Foz do Iguaçu, PR – O mês de agosto será marcado por dois grandes fenômenos astronômicos visíveis a olho nu em diferentes regiões do planeta: um eclipse solar total, previsto para o dia 12, e um eclipse lunar parcial — porém com características e impacto visual próximos aos de um evento total —, previsto para a madrugada do dia 28. O evento lunar poderá ser acompanhado em todo o território brasileiro, enquanto o solar será restrito a países do Hemisfério Norte e parte da África.
No Brasil, o eclipse lunar terá início às 23h30 (horário de Brasília) da noite do dia 27 de agosto, alcançando o seu ponto máximo por volta da 1h da manhã do dia 28. De acordo com informações do Observatório Nacional, o fenômeno cobrirá até 95% do disco lunar, fazendo com que a Lua adquira uma tonalidade avermelhada.
A astrônoma do Observatório Nacional, Josina Nascimento, explica que a mecânica do evento decorre da posição dos corpos celestes. O plano de órbita da Lua em volta da Terra possui uma inclinação de 5 graus, e o eclipse ocorre justamente quando há um alinhamento direto entre Sol, Terra e Lua.
“Na Lua cheia você tem, nessa ordem, o Sol, a Terra e a Lua. E aí, o Sol batendo na Terra forma essa sombra no espaço, e quando a Lua entra nessa sombra, é que acontece o eclipse”, explicou a pesquisadora.
Apesar de ser classificado astronomicamente como um eclipse parcial, o comportamento do astro durante essa madrugada será muito semelhante ao de um eclipse total. Josina Nascimento destaca que, durante o processo, a luz solar atravessa a atmosfera terrestre e projeta um tom característico sobre a superfície do satélite natural.
“Esse eclipse agora do dia 27, ele é um eclipse parcial. A Lua não vai entrar totalmente na umbra, ela quase vai entrar. Vai funcionar como se fosse um eclipse total porque ela vai começar a ficar vermelha, e essa vermelhidão é o reflexo da luz do Sol batendo na atmosfera da Terra”, finalizou a astrônoma.
Tipos de eclipse e dinâmica do eclipse solar
A dinâmica dos eclipses lunares — que ocorrem obrigatoriamente durante a fase de Lua Cheia — varia conforme a interação com as sombras projetadas pela Terra. A incidência da luz do Sol sobre o planeta gera dois tipos distintos de sombra no espaço: a umbra, que é a região de sombra mais escura e densa, e a penumbra, uma zona de transição mais branda. O eclipse pode se manifestar de forma penumbral, parcial ou total.
“Quando vai acontecer o eclipse da Lua, às vezes pode ser que ela entre só nessa penumbra. A gente não vê diferença alguma”, ressalta Josina. No eclipse total, o astro percorre a penumbra, atravessa completamente a umbra e, em seguida, faz o caminho inverso.
Já no caso do eclipse solar, que ocorre exclusivamente durante a fase de Lua Nova, a ordem do alinhamento se altera para Sol, Lua e Terra, resultando no bloqueio da luz solar e na projeção da sombra do satélite sobre a superfície do planeta.
Previsto para o dia 12 de agosto, o eclipse solar poderá ser visto em sua totalidade em uma faixa contínua de cerca de 300 quilômetros de largura que passará por países como Espanha, Portugal, Rússia, Islândia e Groenlândia. Outras áreas do Hemisfério Norte e o norte do continente africano observarão o evento de forma parcial.
“Já aqui você tem Sol, Lua e Terra, e a sombra da Lua vai fazer um caminho pela Terra. Só quem está neste caminho é que vê o eclipse do Sol. Esse caminho é um caminho de 300 quilômetros de largura”, detalhou a pesquisadora.
O alinhamento perfeito que permite o eclipse solar total é fruto de uma coincidência espacial: embora o Sol possua um diâmetro aproximadamente 400 vezes maior do que o da Lua, ele também se encontra cerca de 400 vezes mais distante da Terra, fazendo com que ambos os corpos celestes pareçam ter dimensões semelhantes no céu. Josina Nascimento lembra ainda que, fora da faixa de abrangência direta da umbra, o evento passa a ser visto como um eclipse anular — cenário em que a Lua não cobre a totalidade do disco solar, deixando visível um anel luminoso em suas bordas.
Recomendações e formas de observação
As exigências técnicas e os cuidados de segurança para acompanhar os dois eventos são bastante distintos. Para observar o eclipse lunar no Brasil, não é necessária nenhuma técnica especial nem equipamentos de proteção para os olhos. A recomendação prática é buscar um local aberto, com vista desimpedida para o céu e com o mínimo possível de poluição luminosa artificial.
Por outro lado, o eclipse solar exige rigorosos cuidados visuais. A observação direta do Sol sem proteção adequada traz riscos graves e irreversíveis à saúde ocular, podendo causar cegueira. A visualização só deve ser feita mediante o uso de óculos especiais certificados com a norma ISO 12312-2 ou com o uso de filtros de máscara de soldador número 14.
Para quem desejar acompanhar as transmissões ao vivo com análises técnicas, o Observatório Nacional realizará a exibição de ambos os eclipses de forma gratuita em seu canal oficial no YouTube.




















