quinta-feira, 7 de maio de 2026
NEWSLETTER
Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios
Fronteira Livre
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Home Geral

Ameaças, silenciamento e omissão: por que morte de adolescente Yanomami segue sem solução?

Por Amilton Farias
07/05/2022 - 14:38
em Geral
Comunidade palco de crime brutal foi encontrada queimada e abandonada - Divulgação/Júnior Yanomami

Comunidade palco de crime brutal foi encontrada queimada e abandonada - Divulgação/Júnior Yanomami

WhatsAppFacebookTelegram

Autoridades dizem não encontrar indícios de estupro e morte de menina; lideranças denunciam compra de silêncio com ouro

Um dos capítulos mais cruéis do ataque de garimpeiros ao povo Yanomami, em Roraima, segue sem solução. Depois da denúncia da morte de uma adolescente de 12 anos, vítima de estupro cometido por garimpeiros, 24 indígenas da comunidade Aracaçá permanecem desaparecidos e suas casas foram encontradas queimadas.

A elucidação do caso esbarra no clima de tensão e medo imposto por garimpeiros, que teriam comprado o silêncio das vítimas com ouro. Sem uma base de proteção permanente da Funai, o garimpo se mantém como o principal indutor da violência na região.

A denúncia do estupro seguido de morte foi feita pelo presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kwana (Condisi-YY), Júnior Hekurari Yanomami. Segundo ele, outra mulher havia sido sequestrada e teve o filho de três anos jogado em um rio.

Corpo carbonizado e “falta de indícios” 

O Condisi-YY encaminhou um pedido de investigação a Polícia Federal, ao Ministério Público Federal (MPF), à Funai e ao Ministério da Saúde. Junto com Hekurari, uma força tarefa composta por esses órgãos foi até a comunidade Aracaçá e encontrou os restos das casas incendiadas.

As autoridades logo concluíram que “não foram encontrados indícios da prática dos crimes de homicídio e estupro ou de óbito por afogamento”, conforme nota da Funai e Polícia Federal. Mesmo assim, afirmaram que vão continuar as investigações.

O Ministério Público Federal (MPF) também comunicou que a apuração segue em andamento. “Mais informações apenas serão divulgadas quando da conclusão dos trabalhos. A partir do término da investigação, o MPF analisará as medidas cabíveis”, escreveu o órgão.

Júnior Yanomami afirma que a explicação para a falta de “indícios” pode estar na prática de rituais de cremação pelos Yanomami. “No segundo dia [de investigação], retornamos às comunidades e percebemos que existe a marcação de queimação de um corpo, possivelmente adolescente”, disse.

Ele atesta que o incêndio às casas também faz parte dos rituais. Disse ainda ter mostrado imagens da comunidade incendiada a lideranças Yanomami. Eles “relataram, conforme costume e tradições, que após morte de um ente querido a comunidade em que residia é queimada e todos evacuam para outro local”, escreveu Júnior.

Ouro em troca do silêncio

Segundo o presidente do Condisi-YY, o clima de terror imposto pelos garimpeiros também dificulta as investigações. “Percebi que as comunidades estavam com muito medo. Percebemos que os Yanomami foram bem orientados pelos garimpeiros para não relatar essa morte da adolescente”, declarou em vídeo enviado ao Brasil de Fato.

A nota do Condisi-YY detalha ainda o grau de cooptação a que as populações estão submetidas. Após pousarem na comunidade Aracaçá – queimada e abandonada – os integrantes da força tarefa demoraram 40 minutos para avistarem os primeiros indígenas.

O grupo teria voltado ao local apenas para resgatar materiais deixados por garimpeiros. Eles se recusaram a cooperar com a investigação. “Após insistência, alguns indígenas relataram que não poderiam falar, pois teriam recebido 5 gramas de ouro dos garimpeiros para manter o silêncio”, afirma o documento.

O Condisi-YY concluiu que “esses indígenas foram coagidos e instruídos a não relatar qualquer ocorrência que tenha acontecido na região, dificultando a investigação da Polícia Federal e Ministério Público Federal que acabaram relatando não haver qualquer indício de estupro ou desaparecimento de criança”.

Lideranças apontam omissão da Funai

A Hutukara Associação Yanomami afirmou que está acompanhando o caso e buscando mais informações junto às comunidades. A entidade ressalta que o episódio mais recente de violência contra os indígenas não é um caso isolado.

A comunidade de Aracaçá fica na região de Waikás, próximo ao rio Uraricoera, uma das áreas mais devastadas pelo garimpo ilegal, que vem provocando uma tragédia social junto aos Yanomami.

O relatório “Yanomami Sob Ataque”, produzido pela Hutukara, aponta que a Aracaçá está “em vias de desaparecimento” por causa da desagregação social provocada pela atividade.

Além da introdução de bebidas alcoólicas pelos garimpeiros e do acirramento de conflitos internos, o relatório aponta que indígenas “deixaram de abrir roças e hoje dependem da alimentação oferecida pelos garimpeiros em troca de serviços, como carregar combustível e realizar pequenos fretes de canoa”.

A comunidade de Aracaçá está próxima à região do Palimiu, alvo de seguidos ataques de garimpeiros armados no ano passado. Os episódios provocaram a morte de uma criança que tentava se proteger dos invasores.

“Mesmo com toda a violência, a Base de Proteção Etnoambiental (Bape) da Funai, que deveria proteger o acesso ao rio Uraricoera, ainda não foi reativada, e o garimpo continua atuando livremente”, escreveu a Hutukara.

