Foz do Iguaçu, PR – Uma carta guardada desde a adolescência e nunca entregue aos pais se tornou o ponto de partida para o novo trabalho de estúdio de Marc Yann. O cantor e compositor independente lançou nas plataformas digitais a faixa “Só Quero Amar”, resgatando um texto escrito aos 17 anos, durante seu primeiro namoro, quando buscava palavras para explicar sua orientação sexual à própria família.
Na época da composição, o músico enfrentava a barreira do silêncio e a incerteza sobre como os familiares reagiriam à notícia. Sem coragem para entregar o desabafo aos pais, ele optou por guardar o manuscrito, que permaneceu engavetado por anos até ser resgatado e adaptado para o formato de canção.
O lançamento joga luz sobre as tensões vividas por jovens LGBTQIA+ dentro de casa, onde a falta de diálogo e a ameaça de afastamento ainda marcam a transição para a vida adulta. A experiência pessoal do artista reflete a realidade de adolescentes criados em cidades do interior, onde a pressão social e o preconceito tornam as conversas familiares ainda mais difíceis.
A faixa foi produzida e gravada em tomada única, sem emendas, buscando manter a carga emocional daquele primeiro rascunho de juventude. A sonoridade une o violão acústico a batidas eletrônicas inspiradas no deep house característico de 2016, criando uma base direta para a interpretação vocal.
No refrão, a letra estabelece uma conversa direta com as figuras parentais, reivindicando acolhimento e o fim da obrigação de prestar contas ou pedir desculpas por seus sentimentos:
“Pai, eu não quero mais dançar sozinho outra vez. Mãe, eu encontrei alguém que quer me cuidar.”
A produção dá continuidade à proposta de Marc Yann de transformar vivências pessoais e memórias do interior em faixas de pop eletrônico autoral. Ao expor a ferida de uma conversa interrompida pelo medo, a música rompe o isolamento individual e questiona a recusa familiar em aceitar os próprios filhos.
Disponível nos serviços de streaming por meio do link de distribuição oficial do projeto, o single registra a passagem da dor do segredo para a afirmação pública da própria identidade.



Deixe um comentário