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Lula aciona o TSE contra Flávio Bolsonaro por vídeos adulterados

Representação no TSE inclui Nikolas Ferreira e Pablo Marçal por divulgar cena estrangeira como se fosse protesto político no Brasil.

Manifestantes durante mobilização de apoio a Lula na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Ricardo Stuckert

Brasília, DF – A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira (12) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) e seus aliados. A representação pede a exclusão em até 24 horas de publicações que usaram recortes manipulados sobre a manifestação realizada no domingo (11), na Avenida Paulista, em São Paulo.

Segundo a representação, as postagens distorcem a realidade para associar os manifestantes ao consumo de drogas, à destruição de patrimônio público e ao terrorismo. O objetivo, sustenta a coligação, é criminalizar a mobilização popular e converter acusações falsas em votos na reta final do segundo turno.

Além de Flávio, a petição mira o PL, os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Rony Gabriel (Podemos-RS), o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL-SP) e o empresário Pablo Marçal. O caso foi distribuído ao ministro Marco Aurélio Bellizze.

Entre as provas apresentadas, a defesa do petista aponta que uma das cenas difundidas pelos parlamentares bolsonaristas nem sequer ocorreu no Brasil. A filmagem mostra usuários de drogas no Chile e circulava na internet antes do protesto na capital paulista.

A petição enviada aos ministros detalha a cronologia do material:

“É importantíssimo destacar que um trecho do conteúdo impugnado foi publicado originalmente em 10 de outubro de 2026, no Chile, pelo perfil Justiniano (@multapor100), na plataforma X, um dia antes da manifestação realizada na Avenida Paulista, em 11 de outubro de 2026.”

Os advogados classificam a prática como “desinformação de segunda geração”. Esse modelo consiste em usar registros autênticos, mas recortados e reorganizados fora do contexto original, para produzir um efeito fraudulento no debate público e enganar o eleitor.

A ação aprofunda uma crise interna no TSE, em que ministros divergem abertamente sobre a moderação das plataformas digitais. O embate direto entre as chapas transferiu o centro da disputa política para as decisões liminares da Corte.

O atrito aumentou após medidas recentes do presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques. Ele mandou suspender o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, gerido pelo deputado André Janones (Rede-MG), acolhendo um pedido da equipe de Flávio.

A ordem acabou revertida pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que mandou reativar o grupo e determinou apuração técnica. A assessoria do tribunal confirmou nesta segunda-feira que não localizou nas mensagens do canal, entre 2 e 11 de outubro, a publicação denunciada pelo PL para embasar a censura.

O episódio repercutiu no palanque da Paulista, onde Lula classificou a suspensão como “absurda” e expressou desconfiança na condução da Justiça Eleitoral. Já nesta segunda, o petista voltou a cobrar Kassio Nunes Marques, afirmando que o comandante da corte não pode tomar lado na eleição.

Em meio à enxurrada de pedidos de remoção e às suspeitas de favorecimento institucional, Kassio convocou os advogados das duas coligações para uma reunião nesta terça-feira (13).

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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