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Preso confessa assassinato da estudante espanhola no México

Vítima é a quarta aluna da UAEM assassinada em sete meses; estado mexicano lidera índices de violência contra mulheres no país.

O suspeito Francisco Javier, conhecido como 'El Trompas', detido sob acusação de feminicídio no estado de Morelos. Foto: Divulgação.

Cuautla, México – O homem preso pelo assassinato da estudante espanhola Claudia Tacoronte, de 21 anos, confessou a autoria do crime, segundo informou o chanceler mexicano ao ministro espanhol de Assuntos Estrangeiros, José Manuel Albares. O suspeito, identificado como Francisco Javier e conhecido pela alcunha de ‘El Trompas’, acabou detido nesta quinta-feira no estado de Morelos, cinco dias após a consumação do homicídio.

Diante da brutalidade do ataque, o Ministério Público de Morelos confirmou que vai imputar o acusado por feminicídio e solicitar a pena máxima de 70 anos de prisão estabelecida pela legislação do estado. O promotor do caso, Fernando Blumenkron, explicou que a natureza dos ferimentos provocados na vítima justifica o enquadramento penal mais rigoroso: “As lesões que ele inflige a Claudia nos permitem estabelecer que foi um feminicídio o que aconteceu, pela forma como o fez”, afirmou.

Claudia Tacoronte foi esfaqueada no dia 12 de setembro no município de Cuautla, onde visitava a Feira Nacional de Medicina Tradicional. Natural de Santa Brígida, na ilha de Gran Canária, a jovem cursava o quarto ano de Educação Infantil na Universidade de Granada e residia no México desde agosto para um intercâmbio acadêmico na Universidade Autônoma do Estado de Morelos (UAEM).

A prisão foi confirmada pelo secretário de Segurança e Proteção Cidadã do México, Omar García Harfuch, que divulgou a imagem do capturado. A localização de Francisco Javier ocorreu após o cruzamento de depoimentos de testemunhas com imagens de câmeras de monitoramento, o que sustentou a expedição do mandado judicial de prisão. A força-tarefa de captura reuniu agentes da Marinha, Guarda Nacional, Procuradoria-Geral da República, Promotoria de Morelos e forças policiais estaduais. O suspeito já acumulava antecedentes criminais e havia sido identificado anteriormente por roubos na mesma área.

As investigações prosseguem para encontrar o aparelho celular da vítima e a faca usada no crime. A polícia confirmou que o agressor levou o telefone da estudante e, até o momento, descarta violência sexual.

Antes da divulgação da confissão formal, a governadora de Morelos, Margarita González Saravia, declarou que o suspeito agiu de forma isolada, sem ligação com o crime organizado, tratando-se de um criminoso comum. “Aparentemente foi um roubo, foi uma luta por um roubo. Quando ela grita, ele a agride”, declarou a governadora. O Ministério Público estadual, contudo, manteve a linha acusatória de feminicídio pela crueldade do ato.

A prisão ocorreu no mesmo momento em que parentes da jovem chegaram ao México para organizar a repatriação do corpo para a Espanha, procedimento acompanhado pelo Consulado espanhol. O assassinato provocou forte indignação acadêmica nos dois países: Claudia é a quarta aluna da UAEM assassinada em um intervalo de apenas sete meses, após as mortes violentas de Kimberly Ramos, Karol Toledo e Michelle Itzayana Fuentes — episódios que desencadearam protestos e paralisações estudantis. Como reação imediata, a Universidade de Granada suspendeu o programa de intercâmbio com a instituição mexicana.

O caso reacende os alertas sobre a crise de violência de gênero na região. O estado de Morelos apresenta uma taxa de 1,97 feminicídio para cada 100 mil mulheres, índice quase quatro vezes superior à média nacional mexicana, que é de 0,55, com base em levantamentos do Secretariado Executivo do Sistema Nacional de Segurança Pública. No índice de homicídios dolosos contra mulheres, Morelos marca 4,49 casos por 100 mil habitantes, contra 1,27 no restante do país. A Anistia Internacional vinha cobrando publicamente a investigação rigorosa da morte de Claudia sob a tipificação de feminicídio.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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