Os órgãos que deveriam garantir a segurança e o bem estar dos indígenas também são alvos de críticas do presidente do Condisi-YY.

“O governo diz que está gastando mais de R$ 1 bilhão na saúde indígena. A gente não está vendo esse dinheiro na assistência na ponta, nas comunidades. Principalmente na saúde Yanomami, falaram que 210 milhões de reais foram gastos durante dois anos, mas não vemos esse dinheiro”, afirmou Junior Yanomami ao programa Central do Brasil.

Murilo Pajolla
Brasil de Fato 

Edição: Felipe Mendes

Tags: Geral
Amilton Farias

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre

Notícias relacionadas

Polícia Rodoviária Federal deu apoio à operação.
Ministério do Trabalho / Divulgação
Colunistas

MTE resgata trabalhadores indígenas em condições análogas à escravidão na Serra Gaúcha

09/02/2025 - 15:43

Uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resultou no resgate de 18 trabalhadores indígenas em condições análogas à...

Foto: Reprodução
Colunistas

13 meninas dão à luz por dia no Paraguai; no Brasil, são 26

08/02/2025 - 14:21

Um boletim da Coordenadoria pelos Direitos da Infância e Adolescência (CDIA) revela a grave situação enfrentada por milhares de meninas...

A māe Williana de Odé, posa para foto em seu terreiro Ilê Axé Ojú Igbô Odé.
— Joédson Alves/Agência Brasil
Colunistas

Estudo revela violações contra povos de terreiro no Brasil

22/01/2025 - 17:32

Um novo relatório, intitulado "Violações contra os povos de terreiro e suas formas de luta", foi lançado pelo grupo de...

Foto: Arquivo/Agência Brasil
Colunistas

Brasil avança na redução da pobreza entre crianças e adolescentes

19/01/2025 - 13:32

Um estudo divulgado nesta quinta-feira (16) pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) revela que o Brasil conseguiu...

Foto: Arquivo e Memória MS
Colunistas

Pistoleiros atacam assentamento Olga Benário, do MST, deixando dois mortos e seis feridos

11/01/2025 - 17:17

Na noite de 10 de janeiro, o Assentamento Olga Benário, localizado em Tremembé, São Paulo, foi alvo de um ataque...

Foto: Divulgação/Médicos Sem Fronteiras
Colunistas

Médicos Sem Fronteiras suspende atividades no Hospital Universitário Bashair em Cartum

11/01/2025 - 17:02

Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou a suspensão de suas atividades no Hospital Universitário Bashair, em Cartum, devido a ataques violentos...

Carregar mais

Rolê na Fronteira

  • Rolê na Fronteira
Foto: Divulgação.
Rolê na Fronteira

Crazy Week 2026 terá esquema especial e ruas fechadas em Ciudad del Este

Por Steve Rodríguez
06/05/2026 - 11:53

Ciudad del Este, PY - Ciudad del Este se prepara para quatro dias de intenso movimento comercial com a realização...

Ler mais
Participação é aberta e o tema dos personagens é livre. Foto: Divulgação/Sesc.

Sesc Foz promove concurso de cosplay com premiação e entrada gratuita

05/05/2026 - 10:29
Espetáculo Magic reúne acrobacias e interação com o público. Foto: Complexo Dreams Park Show.

Shows de rock movimentam feriado do Dia do Trabalhador no Dreams Park Show, em Foz do Iguaçu

30/04/2026 - 16:37
Carregar mais

Últimas Notícias

Reajuste médio de 19,2% da energia elétrica gerou debate no Paraná. Créditos: Divulgação/Assessoria Parlamentar.
Notícias

Deputada Ana Júlia questiona ANEEL sobre aumento da tarifa da Copel no Paraná

Por Amilton Farias
06/05/2026 - 20:45

Curitiba (PR) — A deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT) protocolou questionamentos formais à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)...

Passeio de trem pela Serra do Mar integra roteiro da experiência turística. Foto: Viaje Paraná

Turismo do Paraná aposta em experiência imersiva com agentes de viagem

06/05/2026 - 20:29
Declaração deve incluir receitas e despesas da atividade rural. Foto: Sistema Faep.

Prazo para produtor rural declarar termina em 29 de maio

06/05/2026 - 12:56
Foto: Receita Federal.

Receita Federal apreende R$ 500 mil em cigarros eletrônicos na fronteira

06/05/2026 - 12:03
Foto: Divulgação.

Lojas francas fortalecem economia de Foz e indústria brasileira

06/05/2026 - 11:43
Foto: Polícia Federal.

PF, Receita e PM apreendem cerca de 2 mil celulares em Foz do Iguaçu

06/05/2026 - 11:31

EDITORIAS

  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios

RECENTES

Deputada Ana Júlia questiona ANEEL sobre aumento da tarifa da Copel no Paraná

Turismo do Paraná aposta em experiência imersiva com agentes de viagem

Cadillac Records revela como músicos negros criaram o rock’n’roll nos EUA

Prazo para produtor rural declarar termina em 29 de maio

MAIS LIDAS DA SEMANA

A loba e o molho latino

Quando o mercado transforma trabalhadores em “colaboradores” sem dividir o lucro

Clássico do cinema brasileiro expõe as contradições dos trabalhadores em tempos de crise

Ato do 1º de Maio em Foz do Iguaçu leva trabalhadores às ruas contra a jornada 6×1

Portal Fronteira Livre - Criação Web Tchê Digital

  • Política de privacidade
  • Contato
  • Midia Kit
  • Sobre o Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios

Portal Fronteira Livre - Criação Web Tchê Digital

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist