Curitiba, PR – O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), colocou o peso da futura máquina estadual na disputa do segundo turno presidencial ao reunir cerca de 230 prefeitos e quase 3 mil pessoas nesta terça-feira (13), no restaurante Madalosso, em Curitiba. O encontro formalizou uma frente ampla de gestores municipais em apoio a Flávio Bolsonaro e expôs a estratégia de atrair antigos adversários locais por meio da garantia de repasses financeiros do Estado.
O evento funcionou como demonstração de força política a doze dias da votação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além dos prefeitos, a mobilização reuniu deputados federais, estaduais, vice-prefeitos, vereadores e dirigentes de oito legendas, desenhando a correlação de forças que assume o Paraná e sua articulação com o projeto nacional bolsonarista.
A aliança no estado agrega formalmente PL, Novo e Podemos, além de alas expressivas do Republicanos, PSD, MDB e da federação União Progressistas, formada por União Brasil e Progressistas. Entre os nomes presentes estava o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), ao lado de prefeitos de cidades centrais da economia paranaense, como Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa e Cascavel. O governador em exercício, Ratinho Junior, não foi ao evento.
Em sua fala, Moro tratou diretamente da relação de dependência fiscal entre prefeituras e Palácio Iguaçu. O governador eleito garantiu que os municípios cujos prefeitos não apoiaram sua eleição no primeiro turno não serão preteridos na distribuição de verbas públicas caso trabalhem agora pela campanha de Flávio.
“Estão aqui hoje prefeitos, muitos que não nos apoiaram no primeiro turno, mas isso faz parte da liberdade política, isso faz parte da democracia. Nós convidamos a todos e vamos trabalhar juntos, em parceria. Não vai faltar dinheiro para bons projetos para o cidadão paranaense. Aquilo que eu falei na campanha é aquilo que pretendo cumprir.”
Em mensagem gravada transmitida nos telões, Flávio Bolsonaro reforçou a promessa de alinhamento orçamentário entre a União, o Estado e os municípios, vinculando a liberação de obras à sintonia política de sua candidatura com o futuro governo estadual e com os três senadores paranaenses.
“Pela primeira vez, o Paraná vai ter um presidente da República, um governador e três senadores totalmente alinhados para trabalhar com as necessidades do estado.”
O candidato a presidente também mencionou pautas de segurança pública e renda para as famílias, antes de cobrar dos gestores municipais e vereadores ação direta de rua e nas redes contra o atual governo federal.
“Faltam só 12 dias para a gente tirar o Brasil do cativeiro que o Lula iniciou no nosso país. Então, eu peço a cada um de vocês: vamos dar um gás nessa reta final. Bora para as ruas, vamos para as redes também.”
No palco, ladeado pelos senadores eleitos Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo), Moro sustentou que a coalizão marca o início de uma nova fase de hegemonia política no Paraná, sinalizando a reorganização de grupos tradicionais que disputavam o controle do estado.
“Vamos trabalhar juntos para um Paraná diferente, porque o Paraná não tem dono. Ninguém é dono do Paraná. Nós vamos iniciar um novo capítulo, um novo ciclo de movimento. Eu falo muitas vezes que o Paraná é como um livro, escrito por diversas mãos. Cada um escreve um capítulo.”
A investida eleitoral no Paraná faz parte de um circuito coordenado nos três estados do Sul até sábado (17). Nesta quarta-feira (14), o governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), comanda um ato político em Porto Alegre. No sábado pela manhã, o governador catarinense Jorginho Mello (PL) lidera uma agenda em Florianópolis.
O fechamento da rota ocorre em Curitiba, no sábado à tarde, com uma carreata que reunirá Moro, Zucco, Jorginho Mello e parlamentares da região. A concentração foi marcada para o bairro Santa Cândida, em frente à Superintendência da Polícia Federal, seguirá pelo prédio da Justiça Federal no Ahú e terminará com um comício no calçadão da Boca Maldita, no centro da cidade.
“Faremos esse grande ato ‘Fora Lula’ e em apoio a Flávio Bolsonaro. Quero convidar os paranaenses a participar da nossa carreata e desse grande ato cívico na Boca Maldita. Todos são convidados, sejam filiados ao PL, a outros partidos ou não filiados. A causa da liberdade é uma causa de todos nós.”



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