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Latinoware 2026 conecta universitários e profissionais de tecnologia

Congresso reúne mais de 3,6 mil participantes e 70 caravanas para discutir software livre, formação profissional e inovação

O Latinoware reúne estudantes, profissionais e especialistas do Brasil, da Argentina e do Paraguai. Foto: Kiko Sierich/Itaipu Parquetec.

Foz de Iguaçu, PR – O 23º Congresso Latino-Americano de Software Livre e Tecnologias Abertas (Latinoware) começou na quarta-feira (14) com mais de 3,6 mil participantes e a presença de estudantes, profissionais e especialistas do Brasil e de países vizinhos. Até sexta-feira (16), o evento reúne universitários e profissionais da área em palestras, oficinas e minicursos que discutem o desenvolvimento de tecnologias, a formação de novos talentos e as possibilidades de atuação no setor.

Com mais de 20 anos de história, o congresso recebe, nesta edição, mais de 70 caravanas de diferentes regiões do Brasil, incluindo cidades do Paraná, São Paulo, Espírito Santo e Santa Catarina, além de grupos da Argentina e do Paraguai. A participação dos estudantes está entre os destaques da programação, que oferece contato direto com profissionais e experiências que podem contribuir para a formação universitária.

É o caso de João Carlos Martins, de 18 anos, estudante de Ciência da Computação da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em Chapecó (SC). Ele viajou com outros 28 colegas para acompanhar os três dias de atividades. Interessado em tecnologia, João vê no congresso uma oportunidade de ampliar os conhecimentos e desenvolver habilidades que nem sempre conseguiu explorar antes de ingressar na universidade.

“Sempre me interessei pelo assunto, mas nunca tive muito acesso a computadores ou tecnologias. Comecei a faculdade e vim para cá porque quero oportunidades e experiências novas para desenvolver minhas habilidades”, disse o estudante.

Logo na primeira palestra que acompanhou, João teve contato com Jon “Maddog” Hall, referência internacional em software livre e presença constante nas edições do Latinoware. Na abertura do congresso, Hall chamou a atenção para as barreiras que dificultam não apenas o ingresso de jovens no ensino superior, mas também o aproveitamento da formação durante a graduação.

“Existem lugares do mundo em que um jovem não consegue entrar na faculdade porque os custos para pagar a graduação são muito altos. Em outros, eles conseguem ingressar, mas precisam trabalhar em áreas que não têm relação com seu curso para ganhar dinheiro. Muitas vezes, isso não resulta nos melhores profissionais, mas sim nos mais ricos”, afirmou.

A fala coloca em discussão uma questão que ultrapassa o acesso à universidade: as condições econômicas que permitem aos estudantes dedicar tempo à própria formação e desenvolver competências para trabalhar na área escolhida.

Encontros que podem abrir caminhos profissionais

Com mais de 150 horas de programação, o Latinoware reúne painéis e oficinas conduzidos por profissionais envolvidos no desenvolvimento de tecnologias no Brasil, no Paraguai e na Argentina. As atividades permitem conhecer projetos, compartilhar experiências e estabelecer contatos que podem contribuir para a trajetória acadêmica e profissional dos participantes.

Para o diretor-superintendente do Itaipu Parquetec, professor Irineu Colombo, a formação de profissionais da área tecnológica exige conhecimentos que vão além da programação. Segundo ele, é necessário compreender como as ferramentas e soluções tecnológicas se relacionam com a sociedade, o meio ambiente e outros campos do conhecimento.

“Os profissionais do futuro precisam ampliar cada vez mais seus conhecimentos. Não basta saber programar, é preciso compreender como a tecnologia se relaciona com outras áreas. O Latinoware é um espaço para essa troca de experiências e para a construção coletiva do conhecimento, fundamentais para desenvolver soluções e gerar oportunidades”, afirmou Colombo.

A importância desses encontros também aparece na experiência de quem já participou do congresso como estudante. Everton Pasqual, superintendente de Tecnologia da Informação da Itaipu Binacional, recordou que esteve na plateia de uma edição anterior e relacionou as palestras e atividades do evento ao próprio desenvolvimento profissional.

“Em 2003, eu era um de vocês na plateia. Quando olho para trás, percebo como as palestras e as experiências que tive aqui contribuíram para o meu desenvolvimento profissional. Muitas ideias e negócios surgem desses encontros, e o evento pode ser um ponto de partida para novas possibilidades de carreira”, afirmou Everton.

As experiências compartilhadas por estudantes e profissionais mostram como o congresso aproxima diferentes etapas da formação tecnológica, do primeiro contato com novas ferramentas à troca de conhecimentos entre pessoas que já atuam no setor. Para quem está na universidade, a participação também permite conhecer áreas de trabalho e projetos que podem orientar escolhas futuras.

Programação gratuita até sexta-feira

O Latinoware 2026 segue até sexta-feira (16), com atividades dedicadas à troca de conhecimentos, à apresentação de tecnologias e ao debate sobre inovação. A programação inclui palestras, painéis, oficinas, minicursos e ativações para os participantes.

A entrada é gratuita, e a programação completa pode ser consultada no site oficial do congresso: https://latinoware.org/programacao-latinoware/.

Steve Rodríguez

*Steve Rodríguez é repórter do Fronteira Livre, pesquisador e doutorando pela UNILA com formação interdisciplinar em narrativa audiovisual, estudos culturais latino-americanos e práticas pedagógicas anticoloniais. Sua trajetória combina criação artística (teatro, cinema e cultura visual) com reflexão teórica, orientada pela perspectiva dos estudos visuais de Nicholas Mirzoeff.

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