Rio de Janeiro, RJ – A Academia Brasileira de Cinema formalizou seu apoio a Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial. O posicionamento, divulgado por meio de nota assinada pela presidente da entidade, Renata Almeida Magalhães, insere a produção artística no centro da disputa política nacional ao tratar a cultura não como adereço de governo, mas como direito social e elemento de soberania.
O manifesto da categoria vincula a sobrevivência do cinema à defesa das liberdades democráticas e à retomada de investimentos estatais contínuos. Segundo a entidade, garantir a produção e a salvaguarda da memória nacional depende de políticas públicas sólidas que sustentem todas as fases do setor, desde a criação até a distribuição e a preservação de acervos.
A nota dimensiona o peso material da atividade, confrontando discursos que tratam o meio artístico como privilégio. Números do próprio setor reunidos no documento mostram que o audiovisual mobilizou mais de 78 mil postos de trabalho formais e 4.554 empresas e estabelecimentos empregadores em 2025, articulando uma ampla rede de técnicos, prestadores de serviços e pequenas produtoras.
Ao explicitar o voto em Lula, a instituição defende que a atividade cultural seja tratada como trabalho essencial e patrimônio coletivo. A entidade sustenta que o país só preserva sua autonomia política e sua presença internacional quando mantém condições materiais para formular e projetar suas próprias narrativas em telas locais e estrangeiras.
Apesar da escolha eleitoral, o documento marca limites institucionais: a Academia assegura que manterá independência crítica diante do poder público. A direção afirma que seguirá cobrando do próximo governo ações estruturadas contra a concentração de recursos no eixo Rio-São Paulo, com foco em superar os gargalos regionais que barram o acesso de realizadores locais aos orçamentos públicos e afastam plateias do interior do país.



Deixe um comentário