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Home Geral

Alemanha torna gratuitas as universidades do país

Por Amilton Farias
01/09/2019 - 11:32
em Geral
Foto: Reprodução

A pressão das ruas que forçou a mudança de paradigma na educação do país. Foto: Reprodução

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Isso aí: toda as faculdades públicas dentro de território alemão são agora de graça. Não tem tuition fee.

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Lembrando sempre que:

– ainda existem universidades particulares na Alemanha. Ou seja, nem todas as universidades serão gratuitas.

– alunos sempre pagam taxas de administração, que podem variar de 150 a 300 euros por semestre. Em todas as universidades.

Políticos alemães dizem que é injusto cobrar os jovens pela sua formação, afinal eles estão no começo da vida! E eles fazem isso para alfinetar Inglaterra e Estados Unidos, já que esses dois países criticam os alemães, mas cobram caríssimo por suas universidades.Há menos de um ano que o “vizinho”, governo Britânico percebeu que a escalada da taxas escolares não chegaram a nada além de endividar os estudantes, a Alemanha já tinha decidido abolir as taxas de estudo de uma vez por todas, para todas as suas universidades. (Fonte)

Lembrando que eles só estão seguindo os bons: A Noruega, a Suécia, e a Finlândia já são assim há anos!

O Estado de Niedersachsen, ou em inglês, Lower Saxony, foi o último dos estados alemães a acabar com as taxas. Isso significa que todas as universidade públicas alemãs são de graça. Para alemães E PARA ESTRANGEIROS!

Dorothee Stapelfeldt, Senadora pela Ciência em Hamburgo, contou ao jornal Times sobre a decisão. Ela disse que: Essas taxas desencorajam as pessoas que não vem de famílias tradicionalmente acadêmicas. É uma tarefa fundamental dos políticos fornecer a oportunidade para jovens homens e mulheres a estudar em universidade de alta qualidade sem taxas.

Já era barato, a maioria das universidades cobrava  €1,000 por ano (R$ 3.000, ou £845) – mas isso para cidadãos alemães apenas. Mesmo assim, eles declararam que: “Existe uma tradição de universidades gratuitas na Alemanha, e isso é difícil de mudar”, quem disso isso foi o Dr Holger Fischer, vice presidente da  Hamburg University, pois houve uma época em que queriam cobrar muito, mas voltaram atrás.  Veja aqui na íntegra.

Enquanto isso nas universidades mais caras do mundo, por exemplo na Inglaterra, os preços para ingressar na Universidade subiram quase 8% em 2015, com estudantes tendo que pagar contas de até £54,000 (mais de $200.000,00 reais!!!) por apenas TRÊS anos de graduação! Sobre os Estados Unidos não precisamos nem comentar, afinal o termo “student debt” é um termo conhecido dos jovens americanos, ou de seus pais. Muitos passam a vida toda pagando os estudos, e se sentem “presos” a empregos que não gostam, para poder pagar os estudos que são muito caros.

Ponto para os brasileiros: Enquanto no Brasil o único critério de seleção de quase todas as universidades é a nota do vestibular, nos Estados Unidos, por exemplo, o candidato precisa passar em sua maioria das vezes por cinco etapas. E essa regra vale para todos, inclusive para candidatos estrangeiros. Nós ganhamos essa!

Aí você me diz: Qual a diferença? No Brasil também tem universidade de graça!

E eu digo: Espera aí meu amigo, você já foi estudar por lá? No Brasil temos Universidades ótimas reconhecidas mundialmente, mas para entrar nelas precisamos ser muito dedicados, ou fazer como 90% do pessoal e pagar cursinho! Na Alemanha não tem cursinho. Isso não quer dizer que seja fácil de entrar.

Ponto para os alemães: “Com educação básica em altíssimo nível, não fica difícil ter ensino superior de qualidade. Os alemães têm cinco universidades entre as cem melhores do mundo de acordo com o último ranking universitário THE (Times Higher Education). Já o Brasil não tem representante nem entre as 200 melhores da lista (a USP, melhor do Brasil, está em 226º lugar no mundo)”.(Fonte)

“Das universidades e institutos de pesquisa da Alemanha saíram 103 prêmios Nobel, titulação máxima alcançada por um cientista. Nesse placar, estamos 103 x zero. A Argentina, nossa arqui-inimiga no futebol, que não tem um ensino superior lá tão consolidado, tem 4 prêmios Nobel”. (Fonte)

É lógico que entrar na Universidade não é fácil. É óbvio que o processo é difícil. Assim como no Brasil, ser universitário é um desejo de muita gente. Eu já estudei na Alemanha, e pra ser honesta, passei raspando. Quase não entrei. Porque não tive uma educação básica de alemão.

Ponto para os alemães: Na educação básica, a Alemanha está rankeada relativamente bem, ainda mais em matemática e ciências. De acordo com a última pesquisa da OCDE/PISA (2012) de padrões educacionais entre jovens de 15 anos, a Alemanha está em 12º lugar em matemática, nono na ciência e 20º na literatura, se comparada com 65 países e economias. Notavelmente, mais de metade de todos os estudantes na Alemanha ingressa no ensino superior. (Fonte)

Porém no Brasil a questão é um pouco mais profunda. Aqui é raro você ver uma pessoa muito pobre entrar numa universidade sendo muitas vezes “notícia bombástica” quando isso acontece. Falo isso por experiência própria, afinal, eu sempre tive condições de estudar, mas tenho vários amigos que comeram o pão que o diabo amassou para estarem na USP, onde estudamos.

