Brasília, DF – O avanço do extremismo de direita no Brasil segue cobrando um preço violento e direcionado contra os corpos e as vozes que desafiam o poder tradicional: as mulheres, a militância popular e a juventude negra. Durante o primeiro turno das eleições, a violência política contra mulheres operou como um instrumento deliberado de intimidação fascista. Foram registrados 134 episódios de violência eleitoral no país — uma agressão a cada nove horas —, de acordo com a 4ª edição do relatório Violência Política e Eleitoral no Brasil, elaborado pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global.
Dos 102 ataques direcionados expressamente a postulantes com registro formal, 60 miraram candidatas mulheres. A disparidade expõe a engrenagem do patriarcado e do conservadorismo: embora representassem apenas cerca de 35% do total de candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres concentraram quase 60% de todas as agressões documentadas. O número desmonta qualquer tese de acaso e comprova o uso metódico do terror psicológico para impedir que lideranças populares e femininas ocupem o Parlamento.
A deputada federal Gleisi Hoffmann denunciou que esse padrão é a base de sustentação do bolsonarismo e da extrema-direita, que recorrem ao linchamento virtual, à mentira orquestrada e ao ódio de gênero para manter privilégios de classe:
“Este é o método da família Bolsonaro e da extrema direita. Usam a violência, a agressividade e a intimidação como ferramentas políticas. Espalham a mentira e o medo, especialmente contra as mulheres.”
Alvo histórico de campanhas sórdidas de desumanização e ofensas misóginas, Gleisi relembrou a violência contínua promovida por setores reacionários. Durante a campanha, sua assessoria jurídica conquistou ao menos 15 decisões favoráveis contra integrantes do campo bolsonarista, gerando R$ 85 mil em multas e a derrubada de vídeos com montagens fraudulentas espalhadas pelas milícias digitais.
A engrenagem de perseguição também se voltou contra a renovação combativa da esquerda. Em Minas Gerais, Ana Elisa Santos Silva (PT), eleita deputada federal aos 21 anos, foi alvo de ataques racistas repugnantes, ameaças de estupro e intimidações de morte. Criminosos também vazaram seus documentos pessoais, telefone e endereço para incitar a violência contra sua residência, numa tentativa explícita de sufocar uma jovem mulher negra eleita pela classe trabalhadora.
Diante da brutalidade, Gleisi apontou que a resposta ao projeto de extermínio político da extrema-direita exige enfrentamento coletivo, mobilização de massas e firmeza popular:
“Eles veem uma mulher e acham que podem intimidar, que vamos aceitar caladas. Não vamos nos deixar intimidar por agressores. Não temos medo de covardes. A reeleição do presidente Lula é fundamental para colocarmos um freio neste projeto de ódio, que atinge principalmente as mulheres, e mostrarmos que o Brasil não aceita a violência e a intimidação como forma de fazer política.”



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