígenas, as freiras optaram por se integrar ao modo de vida deles. Elas viviam em casas parecidas aos dos indígenas, plantavam e comiam como eles e participar de alguns rituais. Essa ideia foi baseado nos ensinamentos de Charles de Foucault, missionário francês que viveu entre árabes nômades no norte da Áfrina na virada do século XIX para o XX.
Além dos cuidados com a saúde, as freiras se tornaram interlocutoras entre os indígenas e o mundo fora da comunidade. Atuaram na instalação de uma escola indígena nos anos 1970 e participaram do processo de reconhecimento do território, homologado pelo governo federal como Terra Indígena Urubu Branco em 1998.
Porém, apesar da conquista, ainda há invasões no território Tapirapé por madeireiro e criadores de gado.
Igrejas evangélicas e indígenas
Hoje, após a saída da fraternidade, os Tapirapé deparam-se com o assédio de outras religiões. Grupos evangélicos de cidades próximas têm tentado converter as famílias.
“Vemos que as outras igrejas tentam entrar, mas nós, as lideranças, estamos impedindo.
- Elas entram devagarzinho,
- mas lá na frente começam a proibir a gente de fazer ritual, falar nossa língua.
- Eles começam a interferir dentro da comunidade, enquanto elas (as Irmãzinhas) não traziam esses problemas”,
afirma o cacique geral Warei.
Os dados do último censo nacional realizado pelo IBGE mostram que
- o número de índios evangélicos cresceu 42% entre 2000 e 2010, somando 210 mil, um quarto do total.
- Apesar disso, Odila se mostra otimista com a continuidade da tradição Tapirapé e aponta que hoje os povos indígenas têm muito mais apoio do que décadas atrás.
“Eu penso que as religiões cristãs têm força mas eu não sei se nessa altura da vida do mundo elas têm o poder de acabar com esses povos. Acredito que não. Tenho essa tranquilidade dentro de mim”, disse.
















