Foz do Iguaçu, PR – Uma nova plataforma digital de assistência técnica no campo começou a ser aplicada para acompanhar cerca de 5 mil agricultores familiares no Paraná e no sul de Mato Grosso do Sul. A tecnologia integra o projeto Caminhos Sustentáveis: Inovação, Renda e Conservação no Campo, realizado por meio de parceria entre a Itaipu Binacional e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
O sistema, desenvolvido pelo Itaipu Parquetec, funciona como uma base operacional de gestão para Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER). O objetivo central é coletar, organizar e analisar indicadores diretamente nas propriedades rurais atendidas gratuitamente em 434 municípios dos dois estados.
Ao todo, mais de 70 Agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATECs) passaram por capacitação técnica para operar a ferramenta. Durante as visitas de campo, os técnicos registram dados sobre as características produtivas de cada lote, o perfil das famílias, as rotinas de trabalho e as dificuldades enfrentadas no cotidiano da lavoura.
A ferramenta opera com formulários digitais e mapeamentos georreferenciados capazes de funcionar de forma online e offline. Isso permite o cadastramento das propriedades e a alimentação das informações mesmo em áreas remotas, onde o sinal de internet não chega. Os registros são sincronizados assim que os agentes retornam a pontos com conexão.
O engenheiro agrônomo do Itaipu Parquetec, Alessander von Wagner, explicou a função do treinamento e da ferramenta para as rotinas na zona rural:
“Essa capacitação com os ATECs, no Sistema de Gestão de ATER produzido pelo Itaipu Parquetec, é importante para que tenhamos um bom processo de acompanhamento e consigamos medir os avanços que ocorrem no campo. Além das boas práticas da própria assistência técnica realizada na zona rural, é importante ter um sistema eficiente para registrar essas informações, que gere formulários e gráficos que sejam apresentados de forma clara.”
Os organizadores do projeto apontam que os registros vão além da rotina de cada propriedade e servem para identificar desigualdades produtivas regionais. Os relatórios indicam onde há maior diversidade de culturas, quais áreas enfrentam gargalos de renda e quais comunidades demandam socorro técnico com mais urgência.
Na avaliação dos técnicos, essa radiografia das lavouras ajuda a dimensionar o impacto do uso dos recursos naturais, a eficiência da produção e as demandas de infraestrutura. As informações acumuladas devem subsidiar a formulação e a cobrança de políticas públicas de desenvolvimento rural voltadas à agricultura familiar.
A gerente de projeto do PNUD Brasil, Luciana Carrijo, destacou o alcance do modelo e o funcionamento em regiões isoladas:
“Essa plataforma é uma inovação. Ao todo, no projeto, estamos alcançando 5 mil produtores. Então, essa ferramenta pode ser utilizada em diferentes locais, inclusive onde não há internet.”
A meta da iniciativa é estruturar um banco de dados confiável que sirva de referência para futuros programas agrícolas e investimentos públicos nos territórios atendidos, documentando tanto as evoluções das famílias quanto as carências estruturais que persistem no campo.
Luciana Carrijo completou sobre a aplicação dessas informações a longo prazo:
“Ela nos permite coletar dados que poderão ser utilizados também em iniciativas futuras, porque conseguimos compreender o que cada produtor produziu e de que forma avançou.”
O projeto Caminhos Sustentáveis oferece atendimento gratuito aos pequenos agricultores, com foco na transição para práticas agroecológicas, fortalecimento da gestão e sustentabilidade no manejo dos recursos hídricos e do solo em regiões de fronteira agrícola.




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