A gente gostando ou não dessa informação, é fato que para entrar nas melhores universidades do Brasil você precisa investir muito dinheiro. Isso foi revelado por pesquisa, não sou eu que estou falando da minha cabeça. Em 2010, 77% dos alunos que ingressaram na Universidade de São Paulo eram brancos, 10% pardos, 10% asiáticos e apenas 2% eram pretos. Porque isso importa? Em todos os cursos, com exceção de geografia, têm mais asiáticos do que negros no campus da USP-SP. Os asiáticos correspondem a 1% da população de São Paulo, os negros são 34%, e na USP a quantidade de negros, pardos e pretos, se equivale a de asiáticos. Vê a des-proporção?

“Onde estão os negros na USP?” publicado no blog “Desigualdades Espaciais“, é um conjunto de mapas que apresenta a distribuição racial na instituição. Feito pelo estudante de geografia Hugo Nicolau, o estudo constatou que o número de negros na Universidade de São Paulo é ainda muito desproporcional em relação ao número de negros na sociedade em geral.

O mesmo estudo viu que o número de negros que também são pobres é muito mais alto do que a maioria dos brasileiros pensa. (Confira as fontes nos links)

No Brasil, por causa da alta concorrência das universidades públicas e da baixa qualidade das escolas públicas de ensino básico e fundamental, aqueles em situação econômica mais vulnerável têm pouca chance de conseguir uma vaga para estudar em uma universidade financiada pelo contribuinte. (Confira as fontes). No Brasil, a classe alta corresponde a 24,8% da população. Mas, nas universidades públicas, a classe alta ocupa 45% das vagas. Do outro lado dessa equação, as pessoas que estão hoje na classe baixa são 23% da população brasileira, mas apenas 8% da população universitária.

Porque isso acontece? Pensemos juntos amigos! Qual seria a diferença entre o Brasil e a Alemanha? Seria talvez uma maior Igualdade de oportunidades?

Brasil: “Do total de estudantes que prestam vestibular para as principais universidades públicas do país a situação se inverte: na Unicamp, por exemplo, aproximadamente 70% são egressos de escolas privadas e 30% de instituições públicas”. (Revista Ensino Superior). E quem não tem dinheiro para pagar, como faz?

“Essa inversão ocorre porque a grande massa de estudantes que concluem o ensino médio em escolas públicas não considera o ingresso em universidades públicas, pois sabe que tem pouca ou nenhuma chance de entrar nessas instituições”, afirmou Knobel, que integra a Coordenação Adjunta de Colaborações em Pesquisa da Fapesp”. (Revista Ensino Superior)

Já percebeu também a diferença?

Ponto para os alemães: Lá existe um maior investimento em educação básica, não sou eu que estou falando, é o sistema deles: Crianças com idade entre 3-6, podem ir para o jardim de infância. Depois disso, a escola é obrigatória por nove ou dez anos. A partir das séries 1° a 4°, crianças frequentam a escola primária (Grundschule), onde as disciplinas ensinadas são as mesmas para todos, e uma das melhores do mundo em conteúdos. Em seguida, após a 4ª série, eles são separados de acordo com sua capacidade acadêmica e os desejos de suas famílias, para cursar um dos três diferentes tipos de escolas:Hauptschule, Realschule ou Gymnasium. Professores  de Grundschule recomendam os seus estudantes para uma das três escolas com base em coisas como desempenho acadêmico, auto-confiança e capacidade de trabalhar de forma independente. No entanto, na maioria dos estados, os pais têm a palavra final sobre qual escola o seu filho frequente após a quarta série. Confira aqui. E aqui.

Ponto para os alemães: Lá tem mais Incentivo à inovação, infraestrutura de primeira e educação de qualidade, o que faz com que a Alemanha apareça sempre perto do topo nos rankings de competitividade mundiais. Não sou eu que estou falando: na lista da escola IMD com a Fundação Dom Cabral, por exemplo, o país aparece em 6º lugar, enquanto o Brasil fica na 54ª posição. (fonte)

Ponto para os alemães: Lá existe maior qualidade das aulas, oportunidades de estágios internacionais, índice de inovação, publicações, e reconhecimento. Vai dar uma olhada nisso e compara. Google é seu melhor amigo. Com o nível que eles tem, uma taxinha administrativa não é nada. O defeito maior da educação deles é que as escolhas de entrada no Hauptschule, Realschule ou Gymnasium são feitas muito cedo, e às vezes nem os pais nem os alunos sabem o que querem.

Eles tem universidade praticamente gratuita com estrutura, está na hora de pensarmos porquê! E PROFUNDAMENTE! Argumentos rasos não constroem país.

Atualização de 2016: E no Brasil as Universidades Públicas estão no caminho de se tornarem pagas, afinal, se a pós-graduação pode ser paga, porque não a graduação? Se isso acontecer ficaremos decepcionados.

Mas para manter o princípio da imparcialidade: Vejamos aonde isso vai dar. Será que vai ser 7×1 de novo?

Veja a LISTA DAS UNIVERSIDADES alemãs pra você começar a pesquisar qual é a melhor pra você! Aqui.

Tags: Geral
Amilton Farias

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre

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