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Rio Paraná pode chegar a 121 metros nesta quarta-feira (14)

Previsão de elevação do Paraná mobiliza equipes brasileiras e paraguaias; vazão vertida chegou a 11,3 milhões de litros por segundo

Itaipu abriu a segunda calha do vertedouro na terça-feira (13), em meio ao aumento das chuvas. Foto: William Brisida/Itaipu Binacional.

Foz do Iguaçu, PR – O nível do rio Paraná pode chegar a 121 metros acima do nível do mar nesta quarta-feira (14), após chuvas acima do esperado na bacia incremental, no reservatório da Itaipu e na bacia do rio Iguaçu. Diante da elevação, equipes da Defesa Civil brasileira e da Assessoria de Responsabilidade Social da Itaipu, no Paraguai, atuam para proteger moradores de áreas sujeitas a alagamentos.

No bairro San Rafael, no lado paraguaio, cerca de 170 famílias já foram evacuadas em uma operação conduzida pela equipe de Responsabilidade Social da Itaipu, com apoio das Forças Armadas, de voluntários e de moradores da comunidade. Segundo a usina, as operações devem ser intensificadas nos próximos dias.

No lado brasileiro, a Defesa Civil monitora os níveis dos rios Paraná e Iguaçu e orienta pessoas que frequentam ou circulam por áreas próximas às margens. Entre os locais que costumam ser mais atingidos estão o Porto de Areia, o Catamarã, o Iate Clube Cataratas e o Clube Amambay. De acordo com as informações divulgadas, não há residências nas áreas brasileiras com possibilidade de alagamento.

Itaipu abre segunda calha do vertedouro

O aumento das chuvas levou a Itaipu Binacional a abrir, na terça-feira (13), a segunda calha do vertedouro, localizada na parte central da estrutura. A operação segue os procedimentos técnicos da usina, que determinam quais calhas devem ser utilizadas conforme a vazão de água a ser liberada.

A Itaipu esclarece que a abertura de uma calha, por si só, não provoca o alagamento das comunidades. O impacto está relacionado ao volume de água vertida. Entre as 11h e as 12h de terça-feira, a vazão passou de 10,5 milhões para 11,3 milhões de litros por segundo, um aumento de 800 mil litros por segundo.

Paulo Zanelli Jr., engenheiro e coordenador da Comissão Especial de Cheias da Itaipu, lembrou que Foz do Iguaçu e Ciudad del Este já enfrentaram outros episódios de cheia. Segundo ele, os maiores registros históricos na região ocorreram em 1992, 1983 e 2014, nessa ordem.

“As maiores cheias históricas registradas na região ocorreram em 1992, 1983 e 2014, nesta ordem. Cada um desses eventos proporcionou experiências e aprendizados importantes, que contribuíram para aprimorar o monitoramento, o planejamento e a atuação das equipes da Itaipu, sempre com o objetivo de zelar pela segurança da barragem e de minimizar os impactos das cheias sobre a população”, afirmou Zanelli.

Monitoramento hidrológico e controle da vazão

A Itaipu atua no controle da vazão do rio Paraná por meio da gestão do reservatório e da operação da usina. Dentro dos limites operacionais, essas medidas permitem regular o escoamento da água e contribuem para a gestão das cheias nas áreas localizadas a jusante da barragem, ou seja, rio abaixo.

A Divisão de Estudos Hidrológicos, vinculada à Diretoria Técnica da empresa, mantém o monitoramento hidrometeorológico permanente. A usina disponibiliza o boletim hidrológico diário em seu site oficial, no endereço www.itaipu.gov.br.

A previsão de elevação do rio mantém as equipes de segurança e assistência mobilizadas nos dois lados da fronteira. No Paraguai, a retirada de famílias do bairro San Rafael já está em andamento. Em Foz do Iguaçu, o acompanhamento dos níveis dos rios e a orientação em áreas próximas às margens seguem como medidas de prevenção diante da possibilidade de alagamentos.

Steve Rodríguez

*Steve Rodríguez é repórter do Fronteira Livre, pesquisador e doutorando pela UNILA com formação interdisciplinar em narrativa audiovisual, estudos culturais latino-americanos e práticas pedagógicas anticoloniais. Sua trajetória combina criação artística (teatro, cinema e cultura visual) com reflexão teórica, orientada pela perspectiva dos estudos visuais de Nicholas Mirzoeff.

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