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Fim da escala 6×1: PEC melhorará a vida dos trabalhadores

Em dois meses entra em vigor a PEC que encerra a escala 6x1 no país; no Paraná, mais de um milhão de trabalhadores ganham novo descanso.

Transição da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas terá prazo de adaptação de 14 meses para as empresas. Foto: Divulgação.

Brasília, DF – O Senado Federal aprovou, na noite desta quarta-feira (14), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que extingue a escala de trabalho 6×1 no Brasil. Aprovada por 75 votos contra apenas um — do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) —, a matéria diminui o teto da jornada semanal de 44 para 40 horas, assegura dois dias de descanso semanal remunerado e proíbe qualquer corte salarial.

A nova regra entra em vigor daqui a dois meses e fixa uma transição escalonada de 14 meses para que os setores econômicos atinjam o teto de 40 horas. A mudança atinge a rotina de 2,52 milhões de trabalhadores sob regime CLT no Paraná, dos quais 1,85 milhão cumpre jornada 5×2 e terá as horas semanais reduzidas, enquanto mais de 1 milhão deixará o modelo 6×1, ganhando uma folga a mais na semana.

Conforme levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), esse grupo em jornada 6×1 representa 35,82% de toda a força de trabalho formal paranaense, com presença maciça nos setores de comércio, serviços, indústria e logística. A medida foi idealizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como pauta prioritária de proteção social e saúde do trabalhador.

A bancada paranaense expôs divisões políticas diante da matéria. O senador e governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), faltou à votação. Na terça-feira (13), ele havia afirmado que um eventual apoio:

“Iria depender do texto apresentado.”

A abstenção de Moro reflete o equilíbrio político entre sua ligação eleitoral com Flávio Bolsonaro (PL) e o vínculo com entidades empresariais locais. Seu vice-governador eleito, Edson Vasconcelos (PL), comanda a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), que se posicionou abertamente contra o fim da escala 6×1.

Já os senadores paranaenses Flávio Arns (PSB) e Oriovisto Guimarães (PSDB), em fim de mandato previsto para janeiro de 2027, votaram a favor. Guimarães fez ressalvas e afirmou que o texto gerará impactos negativos para:

“Inúmeros setores.”

Entre os futuros representantes do estado, o senador eleito Filipe Barros (PL) votou a favor da PEC ainda na tramitação pela Câmara dos Deputados, mas defendeu a adoção de contrapartidas econômicas para atenuar custos do empresariado. O outro senador eleito pelo estado, Deltan Dallagnol (Novo) — cujo registro eleitoral permanece sob contestação judicial —, não se manifestou sobre a proposta, alinhando-se ao silêncio de seu partido, que é contrário à matéria.

O debate no plenário também antecipou tensões da disputa presidencial. O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, vinha criticando abertamente o fim do regime 6×1, mas recuou na véspera e votou favoravelmente à proposta do governo federal. Flávio e o coordenador de sua campanha, Rogério Marinho (PL-RN), tentaram empurrar a votação e propuseram um modelo alternativo com contratos por hora e negociação individual direta, sem garantia de dois dias de folga nem redução da carga máxima.

Após a aprovação, Flávio afirmou a aliados que pretende reverter o fim da escala 6×1 caso vença a corrida presidencial. Do lado governista, parlamentares progressistas alertaram que a manutenção do novo direito trabalhista dependerá diretamente do resultado das urnas no segundo turno.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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