Rio de Janeiro, RJ – O deputado estadual Ademar Traiano (PSD-PR), que confessou o recebimento de propina em acordo firmado com o Ministério Público do Paraná (MP-PR), participou de uma festa no Copacabana Palace na última segunda-feira (12). O evento ocorreu enquanto milhares de pessoas ocupavam a Avenida Atlântica, na orla do Rio de Janeiro, em caminhada de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Das varandas do hotel de luxo, convidados e hóspedes riram, mandaram beijos e fizeram o gesto do número 22 com os dedos, em referência direta à candidatura do candidato da extrema-direita, Flávio Bolsonaro (PL). As provocações miravam a multidão que passava pela avenida e foram registradas em vídeos que se espalharam rapidamente pelas redes sociais.
Traiano não apenas foi filmado por pessoas que participavam do ato na orla, como também publicou imagens do evento em suas próprias redes sociais. A presença do parlamentar em um dos pontos mais exclusivos do país, enquanto manifestantes marchavam no asfalto, ampliou as críticas ao contraste entre a elite reunida no hotel e o movimento popular nas ruas.
Ex-presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Traiano admitiu ter recebido vantagem indevida em um esquema que envolvia fraudes em contratos da TV do Legislativo estadual. O caso, revelado por reportagem do G1, causou abalo no cenário político paranaense porque ele presidia a Casa no momento em que a apuração veio à tona.
Para evitar o processo criminal e uma denúncia formal na Justiça, o parlamentar assinou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público do Paraná. No documento, reconheceu a participação no crime e assumiu compromissos legais para encerrar o caso sem julgamento.
A mobilização em Copacabana integrou uma série de marchas pró-Lula realizadas em capitais do país durante a disputa do segundo turno contra Flávio Bolsonaro. As imagens da sacada do Copacabana Palace, contudo, ganharam peso central no debate político das redes sociais ao expor a condescendência e o escárnio direcionados aos manifestantes.



Deixe um comentário