Um debate crucial sobre o papel do empoderamento feminino na transição energética ocorreu na noite de quarta-feira (2), durante o evento “Mulheres na Transição Energética”, parte da programação da Reunião Ministerial de Energia do G20 em Foz do Iguaçu (PR). Autoridades e especialistas do setor energético global discutiram a interligação entre equidade de gênero, combate à pobreza energética e a necessidade de uma transição energética inclusiva.
A presidente da iniciativa Energia Sustentável para Todos da ONU, Damilola Ogunbiyi, destacou que o setor energético é um dos que menos têm a participação de mulheres. “Além disso, as mulheres são as mais impactadas pela pobreza energética, que se refere à falta de acesso a serviços modernos de energia”, apontou Ogunbiyi, conclamando todos os presentes a lutarem por condições e oportunidades iguais.
A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, trouxe à tona exemplos positivos do Brasil, como o programa Luz para Todos, que, em 20 anos, beneficiou mais de 17 milhões de pessoas, proporcionando eletricidade a 3,6 milhões de lares. “As mulheres foram as mais beneficiadas, podendo, por exemplo, ter uma geladeira para conservar alimentos”, enfatizou a ministra.
Debate e Iniciativas
O evento incluiu um painel mediado pela secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Maria Helena Guarezi. Joanna Osawe, presidenta e CEO da Women in Renewable Energy (Wire), apresentou a iniciativa Equal by 2030, que visa garantir a equidade de gênero até o final da década. A superintendente da EPE, Carla Achão, destacou uma parceria com o Ministério de Minas e Energia e o BID, que visa integrar a transição energética aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), criando uma base de dados para políticas públicas eficazes.
Carmen Garcia Ainardi, assessora do Ministério de Energia do Chile, mencionou que, no setor energético chileno, a participação feminina é de apenas 23%, caindo para 9% em áreas técnicas. Essa realidade é semelhante na Itaipu, onde a proporção é de 80% de homens para 20% de mulheres. Jéssica Maris Maciel, coordenadora do Comitê de Gênero da Itaipu, falou sobre os esforços da empresa para capacitar mulheres nas comunidades ao redor da usina.
Mariana Espécie, do Ministério de Minas e Energia, ressaltou que um legado importante do G20 no Brasil foi a redação dos princípios norteadores da transição energética, incluindo a necessidade de equilibrar gênero e empoderar pessoas em situação de vulnerabilidade. “É uma semente que o Brasil deixa para as 20 maiores economias do planeta”, disse.
Esforços Colaborativos
A abertura do evento contou com a presença de autoridades como a ministra substituta da Secretaria-Geral da Presidência, Kelli Mafort, e os ministros Alexandre Silveira (MME) e Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social). Todos destacaram a importância da colaboração entre diferentes setores do governo para uma transição energética inclusiva.
Enio Verri, diretor-geral da Itaipu, e Magda Chambriard, presidenta da Petrobras, se mostraram otimistas quanto ao aumento da participação feminina em suas empresas. “Estou certo de que veremos, em breve, um aumento da participação das mulheres em cargos de liderança e a redução da pobreza energética que afeta tantas mulheres hoje”, concluiu Verri.
















