Ibagué, Colômbia – Uma descoberta científica na América do Sul chamou atenção não apenas pela biologia, mas também pela cultura pop. Pesquisadores identificaram uma nova espécie de aranha na cidade de Ibagué, na Colômbia, e decidiram batizá-la em homenagem à banda britânica Pink Floyd.
A espécie foi nomeada Pikelinia floydmuraria, em referência direta ao grupo e ao álbum The Wall (1979). O termo “muraria”, derivado do latim para “parede”, descreve o habitat do animal, que vive em frestas de muros e estruturas urbanas.
O estudo foi conduzido por uma equipe de cientistas sul-americanos e publicado na revista científica Zoosystematics and Evolution, ampliando o conhecimento sobre o gênero Pikelinia.
Os pesquisadores observaram que a aranha apresenta forte adaptação a ambientes urbanos. Exemplares foram encontrados em paredes de edifícios, muros próximos a postes de iluminação e até em estacionamentos.
A presença frequente indica que a espécie se beneficia de ecossistemas modificados pelo ser humano, utilizando a estrutura urbana como abrigo e estratégia de caça.
Predadora eficiente e aliada do ambiente
Apesar do tamanho reduzido — entre 3 e 4 milímetros —, a Pikelinia floydmuraria é considerada uma predadora eficiente. Ela se alimenta principalmente de insetos como moscas, besouros e formigas, sendo capaz de capturar presas até seis vezes maiores que o próprio corpo.
Uma das estratégias observadas é a construção de teias próximas a fontes de luz artificial, onde há maior concentração de insetos. Esse comportamento contribui para o controle natural de pragas em áreas urbanas.
A nova aranha pertence ao gênero Pikelinia, descrito desde a década de 1940, mas ainda pouco estudado. Os pesquisadores destacam que a descoberta abre caminho para novas investigações sobre a ecologia e o comportamento dessas espécies.
Outro ponto que chama atenção é a semelhança com a Pikelinia fasciata, encontrada nas Ilhas Galápagos. Mesmo separadas por grandes barreiras geográficas, como o Oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes, as duas apresentam características próximas, levantando hipóteses sobre ancestralidade comum ou evolução convergente.
Segundo os autores, estudos genéticos mais aprofundados devem ajudar a entender a origem da espécie e seu papel no equilíbrio dos ecossistemas urbanos.
















