Foz do Iguaçu, PR – A militante, escritora e artista boliviana Maria Galindo participa nesta sexta-feira (21 de agosto de 2026), a partir das 18h, de um encontro público no Auditório do Centro de Integração Lélia Gonzalez, na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). A atividade é uma realização conjunta do projeto Empodera Mulheres Latino-Americanas e das Promotoras Legais Populares da Fronteira, voltada ao debate sobre as diferentes formas de violência contra a mulher e às realidades vividas na Tríplice Fronteira.
O encontro oferece um espaço de acolhimento e escuta aberto para mulheres da região que queiram apresentar relatos e denúncias sobre situações de violência, com orientação direta sobre encaminhamentos práticos. A programação também inclui a entrega de certificações vinculadas à Unila, à ODM Internacional e ao movimento MIM – Mulher Impacto Mundial. A participação é gratuita, mediante inscrição online prévia.
Figura central do pensamento crítico e do anarcofeminismo latino-americano, psicóloga e comunicadora de rádio e televisão, Galindo atua desde os anos 1990 combinando mobilização política, arte e ação direta. Ao lado de mulheres de diferentes classes sociais e orientações sexuais, fundou na Bolívia o coletivo Mujeres Creando, concebido como uma frente autônoma de combate ao patriarcado, ao machismo, à homofobia, ao colonialismo e à exploração capitalista. Por causa de seus atos de protesto no espaço público e pichações políticas nos muros das cidades, Galindo foi presa diversas vezes.
A perspectiva de Galindo defende as ruas como espaço prioritário de criação, reivindicação e ação política, estruturado em construções coletivas, abertas e fora das amarras burocráticas e da normalização institucional. Essa abordagem compreende a militância não apenas como momentos pontuais de mobilização ou agendas formais, mas como uma prática diária de enfrentamento e um modo de vida coletivo que se mantém firme na luta.
Para a ativista, a transformação social exige o rompimento rigoroso com o individualismo e a construção de laços cotidianos de solidariedade. O Mujeres Creando mantém ações práticas de economia autônoma, como a gestão compartilhada de fundos de poupança operados por mulheres de cooperativas populares, articulando trabalhadoras informais e a população LGBTI+ em um contexto de marginalização social.
Essa prática sustenta o conceito de “feminismo bastardo”, formulado por Galindo em oposição direta às cartilhas acadêmicas e à cooptação por partidos e governos. Trata-se de um pensamento que recusa categorias fixas e se constrói nas margens sociais. A boliviana faz críticas à teoria queer — que define como uma formulação de e para as elites — e ao enquadramento da categoria de gênero quando colocada a serviço de agendas neoliberais. Para a militante, as respostas reais surgem de “alianças insólitas” e da voz das mulheres periféricas.
No campo teórico, Galindo formulou a tese da Despatriarcalização em 2013, formulação que a própria autora acusa de ter sido capturada, distorcida e esvaziada durante a gestão governamental de Evo Morales na Bolívia. Entre seus livros publicados estão Ninguna mujer nace para puta (2007, escrito com Sonia Sánchez), No se puede descolonizar sin despatriarcalizar (2013), Feminismo urgente: ¡A despatriarcar! (2014) e Feminismo Bastardo (2021), obra prefaciada por Paul B. Preciado e com edições no Brasil, na Argentina, no Chile, no Peru, no México e na Itália.
A atuação de Galindo também alcançou projeção internacional nas artes, com presenças na documenta de Kassel (Alemanha), na Bienal de Veneza (Itália) e em duas edições da Bienal de Arte de São Paulo. Ela é a única artista boliviana a ter produções em vídeo incorporadas ao acervo do Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, em Madri (Virgen Barbie, Virgen Cerro e América). A compra dessas obras manteve como exigência o acesso público e gratuito no acervo digital do Mujeres Creando.
A organização do encontro reúne o projeto Empodera Mulheres Latino-Americanas, as Promotoras Legais Populares da Fronteira, a Unila, a ODM Internacional e o movimento MIM – Mulher Impacto Mundial.
SERVIÇO
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Evento: Encontro com Maria Galindo e certificações internacionais
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Data: Sexta-feira, 21 de agosto de 2026
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Horário: 18h
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Local: Auditório do Centro de Integração Lélia Gonzalez – UNILA (Foz do Iguaçu, PR)
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Inscrições: Gratuitas pelo formulário oficial: https://forms.gle/KYrXrejEHGYTLkPd7
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Realização: Promotoras Legais Populares da Fronteira, UNILA, ODM Internacional e MIM – Mulher Impacto Mundial















