Rialp, Espanha – Um grupo de 28 crianças de Gaza trocou o barulho constante dos bombardeios, as sirenes de alerta e a rotina de deslocamentos forçados por uma semana de futebol, piscina e convivência nos Pirineus catalães. Os meninos e meninas palestinos desembarcaram na pequena cidade de Rialp, no nordeste espanhol, para participar da sexta edição do acampamento de verão mantido pela fundação do técnico Pep Guardiola, comandante do Manchester City.
A viagem até a província de Lérida começou a sair do papel ainda em janeiro. Na ocasião, um jovem palestino que vive em Barcelona procurou a equipe da Fundação Guardiola Sala para tentar aproximar os pequenos sobreviventes do treinador catalão, conhecido por declarações públicas de solidariedade ao povo palestino. Guardiola viajou até o Hotel Condes del Pallars, local onde a delegação ficou hospedada, e passou parte do dia conversando, ouvindo relatos e jogando bola com as crianças em campo aberto.
Acolhidos no meio de outros 700 participantes de diferentes regiões, os jovens palestinos integraram todas as turmas regulares de treinamento esportivo, oficinas recreativas e dinâmicas de grupo. A presença dessas crianças em um acampamento esportivo na Europa tem peso direto diante do cenário que enfrentam em casa: são sobreviventes que perderam familiares, tiveram suas casas e escolas reduzidas a entulho e para quem pisar em um gramado seguro se tornou um privilégio quase inalcançável no território sitiado.
A iniciativa ganha ainda mais relevância diante de denúncias recentes. Nesta mesma semana, a Associação Palestina de Futebol formalizou queixas a órgãos internacionais contra acusações das forças de ocupação israelenses, que tentaram vincular atletas palestinos mortos durante a ofensiva militar a grupos armados, buscando manchar a memória das vítimas mesmo após a morte.
A breve trégua na Espanha ofereceu aos jovens uma rotina simples e comum, mas o retorno escancara o abandono internacional. Com o término das atividades do acampamento, as 28 crianças voltam para uma Faixa de Gaza que segue com hospitais colapsados, campos improvisados de tendas e sem qualquer medida efetiva da comunidade externa para frear a violência.


















